Sônia Bridi sobre tragédia Yanomami em Roraima: 'Nunca vi nada tão horrível'
Repórter especial do 'Fantástico', de 59 anos, coleciona experiências ao lado do marido, Paulo Zero, com quem viaja o Brasil e o mundo produzindo matérias especiais.
Foto: Arquivo pessoal da Sonia Brid
Aos Aos 59 anos, Sônia Bridi coleciona reportagens especiais que entraram para a história do Jornalismo no Brasil. Contratada pela RBS, afiliada da TV Globo em 1984, ela começou a trabalhar como editora do telejornal local RBS Notícias e, desde então, foi correspondente da Globo em Londres, Nova York, Pequim e Paris.
Sônia esteve em todos os continentes da Terra. Ao lado do marido, o repórter cinematográfico Paulo Zero, de 66, a profissional vivenciou extremos em séries especiais para o Fantástico, como: Terra, que Tempo é Esse? (2010); Planeta Terra: Lotação Esgotada (2012); e A Jornada da Vida (2se014 e 2016).
Ao lado de Paulo Zero, Sônia já fez inúmeras reportagens difíceis, como a cobertura da invasão da embaixada japonesa pelos guerrilheiros tupamaros no Peru, em 1997; e o desaparecimento de um Airbus da Air France no Oceano Atlântico, após decolar no Rio de Janeiro, em 2009, entre outras tantas coberturas complicadas.
Tragédia Yanomami
Em janeiro, o casal de repórteres foi até a reserva indígena Yanomami, em Roraima, e se deparou com uma verdadeira tragédia humanitária em comunidades da região. Com o avanço do garimpo ilegal, equipes de saúde foram expulsas da região, famílias inteiras de indígenas foram vítimas de desnutrição, malária, pneumonia e contaminação por mercúrio.
Sônia conta que sofreu para colocar no ar a imagem em que carrega a criança Yanomami no colo.
Filha, mãe e avó
Entre as longas viagens pelo Brasil e pelo mundo para fazer matérias para o Fantástico, Sônia, muitas vezes, fica longos períodos longe dos filhos -- a influenciadora Mariana Bridi, de 38, de sua relação com o diretor Edson Spinello, de 63, e do estudante de Biologia Pedro Bridi Zero, de 21, com Paulo -- além dos dos dois netos: Aurora, de 8 anos, e Valentim, de 5 [filhos de Mariana com o ator Rafael Cardoso, de 37].
"Se por um lado viajo com meu marido, meus filhos ficavam sem pai e sem mãe. Isso é uma coisa que eu converso muito com eles. Fui ser correspondente quando a Mariana tinha 11 anos de idade. Aí você estava em um país estranho, Mariana ficava em Nova York com 11 anos e eu lá no Ártico no meio do gelo, fazendo não sei o quê. Fui para o México porque aconteceu um atentado... Os dois passaram muito por isso. Pedro mais ainda porque começou mais cedo", conta.
Sônia esteve em todos os continentes da Terra. Ao lado do marido, o repórter cinematográfico Paulo Zero, de 66, a profissional vivenciou extremos em séries especiais para o Fantástico, como: Terra, que Tempo é Esse? (2010); Planeta Terra: Lotação Esgotada (2012); e A Jornada da Vida (2se014 e 2016).
Ao lado de Paulo Zero, Sônia já fez inúmeras reportagens difíceis, como a cobertura da invasão da embaixada japonesa pelos guerrilheiros tupamaros no Peru, em 1997; e o desaparecimento de um Airbus da Air France no Oceano Atlântico, após decolar no Rio de Janeiro, em 2009, entre outras tantas coberturas complicadas.
Tragédia Yanomami
Em janeiro, o casal de repórteres foi até a reserva indígena Yanomami, em Roraima, e se deparou com uma verdadeira tragédia humanitária em comunidades da região. Com o avanço do garimpo ilegal, equipes de saúde foram expulsas da região, famílias inteiras de indígenas foram vítimas de desnutrição, malária, pneumonia e contaminação por mercúrio.
As imagens de indígenas extremamente magros, desnutridos e doentes chocaram o país e o mundo. "Nunca vi criança desnutrida daquele jeito, eram velhos, idosos, e sem estrutura para o atendimento deles. Não carreguei criança porque queria aparecer na televisão carregando criança. Carreguei porque alguém tinha que levar. Eram nove crianças e um adolescente, mas tinha pouca gente e alguém tinha que carregar e carreguei também", afirma.
"Foi a pior coisa que já vi na minha vida. Já cobri campo de refugiado, já cobri conflito, já cobri tragédias e nunca vi nada tão horrível antes. A aldeia virou uma ilha no meio do garimpo. Nós estávamos com o helicóptero da Força Aérea Brasileira e os garimpeiros vinham para cima da gente, nos encarando, nos desafiando, sem respeitar a autoridade. Uns mostrando armas. Vi um cara com uma arma apontando para a gente", recorda.
Sônia conta que sofreu para colocar no ar a imagem em que carrega a criança Yanomami no colo.
"Eu não queria botar no ar. Porque eu achava que chamaria atenção para mim e não queria isso, eu achava que você [o repórter] não pode chamar atenção. Depois fui convencida de que a imagem mostraria a falta de estrutura", conta. "Emocionalmente [a tragédia Yanomami] foi das matérias mais difíceis que já fiz. Pretendo voltar lá assim que eu conseguir. É muito difícil o acesso, porque é uma área restrita. Você não pode pegar um avião e falar: 'estou indo ali na reserva'. A FUNAI tem que autorizar, você tem que ter autorização para entrar em cada aldeia, tem que ter apoio das forças armadas, e as distâncias são grandes, você não consegue alugar um helicóptero, não é simples assim. Tem que ter toda estrutura que te permita ir. Mas devo voltar em breve, estou negociando", avisa.
Filha, mãe e avó
Entre as longas viagens pelo Brasil e pelo mundo para fazer matérias para o Fantástico, Sônia, muitas vezes, fica longos períodos longe dos filhos -- a influenciadora Mariana Bridi, de 38, de sua relação com o diretor Edson Spinello, de 63, e do estudante de Biologia Pedro Bridi Zero, de 21, com Paulo -- além dos dos dois netos: Aurora, de 8 anos, e Valentim, de 5 [filhos de Mariana com o ator Rafael Cardoso, de 37].
"Se por um lado viajo com meu marido, meus filhos ficavam sem pai e sem mãe. Isso é uma coisa que eu converso muito com eles. Fui ser correspondente quando a Mariana tinha 11 anos de idade. Aí você estava em um país estranho, Mariana ficava em Nova York com 11 anos e eu lá no Ártico no meio do gelo, fazendo não sei o quê. Fui para o México porque aconteceu um atentado... Os dois passaram muito por isso. Pedro mais ainda porque começou mais cedo", conta.