'Tábua de salvação': Entenda como negócios da JBS na Venezuela criaram relação próxima entre Joesley Batista e Maduro

Empresa brasileira vendeu grandes volumes de alimentos para Caracas durante período de escassez de alimentos no país, especialmente em 2015 e 2016

05/12/2025 09h14 - Atualizado há 3 meses

'Tábua de salvação': Entenda como negócios da JBS na Venezuela criaram relação próxima entre Joesley Batista
Agência Bloomberg revela viagem de Joesley Batista à Venezuela para pressionar Nicolás Maduro.

A relação entre o governo venezuelano e a empresa brasileira JBS, de Joesley Batista, que esteve em Caracas e se encontrou diretamente com o presidente Nicolás Maduro, data de mais de uma década. A companhia vendeu grandes volumes de alimentos para Caracas durante o período de escassez de alimentos no país, especialmente em 2015 e 2016. Estima-se que a JBS tenha vendido US$ 1,2 bilhão, num acordo especial com o governo.

Na época, o preço do petróleo despencou de US$ 100 para US$ 40 e os dólares usados pelo governo venezuelano para importar bens de consumo secaram. Foi nesse contexto que a JBS fechou negócios com o governo de Nicolás Maduro. A empresa foi descrita como uma "tábua de salvação" para o governo venezuelano na época da crise de abastecimento.

Naquele período, a Venezuela enfrentou escassez de alimentos e produtos básicos. Em 2017, durante as investigações da operação "Carne Fraca" no Brasil, um deputado venezuelano alegou que a Venezuela pagou cerca de US$ 2,1 bilhões a empresas brasileiras, incluindo a JBS, por carnes. O programa de alimentos subsidiados do governo venezuelano, conhecido como CLAP, também foi alvo de acusações de corrupção, inclusive por parte do Departamento do Tesouro dos EUA.

Agora, além de alimentos, o grupo J&F, que controla a JBS, busca outros segmentos para transações com a Venezuela. A Fluxus, subsidiária de óleo e gás do grupo, prospecta negócios na área de petróleo no país vizinho. Já a Âmbar Energia, subsidiária da J&F no setor energético, tem autorização desde 2023 do Ministério das Minas e Energia para importar energia elétrica da usina de Guri para Roraima, substituindo a energia termelétrica por energia hidrelétrica. As operações ainda não foram iniciadas devido a questões técnicas, como testes na linha de transmissão.

Joesley Batista também tem bom trânsito junto ao presidente Donald Trump. Em setembro passado, ele encontrou-se com o mandatário americano, na condição de empresário e acionista da J&F, para discutir a taxação de 50% pela Casa Branca à carne brasileira exportada para os Estados Unidos, onde a multinacional brasileira tem negócios.

Metade da receita global da empresa controlada pela família Batista vem dos EUA. A empresa começou a negociar suas ações na Bolsa de Nova York recentemente e vai investir US$ 835 milhões (quase R$ 4,5 bilhões) este ano por lá em fábricas de linguiça e bacon.

Além disso, a Pilgrim's, grande produtora de carne de frango americana que foi comprada dos americanos pela JBS, foi uma das principais doadoras da campanha de Trump, desembolsando US$ 5 milhões (R$ 26,8 milhões).

Todo esse peso da empresa brasileira nos EUA, credenciou Joesley para o encontro com Maduro, num momento delicado das relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos por causa da sobretaxa a produtos brasileiros que entram no mercado americano.


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