Em 2020, Fundo de População da ONU beneficiou mais de 40 mil pessoas em Roraima e Amazonas.

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Mulheres tiveram acesso a métodos contraceptivos e profissionais de saúde receberam capacitações

Atendimento ginecológico em abrigo da operação acolhida (Foto: Pedro Sibahi/UNFPA)

Em meio à pandemia de Covid-19 que afligiu  o mundo em 2020, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) impactou positivamente e diretamente com ações de saúde sexual e planejamento reprodutivo, a vida de aproximadamente 4 mil pessoas, na maioria mulheres, nas cidades de Boa Vista, Pacaraima e Manaus, por meio do trabalho de  assistência humanitária e ações de desenvolvimento.

Esse esforço foi viabilizado em grande parte pelo financiamento do Fundo de Emergência do UNFPA (Emergency Fund). Muitas das atividades foram implementadas nas unidades de saúde pública, como hospitais e Unidades Básicas de Saúde, ajudando a fortalecer as redes públicas de saúde locais.

As pessoas beneficiadas foram refugiadas e migrantes, em especial as mulheres em idade reprodutiva e gestantes, assim como a população dos municípios, além dos profissionais das redes locais de saúde e assistência social.

Como parte da atuação junto a essas comunidades, foram produzidos materiais impressos informativos bilíngues, abordando temas como Infecções Sexualmente Transmissíveis; Planejamento reprodutivo, Gravidez e Lactação.

A equipe do Fundo de População das Nações Unidas na assistência humanitária esteve em campo visitando abrigos, ocupações espontâneas e abrigos temporários, realizando atendimentos ginecológicos, obstétricos e de planejamento da vida reprodutiva. Para facilitar o diálogo com as comunidades indígenas, foram contratadas mediadoras culturais das etnias Warao, E´ñepá e Macuxi.

O UNFPA também realizou atividades de capacitação e parcerias com a rede local de saúde e assistência social, promoveu testagens para infecções sexualmente transmissíveis, principalmente sífilis e HIV, disponibilizou profissionais de saúde para a área de Proteção e Cuidado da Operação Acolhida em Roraima.

Boa parte dessas ações foram possíveis via assinatura de Memorandos de Entendimento com o governo de Roraima, com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas e com a Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista.

Atendimentos em números

Um dos eixos de atuação foi na prevenção de morte materna e neonatal, com sessões para disseminação de informações sobre como buscar atendimento imediato, sinais de aproximação do parto, cuidados pós-parto, amamentação, autocuidado pré e pós-natal, oferta de testagem para HIV, Sífilis e Hepatites Virais, além de cuidados relacionados à Covid-19 em gestantes e puérperas e apresentação do “Sistema Único de Saúde” para aproximadamente 800 mulheres refugiadas e migrantes.

Em parceria com o projeto #BoraSaber, que promove a testagem por pares, com jovens voluntários atuando em suas respectivas comunidades, foram feitos 972 testes rápidos de HIV e distribuiu cerca de 2,5 mil preservativos. Em Manaus, em parceria com ONGs especializadas, o UNFPA realizou 302 testes rápidos de fluido oral para HIV, atingindo populações mais vulneráveis, incluindo populações indígenas e  em situação de rua.

Também foram realizadas 697 consultas obstétricas com gestantes e puérperas de abrigos e ocupações, além de 256 consultas ginecológicas com procedimentos e encaminhamentos, incluindo tratamento de IST, retirada de contraceptivos intradérmicos – que são colocados sob a pele, mais comuns na Venezuela – vencidos e substituição de Dispositivos Intrauterinos (DIUs) vencidos, mais 128 exames de Papanicolaou.

A prevenção de gravidez não intencional também foi um dos pontos de atenção do trabalho do UNFPA, com sessões de informação e orientação da comunidade sobre planejamento da vida reprodutiva, abordando tanto mulheres quanto homens, apresentando os métodos anticoncepcionais disponíveis gratuitamente na rede pública de saúde e como acessá-los. Ao todo, 144 mulheres receberam anticoncepcionais orais e injetáveis e 3 mil preservativos foram distribuídos. 

Capacitações

Entre as atividades voltadas para fortalecer a rede local, foi realizada em Roraima uma capacitação prática com 48 profissionais de saúde para a inserção do dispositivo intrauterino (DIU), resultando em 1.010 mulheres beneficiadas com o método contraceptivo. Também foi realizada uma capacitação teórica online para colocação de DIU, alcançando 105 profissionais de saúde de Roraima e do Amazonas.

O UNFPA ainda organizou um Curso de Manejo Clínico da Violência Sexual – criado para aperfeiçoar o atendimento de profissionais de saúde disponibilizado para sobreviventes de violência. Foram capacitados 150 profissionais das redes públicas nos estados do Amazonas e Roraima, que tiveram suas habilidades aumentadas no tratamento das consequências da violência sexual.

