O governo de Donald Trump anunciou nesta segunda-feira, 27, a deportação de “membros da gangue Tren de Aragua, predadores sexuais, agressores violentos e ladrões” oriundos da Venezuela, em um momento em que as tensões entre Washington e Caracas aumentam com a chegada de um navio de guerra nas proximidades de Trinidad e Tobago.
O bando, que tem atuação na logística de drogas para os Estados Unidos e crimes pelas ruas de Nova York, por exemplo, também tem registros em ao menos seis estados brasileiros, um deles é justamente Roraima
De acordo com anúncio feito pelo Departamento de Segurança Interna, ao menos dois integrantes do Tren de Aragua retornarão à Venezuela. São eles: Jefferson Bracho Haddad e Angelo Dennis-Jesus Ainaga-Jaspe. O primeiro, “é membro da gangue com seis prisões, incluindo furto e porte de drogas”. O segundo, “condenado pelo crime de porte de armas”.
Outros cinco criminosos — quatro homens e uma mulher — também serão deportados, mas não têm relação com a facção venezuelana. “Esses monstros, incluindo membros confirmados da gangue Tren de Aragua, predadores sexuais e bandidos violentos, nunca deveriam ter estado em nosso país”, disse a secretária-assistente Tricia McLaughlin. Ainda segundo a pasta, dois milhões de imigrantes ilegais foram deportados dos Estados Unidos desde o começo do segundo mandato de Trump na Casa Branca.
O Tren de Aragua se formou em um presídio de Tocorón, em Aragua, a cerca de 150 quilômetros da capital Caracas, e se expandiu até chegar aos EUA. O grupo criminoso atua no Brasil em parceria com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A atuação da organização criminosa ocorre, até o momento, em Roraima, Amazonas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Entre lavagem de dinheiro, tráfico e prostituição, a organização criminosa tenta permanecer próxima de fronteiras do Brasil com os países de língua espanhola. Eles seguem a rota da migração feita por milhares de venezuelanos atingidos pela crise humanitária diante da ditadura de Nicolas Maduro.
O governo Trump oferece até 12 milhões de dólares por informações que levem aos três principais nomes do Tren de Aragua. A principal liderança da facção venezuelana, segundo do governo dos EUA, é Hector Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, 41 anos, que já está no radar das policiais não apenas venezuelanas, mas também da Colômbia, Equador, Chile, Peru, Brasil e EUA.
Ele foi condenado por homicídios, tráfico e contrabando. “Niño Guerrero está envolvido em atividades criminosas há mais de duas décadas e transformou o Tren de Aragua de uma gangue prisional envolvida em extorsão e suborno em uma organização com crescente influência em todo o Hemisfério Ocidental”, cita o Departamento do Tesouro dos EUA, que oferece 5 milhões de dólares (27 milhões de reais na cotação atual) por informações sobre Guerrero.