Sindicatos da Venezuela denunciam detenções e desaparecimentos

Organizações acusam Caracas de perseguição política contra líderes e membros, incluindo o secretário-geral da maior central do país

13/12/2025 08h16 - Atualizado há 2 meses

Representantes de 33 sindicatos da Venezuela formalizaram nesta sexta-feira, 12, uma denúncia sobre o que classificam como “detenção ilegal” e “desaparecimento forçado” de, pelo menos, 160 trabalhadores e 20 dirigentes sindicais nos últimos anos. Para buscar a proteção dos direitos laborais, as entidades anunciaram que recorrerão à Organização Internacional do Trabalho (OIT). A lista dos atingidos inclui o secretário-geral da maior central operária do país, José Elías Torres.

Defensores dos direitos humanos presentes no país vizinho alertam que o padrão de detenções “arbitrárias” permanece em curso. De acordo com dados da ONG Foro Penala Venezuela possui 889 “presos políticos”. Uma missão de especialistas das Nações Unidas (ONU) alertou em setembro que a perseguição motivada por questões políticas se intensificou no país nos meses antecedentes.

O caso José Elías Torres e a ofensiva judicial

José Elías Torres, que é líder da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV), foi detido em 29 de novembro. A detenção ocorreu em sua residência em Caracas, executada pela Polícia Nacional Bolivariana (PNB). Desde o dia da operação, o paradeiro do sindicalista é desconhecido, conforme relatos dos seus colegas de movimento.

Segundo o dirigente sindical Pedro Eusse “o encarceramento de José Elías Torres não é um fato isolado, é parte de uma ofensiva que mantém dirigentes sindicais e trabalhadores atrás das grades sob processos judiciais”. O objetivo dessa perseguição é “desarticular o movimento sindical, semear medo e quebrar a organização democrática dos trabalhadores”.

As 33 organizações signatárias da denúncia se uniram em um compromisso. Elas afirmam que lutarão “pela defesa da autonomia sindical e pela liberdade plena para todos os presos do movimento sindical”. Em resposta aos atos relatados, os sindicatos convocaram um protesto de nível nacional a ser realizado em 15 de janeiro.

Apelo internacional e histórico com a OIT

A decisão de recorrer à Organização Internacional do Trabalho busca alívio contra as ações do governo. A OIT já havia emitido um documento anterior sobre o tema. Em 2019, a organização publicou um relatório que tratava da violação de convenções internacionais ratificadas pela Venezuela. Uma dessas convenções citadas no relatório estava ligada especificamente às restrições à liberdade sindical.

 


Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://peronico.com.br/.