A prisão de jornalistas na Venezuela voltou a expor, de forma crua, o estado real da liberdade de imprensa no país. Nos últimos dias, 14 jornalistas foram presos, logo após a prisão de Nicolás Maduro.
O dado mais alarmante: 11 desses profissionais trabalham para órgãos de imprensa estrangeiros. O motivo das detenções não foi outro senão o exercício da profissão — foram presos pelo que noticiaram.
Essas prisões não são um fato isolado. Antes delas, outros 23 jornalistas já se encontravam encarcerados, o que evidencia um padrão: informar tornou-se um ato de risco. Hoje, segundo organizações e entidades de direitos humanos, a Venezuela soma 861 presos políticos, um número que escancara a criminalização da dissidência e da palavra livre.
O Sindicato Nacional dos Jornalistas da Venezuela (SNTP) tem denunciado de forma reiterada a inexistência de liberdade de imprensa no país. A regra é clara e silenciosa: apenas os veículos de comunicação oficiais, alinhados ao governo, conseguem operar sem censura, perseguição ou represálias. Todo o resto vive sob vigilância, ameaças, prisões arbitrárias e fechamento forçado.
É verdade que, dos 14 jornalistas presos recentemente, a maioria já foi solta. Mas a libertação parcial não apaga o recado deixado pelo Estado: ninguém está seguro ao informar. A prisão, ainda que breve, funciona como instrumento de intimidação — um aviso a todos os outros profissionais que ousarem relatar fatos inconvenientes ao poder.
Quando jornalistas são presos por suas reportagens, não é apenas a imprensa que perde. Perde a sociedade, privada do direito básico de saber o que acontece. Perde a democracia, substituída pelo medo. E perde a verdade, sufocada pela censura.
A situação na Venezuela mostra que liberdade de imprensa não se perde de uma vez — ela é corroída, prisão após prisão, silêncio após silêncio. E quando informar vira crime, o autoritarismo já não precisa mais se esconder.