VERGONHA NACIONAL: Maternidade de lona de Denarium ganha destaque na Globo
Segundo o Ministério Público, em 2023, o hospital Nossa Senhora de Nazareth registrou 17 mortes a cada mil nascimentos - alta de 70% em relação ao ano anterior.
Em Roraima, única maternidade com UTI para bebês funciona em hospital de campanha feito de lona — Foto: Jornal Nacional/Reprodução
O Jornal da Nacional, da Rede Globo, destacou na edição desta segunda-feira (5) as precarias condições da Maternidade Nossa Senhora de Nazareth que funciona há três anos sob uma estrutura de ferro e lona.
Atualmente, a maternidade Nossa Senhora de Nazareth funciona onde antes era o antigo hospital de campanha para pacientes com Covid. A estrutura das tendas, feita para ser temporária, é chamada pela população local de "maternidade de lona".
A única maternidade com UTI neonatal em Roraima funciona há quase três anos em uma estrutura de metal e lona. A maternidade funciona, há quase três anos, usando a estrutura do hospital de campanha da pandemia de Covid.
A Nossa Senhora de Nazareth é a única maternidade pública estadual em Roraima e hoje é conhecida da população como maternidade de lona. Denúncias de mau atendimento, falta de insumos e altos índices de mortes de bebês são parte da rotina.
Foi lá, em junho de 2023, que o bebê da dona de casa Lídia Vanessa da Silva morreu após nascer prematuro de 32 semanas. Nos relatórios médicos em poder do Ministério Público, a criança precisava de cuidados especiais, como sessões de diálise - que nunca aconteceram. Segundo a mãe, na maternidade não tinha cateter neonatal, um insumo imprescindível para as sessões.
“Como ele era pequeno, o tinha lá era para adulto, para ele tinha que ser um fininho, que eles tinham feito um pedido de uma clínica e estavam esperando chegar, só que nunca chegou”, conta Lídia. No mesmo mês, os bebês gêmeos da dona de casa Janice de Lima de Sousa também morreram na maternidade.
“Insuficiência renal e respiratória. Faltou o diálise para fazer neles, só tinha o de adulto. Pegaram e fizeram com o cateter de adulto, fizeram só com um e no outro não”, relata. Segundo o Ministério Público, em 2023, o hospital registrou 17 mortes a cada mil nascimentos - alta de 70% em relação ao ano anterior. A média nacional é de 12,9 mortes para cada mil nascimentos.
Em junho de 2021, o governo de Roraima fechou o prédio da maternidade para fazer obras de ampliação e reforma, e transferiu os atendimentos para as instalações provisórias. A reforma duraria seis meses, mas as obras atrasaram, e o governo do estado prorrogou seguidamente o contrato do aluguel da maternidade de lona, que hoje custa R$ 1,2 milhão por mês aos cofres públicos.
A maternidade atende ainda a população indígena, refugiados da Venezuela e imigrantes Guiana, além de pacientes graves de hospitais particulares - nenhum deles dispõe de UTI neonatal. O Ministério Público cobra do governo do estado a ampliação do atendimento e a construção de outra maternidade.
Edson Castro, novo secretário secretário de Saúde de Roraima, subistutituto de Cecília Lorenzon, afastada pela Justiça Federal, disse que as reformas da maternidade serão concluídas em março e o novo prédio será entregue à população.
Fonte: Jornal Nacional
Atualmente, a maternidade Nossa Senhora de Nazareth funciona onde antes era o antigo hospital de campanha para pacientes com Covid. A estrutura das tendas, feita para ser temporária, é chamada pela população local de "maternidade de lona".
A única maternidade com UTI neonatal em Roraima funciona há quase três anos em uma estrutura de metal e lona. A maternidade funciona, há quase três anos, usando a estrutura do hospital de campanha da pandemia de Covid.
A Nossa Senhora de Nazareth é a única maternidade pública estadual em Roraima e hoje é conhecida da população como maternidade de lona. Denúncias de mau atendimento, falta de insumos e altos índices de mortes de bebês são parte da rotina.
Foi lá, em junho de 2023, que o bebê da dona de casa Lídia Vanessa da Silva morreu após nascer prematuro de 32 semanas. Nos relatórios médicos em poder do Ministério Público, a criança precisava de cuidados especiais, como sessões de diálise - que nunca aconteceram. Segundo a mãe, na maternidade não tinha cateter neonatal, um insumo imprescindível para as sessões.
“Como ele era pequeno, o tinha lá era para adulto, para ele tinha que ser um fininho, que eles tinham feito um pedido de uma clínica e estavam esperando chegar, só que nunca chegou”, conta Lídia. No mesmo mês, os bebês gêmeos da dona de casa Janice de Lima de Sousa também morreram na maternidade.
“Insuficiência renal e respiratória. Faltou o diálise para fazer neles, só tinha o de adulto. Pegaram e fizeram com o cateter de adulto, fizeram só com um e no outro não”, relata. Segundo o Ministério Público, em 2023, o hospital registrou 17 mortes a cada mil nascimentos - alta de 70% em relação ao ano anterior. A média nacional é de 12,9 mortes para cada mil nascimentos.
Em junho de 2021, o governo de Roraima fechou o prédio da maternidade para fazer obras de ampliação e reforma, e transferiu os atendimentos para as instalações provisórias. A reforma duraria seis meses, mas as obras atrasaram, e o governo do estado prorrogou seguidamente o contrato do aluguel da maternidade de lona, que hoje custa R$ 1,2 milhão por mês aos cofres públicos.
A maternidade atende ainda a população indígena, refugiados da Venezuela e imigrantes Guiana, além de pacientes graves de hospitais particulares - nenhum deles dispõe de UTI neonatal. O Ministério Público cobra do governo do estado a ampliação do atendimento e a construção de outra maternidade.
“Não é possível você dar o melhor tratamento, a melhor atenção com essa demanda tão alta, com essas situações de medicamentos, insumos e a estrutura que os temos ali”, afirma o promotor Igor Naves.
Edson Castro, novo secretário secretário de Saúde de Roraima, subistutituto de Cecília Lorenzon, afastada pela Justiça Federal, disse que as reformas da maternidade serão concluídas em março e o novo prédio será entregue à população.
Fonte: Jornal Nacional