ESCALADA DA TENSÃO: Trump autoriza operações da CIA na Venezuela e prepara ‘novas medidas’ contra Maduro
De acordo com o The New York Times, o presidente americano aprovou a realização de operações secretas da CIA na Venezuela, mas não se decidiu sobre operação militar
Donald Trump participa de uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington Foto: Brendan Smialowski/AFP
Com o maior porta-aviões dos EUA agora posicionado no Caribe, o presidente americano Donald Trump aprovou medidas adicionais para pressionar a Venezuela e preparar-se para a possibilidade de uma campanha militar mais ampla, de acordo com várias pessoas informadas sobre o assunto que conversaram com o jornal americano The New York Times.
O republicano deu o aval para que a CIA realizasse operações secretas dentro da Venezuela. Essas medidas podem preparar o campo de batalha para ações futuras, segundo as fontes mencionadas pelo jornal americano.
Ao mesmo tempo que planeja uma campanha militar mais ampla, Trump autorizou uma nova rodada de negociações por canais indiretos com Caracas. O ditador Nicolás Maduro teria oferecido a sua saída do poder depois de dois anos de transição, mas a Casa Branca rejeitou a oferta.
Não está claro quais poderiam ser as operações secretas da CIA e quando elas poderiam ser realizadas. Trump ainda não autorizou combates terrestres dentro da Venezuela, então os planos da CIA podem envolver medidas de sabotagem ou operações cibernéticas, psicológicas ou de informação.
Qualquer ação por parte da CIA deve ocorrer antes de possíveis ataques militares. Os membros do governo Trump prepararam listas de possíveis instalações de drogas que poderiam ser atacadas. Washington também poderia bombardear unidades militares próximas a Maduro.
Conversas informais
Apesar dos planos, o próprio Trump indicou que ainda está disposto a dialogar com o regime venezuelano. Durante as conversas informais, Maduro disse que poderia oferecer acesso à riqueza petrolífera de seu país para empresas de energia americanas.
Oficiais venezuelanos disseram aos americanos que Maduro poderia estar disposto a renunciar, depois de uma transição de dois a três anos, de acordo com as pessoas informadas sobre o assunto. Mas a Casa Branca quer a saída do ditador imediatamente.
Membros do governo Trump que conversaram com o New York Times apontam que não está claro qual caminho o presidente americano irá seguir. O republicano poderia concordar com um acordo para obter mais acesso aos recursos petrolíferos da Venezuela para as empresas americanas ou pressionar para uma resolução que permita a saída imediata de Maduro ao poder. Trump também pode ordenar a saída de Maduro à força.
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Mesmo com o desfecho incerto, a Casa Branca adotou uma estratégia de aumentar a pressão sobre Maduro, ao mesmo tempo em que ressalta a Trump as opções sobre como ele pode querer levar a campanha contra a Venezuela à uma conclusão.
Forças americanas no Caribe
Chamada de “Operação Lança do Sul”, o grande aumento das forças navais americanas no Caribe é o maior desde a Crise dos Mísseis Cubanos e o bloqueio de Cuba em 1962. O porta-aviões Gerald R. Ford chegou ao Caribe durante o fim de semana, e agora há 15 mil tropas na região, incluindo fuzileiros navais em navios anfíbios e soldados em bases militares em Porto Rico.
Além do contingente militar, os EUA bombardearam 21 barcos que, segundo o governo Trump, estavam contrabandeando drogas. Pelo menos 83 pessoas morreram. Mas a pressão militar é apenas o aspecto mais óbvio de uma campanha de pressão multifacetada.
O Departamento de Estado anunciou que, a partir de 24 de novembro, designará o Cartel de los Soles como uma organização terrorista. Embora o Cartel de los Soles não seja um cartel no sentido tradicional, é uma maneira do governo Trump rotular um amplo setor do regime chavista como uma organização terrorista, potencialmente pavimentando o caminho para ação militar, mas também pressionando o governo.
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As declarações públicas de Trump nos últimos dias refletiram a incerteza sobre o desfecho, mesmo enquanto ele aumenta a pressão. Trump disse na segunda-feira, 17, que não descartou a possibilidade de forças terrestres entrarem na Venezuela, mas manteve a porta aberta para um diálogo com Maduro.
“Eu não descarto nada”, disse Trump. “Nós apenas temos que cuidar da Venezuela.