Exportadores brasileiros se preparam para retomada do comércio com Venezuela sem sanções
EUA suspenderam temporariamente restrições à venda de petróleo, gás e ouro do país, que deve aumentar importação com maior entrada de dólares. Vizinho, que já foi 9º comprador do Brasil, hoje é o 47º
Antônio Carlos Oliveira mora em Curitiba (PR) e viaja de duas a três vezes por ano à Venezuela. Suas relações com aquele país têm mais de 20 anos. Hoje, ele importa minérios e exporta tubos de PVC e conexões ao mercado venezuelano. Também intermedeia negócios para facilitar a venda de produtos brasileiros para a Venezuela.
No entanto, seu faturamento não chega ao que era até 2013, quando teve início uma crise econômica por lá que ganhou proporções ainda maiores em 2015, quando o país passou a alvo de sanções aplicadas pelos EUA. Mas Oliveira ainda insiste no mercado e agora está otimista.
Ele e muitos outros empresários brasileiros que pararam ou reduziram suas vendas ao mercado venezuelano, porque deixaram de receber pelos produtos, estão animados com o acordo entre o presidente Nicolás Maduro e opositores, firmado há cerca de um mês, que tem por objetivo garantir eleições livres, justas e transparentes em 2024. Em contrapartida, os EUA já anunciaram a suspensão parcial das sanções.
Foram suspensas, temporariamente, sanções sobre o petróleo, gás e ouro venezuelanos, produtos que levavam divisas à economia do país. Com mais dólares, a expectativa é que os venezuelanos aumentem suas importações, já que o país não produz uma série de produtos e alimentos. Em troca, os americanos pediram o fim das inabilitações de políticos e a libertação dos presos políticos na Venezuela.
Do 9º ao 47º destino de exportações
A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Tatiana Prazeres, ressalta que a Venezuela foi o 9º maior destino das exportações brasileiras em 2014, com US$ 4,57 bilhões em compras. Os principais produtos exportados foram alimentos, como carnes, açúcar e leite, além de construções pré-fabricadas, pneumáticos, máquinas agrícolas e siderúrgicos.
Naquele ano, a Venezuela representou 2,1% das exportações brasileiras. Se mantivesse hoje essa participação, seguiria sendo o 9º destino de vendas do Brasil, à frente de países como Japão, Alemanha, Coreia do Sul e Canadá. No entanto, em 2023, o mercado venezuelano foi o 47º maior destino das exportações brasileiras, com participação de 0,4%.
— A recuperação da renda da Venezuela é fundamental para que o país volte a ser um dos principais destinos das exportações brasileiras, principalmente de alimentos e produtos industrializados — afirma Tatiana.
O presidente da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Venezuela-Brasil, José Francisco Marcondes, diz não ter dúvidas de que os negócios serão retomados. Ele acredita que os principais setores a se beneficiar são os de alimentos, bens de capital e metalurgia.
— A complementariedade entre as economias dos dois países, que permitiu um fluxo de comércio muito forte há alguns anos, é evidente e teremos grandes oportunidades comerciais, nos próximos meses — afirma Marcondes. — Restam, ainda, restrições ao uso do sistema Swift, no âmbito das sanções, que esperamos sejam retiradas em curto prazo.
José Veloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), destaca que as exportações do setor para a Venezuela chegaram a 6% do total, e as vendas tendem a se recuperar. Mas, para ele, o fim das sanções não é o único caminho, pois a economia venezuelana precisa melhorar.
— Nossos principais produtos vendidos para a Venezuela são máquinas para embalagens da indústria de alimentos, agricultura, petróleo, gás, mineração e siderurgia — relata.
Dúvidas permanecem
Luis Fernando Baracho, professor de Relações Internacionais e Direito Internacional na São Judas Tadeu, acredita que existe uma oportunidade, mas destaca que a Venezuela não sofre apenas por causa dos embargos econômicos. Ele lembra que a infraestrutura do país é precária, e a renda per capita, a menor da América do Sul:
No entanto, há dúvidas sobre se Maduro cumprirá o acordo. Até o momento, foram liberados apenas cinco dos cerca de cem presos políticos. Além disso, a pessoa que tem o nome mais forte da oposição para disputar a eleição, Maria Corina Machado, está inelegível.
