AGORA É REAL: Lula autoriza o início das obras do Linhão de Tucurui para ligar Roraima ao sistema elétrico nacional.
Linhão vai conectar Manaus (AM) a Boa Vista (RR) com investimento de R$ 2,6 bilhões; mais de 500 mil pessoas serão beneficiadas .
O prefeito Arthur Henrique (esquerda) participou do ato de assinatura da Ordem de Serviço do LInhão, em Parintins.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assinaram nesta 6ª feira (4) em Parintins (AM) a ordem de serviço que autoriza o início das obras do Linhão de Tucuruí. A linha de transmissão vai conectar Manaus (AM) a Boa Vista (RR) e contará com investimento de R$ 2,6 bilhões. Mais de 500 mil pessoas serão beneficiadas. O projeto vai conectar Roraima ao SIN (Sistema Elétrico Nacional). O Estado é o único que ainda não está ligado à rede nacional, dependendo 100% da geração de termelétricas, que produzem energia mais cara. Por causa do sistema isolado, são constantes os apagões na região.
Com a linha, será possível levar a energia produzida na Usina Hidrelétrica de Tucuruí (PA) até Boa Vista e cidades do sul do Roraima. A expectativa é de que sejam criados mais de 11.000 empregos com as obras, que têm previsão de serem concluídas em setembro de 2025.
Por outro lado, o povo Waimiri Atroari deverá se comprometer com parcerias. Já a União deverá reembolsar a Transnorte Energia em R$ 88,5 milhões com recursos do programa Pró-Amazônia Legal, como compensação à empresa pelos programas que deverão ser executados. Energias da Amazônia
A interligação dos municípios ao SIN marca o lançamento do programa Energias da Amazônia, do Ministério de Minas e Energia, que tem previsão de cerca de R$ 5 bilhões em investimentos para a substituição de termelétricas e descarbonização da matriz energética.
Atualmente, a região amazônica conta com 211 sistemas isolados, que precisam gerar a própria energia a partir de combustíveis fósseis. A estimativa do governo é que aproximadamente 3 milhões de pessoas vivam nessas localidades.
“Ao substituir a matriz térmica por opções mais sustentáveis, 1,5 milhão de toneladas de carbono deixarão de ser lançadas na atmosfera”, informou. O projeto reduzir em 70% a geração térmica, com a interligação desses sistemas ao SIN e implantação de outras fontes renováveis.
Interligação sul-americanaUm outro decreto assinado por Lula, nesta sexta-feira, trata das possibilidades de intercâmbio de energia elétrica com países que fazem fronteira com o Brasil. Atualmente, o Brasil realiza intercâmbios internacionais com Argentina e Uruguai, além do Paraguai, por meio da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Ontem (3), em entrevista a rádios dos estados amazônicos, o presidente Lula também afirmou que vai recuperar a relação energética com a Venezuela. De 2001 a 2019, o estado de Roraima foi abastecido com a energia elétrica via Linhão de Guri, que ligava Boa Vista ao complexo hidrelétrico de Guri, em Puerto Ordaz. Após uma série de apagões no país vizinho, em 2019, o fornecimento foi interrompido e, desde então, Roraima é dependente de energia de termelétricas.
O texto prevê a possibilidade de importação de energia para atendimento aos sistemas isolados, com o objetivo de reduzir os gastos da Conta de Consumo de Combustível (CCC), que chegam a R$ 12 bilhões em 2023. Ela representa quase 35% da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). A gradativa substituição do sistema acarreta redução nos custos da CCC, que é paga por todos os consumidores de energia elétrica do país, embutida nas contas de luz.
A decreto altera as competências do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que deverá avaliar as propostas de importação apresentadas. Caberá ao CMSE deliberar sobre o preço, volume e eventuais diretrizes adicionais, avaliando os benefícios econômicos da importação e a preservação da segurança energética do sistema atendido.
Ainda, inclui como competência do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definir orientações para o estabelecimento de políticas nacionais de integração do sistema elétrico e de integração eletroenergética com outros países.