Roraima tem 22% dos focos de queimada de todo o país

São 2.295 pontos registrados no estado apenas este ano

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Foto: Missão Catrimani

Com 2.295 focos de calor, o estado de Roraima ocupa o primeiro lugar no ranking de todo o país, respondendo sozinho por mais de 22% dos focos registrados no país. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de janeiro até a última quinta-feira (22), o país apresentou 7.957 focos de calor. ebc.png?id=1582557&o=node ebc.gif?id=1582557&o=node

Somente em fevereiro, foram registrados pelos satélites do programa de queimadas do Inpe 1.691 focos ativos em Roraima. Desse total, mais de 1.000 foram registrados apenas esta semana. O fogo já atingiu a Terra Indígena Yanomami, destruindo casas e roças.

Os focos de calor são locais com altas temperaturas, passíveis de serem atingidos por incêndios. Atualmente, Roraima tem 8 dos 10 municípios do Brasil com o maior número de focos de calor, segundo o Inpe. A cidade de Mucajaí é a com o maior número de focos, 277; seguida por Caracaraí (264), Amajari (224), Rorainópolis (180), Iracema (114), Boa Vista (107), Alto Alegre (106) e Bonfim (97).

Nos últimos dias, diversos habitantes de Boa Vista relataram o incômodo com a fumaça produzida pelas queimadas. "Cheiro insuportável de fumaça em Boa Vista. Os olhos ardem, dor de cabeça, fica mais difícil respirar", escreveu o professor Amarildo Ferreira Júnior, do Instituto Federal de Roraima (IFRR) e da Universidade Federal de Roraima (UFRR), na rede social X (antigo Twitter). 

O município de Amajari, localizado a cerca de 150 quilômetros da capital e que faz limite com a Terra Indígena Yanomami, também tem sentido os efeitos das queimadas. Entre o território yanomami e a capital estão a Floresta Nacional de Roraima e a Estação Ecológica de Maracá.

O estado passa por um período de forte estiagem, agravado pela influência do fenômeno do El Niño. Três municípios já decretaram situação de emergência: Amajari, Uiramutã e Normandia.

Queimadas controladas

O Corpo de Bombeiros de Roraima aponta a prática local de atear fogo para “limpar” a terra como uma dos fatores que agravam a situação, uma vez que o fogo pode sair de controle. Na quarta-feira, o comandante-geral da corporação, Coronel Anderson Carvalho, visitou o município de Amajari, na região que abrange as localidades de Vila Nova e Vila do Trairão. O objetivo foi orientar os moradores sobre medidas de prevenção e segurança diante dos incêndios florestais na região.

“Hoje, nós temos seis equipes distribuídas em quatro pontos, combatendo os incêndios. Orientamos a população para que não façam queimadas, porque neste momento, com ventos fortes, vegetação seca e altas temperaturas é muito difícil controlar. Então, é melhor evitar”, disse o comandante em uma rede social.

Calamidade ya6.jpg?itok=1JpB3LUw Queimadas em Roraima batem recorde e atingem território yanomami, por Missão Catrimani/Divulgação

A situação fez com que a Assembleia Legislativa enviasse ao governo de Roraima uma indicação para ser decretado estado de calamidade pública e situação de emergência devido ao avanço das queimadas. Segundo o vice-presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Cabral (Cidadania), a iniciativa tem por objetivo buscar apoio das instituições estaduais para mitigar os danos causados pelos incêndios.

“Diante deste cenário alarmante, de seca extrema e estiagem duradoura, Roraima encontra-se em estado de emergência ambiental, sendo, portanto, nas atribuições que compete a este parlamentar, requisitar informações sobre possível plano de fortalecimento ao combate às queimadas e os dados de sua execução inicial, com referência a recursos humanos e materiais já em campo”, disse Cabral.

A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com o governo de Roraima para saber quais medidas para combater os focos de calor estão sendo adotadas, mas até o momento não obteve retorno.

Procurados pela reportagem, o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai afirmaram, em nota, que estão monitorando a situação das queimadas em Roraima e têm feito articulação com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e com outras instituições que atuam por meio do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), junto às brigadas e lideranças indígenas, para tentar conter a disseminação dos incêndios na região.

No dia 6 de fevereiro, o Ministério do Meio Ambiente declarou estado de emergência ambiental para riscos de incêndios florestais em Roraima entre os meses de setembro de 2024 a abril de 2025. O estado já está sob alerta do ministério para incêndios florestais até abril de 2024.

Fonte: Agência Brasil