Desde o início da escalada militar dos Estados Unidos no Caribe, o governo Trump multiplicou as fotos e vídeos divulgados de exercícios militares na região com o objetivo de pressionar o governo venezuelano de Nicolás Maduro.
Um levantamento feito pelo g1 com base no banco de imagens do Departamento de Defesa dos EUA mostrou que o governo Trump mais que quadruplicou a divulgação de fotos e vídeos de manobras militares no mar do Caribe entre o início de agosto — quando Trump autorizou ação militar contra cartéis de drogas latino-americanos— e o final de novembro, na comparação com os primeiros sete meses de 2025.
Entre as imagens divulgadas, estão:
Apesar de temores de um ataque direto dos EUA em território venezuelano, neste momento em que a escalada militar permanece no plano das tensões, esse tipo de demonstração compõe, segundo especialistas, um elemento importante do embate entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da Venezuela, Nicolás Maduro: o jogo psicológico.
A divulgação de imagens desses exercícios militares "é notória e não deve passar despercebida", afirmou ao g1 o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin. Isso porque esses exercícios já são uma demonstração de força e podem causar efeitos políticos. O contexto da publicação dessas fotos e vídeos, em que Donald Trump ameaça realizar ações militares diretas contra a Venezuela, também deve ser levado em consideração, segundo o professor.
Em uma escalada sem precedentes contra o regime Maduro, Trump organizou uma presença militar massiva no mar do Caribe para cercar o governo venezuelano. Entre os aparatos mobilizados estão o grupo de ataque USS Gerald Ford do maior porta-aviões do mundo, navios de guerra —destróieres e anfíbios—, ao menos um submarino nuclear, jatos de combate F-35, helicópteros de operações especiais e aviões bombardeiros.
Fuzileiros navais atiram durante exercício no Mar do Caribe — Foto: Comando Sul dos EUA
A bordo dessas embarcações no Caribe estão cerca de 13 mil soldados, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), think thank dos EUA especializada em guerra. Somada a outros elementos como geografia e vegetação, essa quantidade de tropas não permite uma invasão terrestre na Venezuela.
No entanto, operações militares especiais na Venezuela são possíveis e prováveis caso Trump decida agir por terra, e nesse contexto poderiam ocorrer bombardeios ou incursões terrestres pontuais no território venezuelano, segundo Brustolin.
sso porque, nas operações especiais, táticas mais dinâmicas e furtivas são empregadas e com uma quantidade mais enxuta de soldados, segundo Brustolin. Além disso, explicou o professor, o aparato militar mobilizado no Caribe permitiria o emprego, na Venezuela, de uma logística complexa que atende a esse tipo de investida.
Dada essa capacidade, algumas das imagens compartilhadas pelo governo Trump indicam que essas situações estão sendo treinadas. Isso é comum, segundo Brustolin, porque missões cirúrgicas e furtivas, de infiltração marítima discreta e rasante, de desembarque rápido, tudo coordenado em baixa assinatura, fazem parte do portfólio de treinamentos militares dos EUA e são treinados constantemente.