DIREITOS AMEAÇADOS: Sampaio se solidariza com demitidos da Cerr e cobra solução do governo de Roraima

Mesmo com decisão judicial que suspende demissões, trabalhadores seguem apreensivos e denunciam descaso

Por -Informações: Supcom/Assembleia
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O presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), deputado Soldado Sampaio (Republicanos), manifestou solidariedade aos servidores efetivos da Companhia Energética de Roraima (CERR), demitidos em massa pelo Governo do Estado. Em sessão extraordinária realizada nesta quinta-feira (26), Sampaio recebeu parte do grupo e ofereceu apoio da Casa para garantir os direitos dos trabalhadores.

“O maior patrimônio de Roraima são os seus servidores. Estamos articulando e cobrando que o Governo apresente, com urgência, uma proposta de negociação. Homens e mulheres que dedicaram anos de suas vidas à CERR foram desligados sem qualquer respeito ou consideração”, declarou o parlamentar.

Sampaio lembrou que os direitos desses profissionais estão respaldados em legislações estaduais. Ele é autor da Emenda Constitucional nº 57, que assegura a redistribuição dos empregados celetistas da Companhia para outros órgãos estaduais, em caso de extinção ou federalização da empresa.

Em janeiro deste ano, Sampaio também promulgou a Lei nº 2.206/2025, que alterou a Lei nº 1.666/2022, estabelecendo o prazo até 30 de junho de 2025 para a liquidação da CERR. A legislação determina que, nesse período, os 189 servidores efetivos devem ser redistribuídos para a administração direta ou indireta do Estado. O Executivo chegou a propor apenas 90 dias para o encerramento da empresa, mas emendas parlamentares ampliaram esse prazo para 180 dias, visando proteger os trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Decisão judicial suspende demissões

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Mesmo com garantias legais e a liminar concedida pela Justiça do Trabalho na noite de terça-feira (24), os servidores permanecem apreensivos. A decisão judicial, que suspende as demissões, atendeu a pedido de tutela provisória de urgência feito pelo Sindicato dos Trabalhadores Urbanitários de Roraima.

Além de barrar as demissões, o sindicato solicitou o pagamento dos encargos previdenciários e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou a realocação dos empregados em outros órgãos públicos. Ao deferir a liminar, o juiz reconheceu a existência de um “calote social”, destacando o não recolhimento de valores previdenciários, mesmo com os descontos nos contracheques, e a ausência de depósitos do FGTS, obrigatórios por lei.

Na decisão, o magistrado também apontou possíveis irregularidades contratuais e indícios de improbidade administrativa por parte da gestão da empresa mista, que é vinculada ao Governo do Estado. Foi determinado ainda que o Executivo apresente, no prazo de dez dias, um plano de regularização do FGTS e informe sobre medidas para absorção ou relocação dos servidores na estrutura do serviço público.

Relatos emocionados

O impacto da medida é profundo entre os servidores. Luiz Laranjeira de Macedo, de 75 anos, atuava há mais de 50 anos na CERR e foi surpreendido com a demissão. “Tem gotas do meu suor em cada canto desse estado. Levamos energia e progresso a todos os municípios. E agora, somos surpreendidos com essa decisão. Pelo amor de Deus, já tenho idade, não me coloquem para brigar por meus direitos na fila dos precatórios”, desabafou, emocionado.

A sindicalista Andreia Menezes revelou que os nomes dos demitidos foram afixados na porta da empresa. “Na segunda-feira (23), o governo simplesmente colou uma lista. Quase cem servidores já atuam em outros órgãos, e o restante ainda trabalha na CERR. Não somos inúteis, como foi dito. Vamos lutar pelo nosso emprego, que é um direito”, afirmou.

Sampaio concluiu reforçando que o Legislativo seguirá acompanhando de perto o caso. “A Assembleia Legislativa deve exigir do Executivo uma solução imediata que garanta o respeito à legislação e, sobretudo, à dignidade dos trabalhadores da Companhia Energética de Roraima”, finalizou.