21/09/2023 às 07h57min - Atualizada em 21/09/2023 às 07h57min

'Inadmissível', diz Ministério dos Povos Indígenas sobre crianças ianomâmis amarradas e ameaçadas por garimpeiros.

Órgão afirma que articula com outros ministérios 'providências urgentes para averiguação, denúncia e punição'.

- Com informaçoes de O Globo
Reprodução: O Globo
Ministério dos Povos Indígenas classificou como "inadmissíveis" as denúncias feitas pela Hutukara Associação Yanomami, nesta quarta-feira. Vídeos obtidos pela organização mostram crianças iânomamis sendo amarradas e ameaçadas por garimpeiros em um local da região conhecida como Hakoma.

O ministério disse ainda que articula com outros órgão com o objetivo de garantir "providências urgentes para averiguação, denúncia e punição dos responsáveis por este caso". Um vídeo obtido pelo GLOBO mostra o momento das ameaças sofridas pelas crianças indígenas:

 
— Recebemos essa denúncia muito grave. Uma violação de Direitos Humanos de crianças em garimpo ilegal. É uma situação muito vulnerável. Não é de hoje que isso está acontecendo. — disse ao GLOBO o autor da denúncia, Dário Kopenawa, vice-presidente da associação Hatukara.

A associação Hatukara relata ter recebido informações sobre a presença de garimpeiros na região no dia 19 de setembro. As gravações das ameaças foram enviadas do Papui, local onde há acesso à internet. Pelo isolamento da área onde o caso ocorreu, a associação afirma não ser capaz de precisar a data e o desfecho da ocorrência.

"A gravidade do incidente exige uma resposta rápida por parte das forças de segurança", diz a associação Hatukara em documento enviado ao Ministério Público Federal, Funai, Polícia Federal, Ibama, Exército e Ministério dos Povos Indígenas. Na gravação, é possível ouvir um homem falando em "buscar os cartuchos da espingarda". De acordo com a entidade, as crianças estariam sendo acusadas de furto de celulares, o que não teria ocorrido. 

"Os dois vídeos tratam da mesma situação. Eles registram um momento em que garimpeiros acusam crianças yanomami de terem furtado celulares, e na tentativa de recuperar os objetos, amarram e ameaçam as crianças, que supostamente teriam pego os telefones. Um garimpeiro também tenta intimidar as vítimas, solicitando aos demais garimpeiros que “tragam os mokaua”, ou seja, que sejam trazidas armas para o barracão onde as crianças estão cativas", diz ainda a denúncia da associação.

No início de agosto, o líder e xamã do povo yanomami, Davi Kopenawa, fez críticas ao atual governo, afirmando que o presidente Lula "muito devagar" com as ações na área da saúde e também na retirada dos invasores pelas forças de segurança nas comunidades distribuídas pelo estado de Roraima". Davi Kopenawa é pai do vice-presidente Associação Hatukara, responsável pela denúncia desta terça-feira.

 
— O Exército cruzou os braços, não quer saber de ajudar o meu povo, não quer saber de proteger a Floresta Amazônica. O governo tem que retirar os garimpeiros até acabar, até arrancar tudo. É isso o que nós precisamos — disse.

Lula está devagar, está muito devagar. Está devagar porque ainda tem muito lugares dominados pelo garimpo no território Munduruku e Kayapós, no Pará, e claro, na terrra Yanomami. Ele não consegue. Isso vai custar muito e deve levar uns quatro ou cinco anos para conseguir. Ainda tem pouco tempo de governo, mas se não agir vai continuar como está — afirmou ainda Davi Kopenawa.

 
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