Doações

Entrega de Ambulâncias reformadas em Manaus (Foto: Pedro Sibahi/UNFPA)


Em Roraima, foram doados equipamentos laboratoriais para o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), permitindo ao estado disponibilizar diagnósticos de confirmação para sífilis no mesmo dia do exame, iniciando a medicação quando necessário. Em Manaus o UNFPA realizou a reforma de três ambulâncias para maternidades, melhorando o atendimento da população em geral e das mulheres refugiadas e migrantes, que utilizam a rede local.

Atividade coletiva no Posto de Interiorização e Triagem (Foto: Pedro Sibahi/UNFPA)

A pandemia de Covid-19 que assolou o mundo em 2020, para além das fatalidades causadas pela doença em si, fez aumentar os casos de violência de gênero no Brasil, conforme mostrou pesquisa do Banco Mundial publicada em setembro. Nesse contexto, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em Roraima e Manaus esteve em campo por meio da assistência humanitária, visitando abrigos, ocupações espontâneas e abrigos temporários, além de manter presença constante nos espaços da Operação Acolhida, realizando ações de enfrentamento e prevenção à violência baseada em gênero. 

Ao longo de 2020, as ações realizadas pelo UNFPA de prevenção e enfrentamento da violência de gênero alcançaram mais de 32 mil pessoas nas cidades de Boa Vista, Pacaraima e Manaus. Pessoas refugiadas e migrantes, em especial as mulheres em idade reprodutiva, gestantes, idosos, população LGBTI, pessoas com deficiência e pessoas vivendo com HIV, assim como a população dos municípios citados, além dos profissionais das redes locais de saúde e assistência social foram alcançadas.

Como parte da atuação junto a essas comunidades, foram produzidos materiais impressos informativos bilíngues, abordando temas como a construção de uma sociedade não-violenta, a Lei Maria da Penha, e direitos da população LGBTI+ no Brasil.

Na Operação Acolhida, organizada pelo governo federal para recepção de refugiados e migrantes da Venezuela, o Fundo de População da ONU  integrou como co-liderança o subsetor de Violência Baseada em Gênero da plataforma R4V (Plataforma de Coordenação para Refugiados e Migrantes Venezuelanos), além do Grupo de Trabalho local de enfrentamento à violência de gênero.

A área de enfrentamento à violência de gênero teve apoio do fundo LEAP (sigla em inglês para Liderança, Capacitação, Acesso e Proteção para mulheres e meninas migrantes, requerentes de asilo e refugiadas no Brasil), financiado pela Embaixada de Luxemburgo.

O trabalho foi estruturado em quatro eixos temáticos, compreendendo: contribuição no aperfeiçoamento dos mecanismos locais de resposta à violência de gênero; presença nos abrigos regulares administrados pela Operação Acolhida, nos espaços de atendimento dos Postos de Interiorização e Triagem (PITRIG) e nas rodoviárias das cidades de Pacaraima, Boa Vista e Manaus; disseminação de informações por meio de rodas de conversa e materiais impressos; desenvolvimento das capacidades dos parceiros locais para a proteção de mulheres e meninas.

Em pesquisa realizada com apoio da União Europeia nas cidades de Pacaraima e Boa Vista, o UNFPA levantou dados apontando para a urgência das ações de enfrentamento à violência de gênero na região. Entre os dados compilados, há um índice de ao menos 20% de mulheres que relataram ter sofrido algum tipo de violência física ao longo da vida, como empurrão, soco, tapa, chute e até estrangulamento. Deste mesmo quantitativo, 30,3% também relataram ter sofrido violência psicológica, como insulto, intimidação, humilhação ou ameaça.

Atendimentos 

Nos espaços alcançados pelo UNFPA, foram realizadas 1680 sessões de conscientização e disseminação de informações sobre a violência baseada em gênero, com a disseminação de informações que salvam vidas, como os locais onde buscar apoio, medidas protetivas e o funcionamento da Lei Maria da Penha. Ao todo, foram alcançadas mais de 17 mil mulheres e meninas, e mais de 14 mil  homens e meninos em atividades coletivas. Também ocorreram 1,3 mil atendimentos individuais, incluindo casos de proteção de sobreviventes de violência. 

Em dezembro foi realizada a assinatura de um memorando de entendimento com o Tribunal de Justiça de Roraima, com o objetivo de permitir a coordenação de iniciativas conjuntas em prol da promoção dos direitos das mulheres, incluindo serviços de atendimento, orientação e encaminhamento. O Fundo de População das Nações Unidas também integrou a organização do 1º Seminário Estadual em Rede de Mulheres Empreendedoras do Campo, contribuindo para o empoderamento de 150 mulheres brasileiras e venezuelanas.