No entanto, seu faturamento não chega ao que era até 2013, quando teve início uma crise econômica por lá que ganhou proporções ainda maiores em 2015, quando o país passou a alvo de sanções aplicadas pelos EUA. Mas Oliveira ainda insiste no mercado e agora está otimista.
Ele e muitos outros empresários brasileiros que pararam ou reduziram suas vendas ao mercado venezuelano, porque deixaram de receber pelos produtos, estão animados com o acordo entre o presidente Nicolás Maduro e opositores, firmado há cerca de um mês, que tem por objetivo garantir eleições livres, justas e transparentes em 2024. Em contrapartida, os EUA já anunciaram a suspensão parcial das sanções.
Foram suspensas, temporariamente, sanções sobre o petróleo, gás e ouro venezuelanos, produtos que levavam divisas à economia do país. Com mais dólares, a expectativa é que os venezuelanos aumentem suas importações, já que o país não produz uma série de produtos e alimentos. Em troca, os americanos pediram o fim das inabilitações de políticos e a libertação dos presos políticos na Venezuela.
— A liberação das sanções econômicas e as eleições com candidatos legítimos de centro-direita e direita serão saudáveis ao país e ao povo venezuelano. Nós, empresários, precisamos de um ambiente mais seguro economicamente, onde tenhamos bancos locais que estejam integrados ao Swift (sistema financeiro criado por americanos e europeus) — diz Oliveira, alertando que o Brasil não pode perder espaço para outros países, como China, Rússia e Turquia.
Do 9º ao 47º destino de exportações
A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Tatiana Prazeres, ressalta que a Venezuela foi o 9º maior destino das exportações brasileiras em 2014, com US$ 4,57 bilhões em compras. Os principais produtos exportados foram alimentos, como carnes, açúcar e leite, além de construções pré-fabricadas, pneumáticos, máquinas agrícolas e siderúrgicos.
Naquele ano, a Venezuela representou 2,1% das exportações brasileiras. Se mantivesse hoje essa participação, seguiria sendo o 9º destino de vendas do Brasil, à frente de países como Japão, Alemanha, Coreia do Sul e Canadá. No entanto, em 2023, o mercado venezuelano foi o 47º maior destino das exportações brasileiras, com participação de 0,4%.
— A recuperação da renda da Venezuela é fundamental para que o país volte a ser um dos principais destinos das exportações brasileiras, principalmente de alimentos e produtos industrializados — afirma Tatiana.
O presidente da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Venezuela-Brasil, José Francisco Marcondes, diz não ter dúvidas de que os negócios serão retomados. Ele acredita que os principais setores a se beneficiar são os de alimentos, bens de capital e metalurgia.
— A complementariedade entre as economias dos dois países, que permitiu um fluxo de comércio muito forte há alguns anos, é evidente e teremos grandes oportunidades comerciais, nos próximos meses — afirma Marcondes. — Restam, ainda, restrições ao uso do sistema Swift, no âmbito das sanções, que esperamos sejam retiradas em curto prazo.
José Veloso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), destaca que as exportações do setor para a Venezuela chegaram a 6% do total, e as vendas tendem a se recuperar. Mas, para ele, o fim das sanções não é o único caminho, pois a economia venezuelana precisa melhorar.
— Nossos principais produtos vendidos para a Venezuela são máquinas para embalagens da indústria de alimentos, agricultura, petróleo, gás, mineração e siderurgia — relata.
Dúvidas permanecem
Luis Fernando Baracho, professor de Relações Internacionais e Direito Internacional na São Judas Tadeu, acredita que existe uma oportunidade, mas destaca que a Venezuela não sofre apenas por causa dos embargos econômicos. Ele lembra que a infraestrutura do país é precária, e a renda per capita, a menor da América do Sul:
— É possível dizer que o Brasil possui uma oportunidade de ampliar uma presença que já existe no mercado de alimentos, em especial no setor de proteína animal, porém há limites, como a estrutura aduaneira precarizada, a reduzida renda per capita do país e a insegurança sobre o futuro da relativização dos embargos — diz Baracho.
No entanto, há dúvidas sobre se Maduro cumprirá o acordo. Até o momento, foram liberados apenas cinco dos cerca de cem presos políticos. Além disso, a pessoa que tem o nome mais forte da oposição para disputar a eleição, Maria Corina Machado, está inelegível.