Como os Estados Unidos estão cercando a Venezuela em operação que ameaça Nicolás Maduro

Governo Trump movimentou navios, aeronaves e tropas para o Caribe, sob a justificativa de combater o narcotráfico. Os EUA reforçaram a presença em bases militares da região, o que amplia opções de ação.

08/11/2025 11h47 - Atualizado há 1 mês

Como os Estados Unidos estão cercando a Venezuela em operação que ameaça Nicolás Maduro
O USSGerard Ford é o maior porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos. Foto: AFP

A ameaça dos Estados Unidos à Venezuela tem aumentado gradativamente desde que o governo de Donald Trump anunciou uma operação militar contra o que chama de "narcoterrorismo" no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, em agosto. Autoridades dos EUA ouvidas pela imprensa afirmam que o objetivo seria tirar Nicolás Maduro do poder. Entre as ações mais recentes está o envio do maior porta-aviões do mundo para a região do Caribe.

▶️ Contexto: Em pouco mais de um mês, os EUA atacaram 18 embarcações no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, em ações que deixaram 70 mortos. Segundo o comando americano, os barcos pertenciam a organizações narcoterroristas.

  • A operação começou pouco depois dos EUA dobrarem para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro.
  • O venezuelano é acusado pelo governo americano de liderar o Cartel de los Soles, grupo classificado recentemente como organização terrorista internacional.
  • Neste contexto, os EUA podem considerar Maduro um alvo legítimo ao anunciar ataques militares contra cartéis.
  • O jornal "The New York Times" afirma que Trump já tem uma série de opções militares na mesa, incluindo ataques a autoridades venezuelanas e medidas para assumir o controle do petróleo do país.
  • Já a revista "The Atlantic" afirma que Maduro estaria disposto a negociar a saída do poder, desde que recebesse anistia e garantias de segurança para viver no exílio. A Rússia diz estar pronta para ajudar Venezuela na escalada contra os EUA.

O presidente Donald Trump vem justificando as ofensivas dizendo que cada embarcação bombardeada representa 25 mil vidas americanas salvas. Ele também admitiu que pretende realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas, sem especificar quais países seriam alvo.

"Bem, não acho que vamos necessariamente pedir uma declaração de guerra. Acho que vamos apenas matar as pessoas que estão trazendo drogas para o nosso país. Certo? Vamos matá-las."

🔴 No fim de agosto, os EUA enviaram vários navios de guerra ao Mar do Caribe, além de um submarino nuclear. Depois, caças foram deslocados para a ilha de Porto Rico, território norte-americano na região.

Há duas semanas, bombardeiros americanos foram identificados sobrevoando a Região de Informação de Voo da Venezuela — uma área muito próxima do território venezuelano.

Helicópteros militares da unidade de elite “Night Stalkers” também foram avistados na região. Em 2011, o grupo teve papel importante na ação que matou o terrorista Osama Bin Laden.

Junto a esse cerco, estão bases militares que os EUA mantêm na região, além de estruturas de segurança cooperativa instaladas em aeroportos de países parceiros — dois deles ficam a menos de 100 km da costa venezuelana.

Navios de guerra e porta-aviões gigante

No dia 24 de outubro, o governo Trump anunciou o envio do USS Gerald Ford ao Mar do Caribe. Considerado o maior porta-aviões do mundo, ele partiu acompanhado de seu grupo de ataque, formado por três destróieres, esquadrões de caças F-18 e helicópteros. O porta-aviões tem capacidade para abrigar até 90 aeronaves, entre caças e helicópteros.

A embarcação também conta com uma pista de pouso e decolagem que tem área três vezes maior que o gramado do Maracanã. A última atualização disponível, em 4 de novembro, indicava que o porta-aviões estava saindo do Mar Mediterrâneo e entrando no Oceano Atlântico.

Em comunicado, o Pentágono afirmou que a missão do grupo de ataque na região é “ampliar e fortalecer as capacidades existentes para interromper o tráfico de drogas”, além de degradar e desmantelar cartéis latino-americanos.

Ainda em agosto, os EUA já haviam determinado o envio de sete navios de guerra, além de um submarino nuclear. A frota inclui:

  • Três destróieres: navios de guerra menores que cruzadores, mas mais velozes e ágeis. Podem ser equipados com mísseis. Foram enviados o USS Gravely, o USS Jason Dunham e o USS Sampson.
  • Dois navios-doca: usados para transportar fuzileiros navais, veículos e equipamentos, além de apoiar operações anfíbias. Participam da missão o USS San Antonio e o USS Fort Lauderdale.
  • Um cruzador de mísseis: projetado para defesa aérea e antimíssil, com sistema de combate avançado. O modelo enviado é o USS Lake Erie.
  • Um navio de assalto anfíbio: equipado para operar aeronaves de decolagem curta e pouso vertical e realizar desembarques com tropas e veículos. No grupo, está o USS Iwo Jima.
  • Um submarino nuclear: capaz de atacar navios e submarinos inimigos, além de realizar ataques de precisão em terra, com torpedos e mísseis. Integra a frota o USS Newport News.

 

 

 


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