Ainda foi implementada uma estratégia tecnológica, com o desenvolvimento do aplicativo Nina, apoiado e financiado pela União Européia, que conta com um robô de conversa (chatbot) que “fala” português, espanhol e inglês e está programado para responder questionamentos e fornecer informações sobre violência sexual, gravidez, HIV, direitos da população LGBTI e exploração sexual. Disponibilizado nos espaços do UNFPA no PITRIG e de parceiros por meio de totens, o Nina também indica os locais da rede de assistência em saúde, assistência social, justiça, segurança e assistência psicossocial. 

Atividade de empoderamento com jovens lideranças do projeto Mosaico (Foto: Pedro Sibahi/UNFPA)

Capacitações

Profissionais do UNFPA na área de enfrentamento à violência de gênero integraram uma Capacitação para a Rede de Proteção Intersetorial no estado de Roraima, com profissionais de justiça, segurança e assistência social dos sistemas públicos locais, ajudando a qualificar 220 profissionais de 15 municípios, contribuindo para o acesso das pessoas sobreviventes de violência aos dispositivos da rede de proteção.

O UNFPA ainda buscou promover empoderamento de lideranças comunitárias jovens em parceria com o projeto Mosaico, realizando o treinamento para 79 jovens com informações sobre a legislação brasileira e as vias de encaminhamento para vítimas e sobreviventes de violência de gênero.
Ao longo de 2020, também foram realizadas sessões de teinamento para a Prevenção da Exploração, Abuso e Assédio Sexual (PSEAH), com organizaçoes governamentais, não-governamentais e militares, alcançando mais de 2 mil pessoas. 

Distribuição de Kits Dignidade na Rodoviária de Boa Vista (Foto: UNFPA)

O surto de pandemia de Covid-19 agravou os desafios no já bastante complexo contexto humanitário na fronteira Brasil-Venezuela. Assim como em outras partes do mundo, as mulheres foram as que mais sentiram os efeitos do aumento da desigualdade, da violência de gênero e vulnerabilidades econômicas – conforme afirmou em artigo recente o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres.

Para garantir a realização das ações de promoção da saúde sexual e planejamento da vida reprodutiva, assim como as atividades de prevenção e enfrentamento à violência de gênero, ainda mais necessárias neste cenário de pandemia, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) adotou medidas sanitárias como o uso de máscaras e escudos faciais, reduziu o número de pessoas em atividades coletivas e reorganizou agendas para evitar a lotação, mantendo o fluxo de beneficiários sob controle. Também foram contratados profissionais de saúde para apoiar a área de Proteção e Cuidado da Operação Acolhida, voltada para tratamento de Covid-19.

O UNFPA usou estratégias de comunicação comunitária para fornecer informações abrangentes sobre como prevenir e responder à pandemia Covid-19 de forma contextualizada e acessível para a população refugiada e migrante. Foram também realizados webinários e treinamento remoto da rede de proteção intersetorial – que articula órgãos e profissionais de diferentes áreas, como saúde, justiça e assistência social.

Evitando as aglomerações em espaços fechados para palestras, foi adotado o uso de recursos audiovisuais para garantir acesso à informações e mensagens-chave, que salvam vidas, em diferentes espaços de circulação das mulheres e meninas migrantes. 

Doações

A doação de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), equipamentos laboratoriais para a realização de exames e ambulância foi mais uma das estratégias de ação do UNFPA em Roraima e Manaus, capital do Amazonas, buscando fortalecer as capacidades locais e o enfrentamento à Covid-19. 

Apenas em EPIs, foram doados mais de 150 mil ítens, entre luvas, aventais, máscaras, óculos e escudos faciais. As doações beneficiaram ao menos 40 unidades de saúde e mais de 4 mil profissionais que atuam diretamente com a população.

Dentro da estratégia de combate à pandemia de Covid-19, associada ao enfrentamento da violência de gênero, o Fundo de População das Nações Unidas realizou a doação de aproximadamente 4 mil kits dignidade, contendo ítens de higiene como máscaras, sabonete, álcool em gel, entre outros.

A distribuição foi realizada com atividades de sensibilização sobre violência baseada em gênero e sobre medidas sanitárias para prevenir a infecção pelo coronavírus. Em parceria com o SESC, foram entregues 700 kits dignidade e mil cestas básicas. Em outra ação com apoio do SESC e da União Européia, foram doados 240 “kits limpeza”, contendo itens como baldes e água sanitária, para uso compartilhado em ocupações e projetos da sociedade civil de Roraima.

Em Manaus, o UNFPA doou equipamentos e materiais para um projeto de ressocialização por meio de oficina de costura, da Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas (Seap). Com a parceria, foram produzidas 10 mil máscaras, utilizadas pelo próprio programa de assistência humanitária do UNFPA na região e também pelos funcionários e demais pessoas em custódia do sistema.

Com informações de | Pedro José Sibahi – Assistente de Comunicação para Roraima e Amazonas.

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By peronico

Expedito Perônico, jornalista e colunista de política. Este blog cobre os bastidores do poder em Roraima e em Brasília. Já atuei nos principais veículos de comunicação de Roraima.

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