Fluxo de migrantes venezuelanos na fronteira com Roraima cai pela metade em 2026

Monitoramento da Operação Acolhida mostra que há uma tendência de queda na entrada de migrantes nos últimos dois anos. Ministro Wellington Dias esteve em Boa Vista, nesta quarta-feira (14.01) e verificou cenário de normalidade nos abrigamentos

15/01/2026 15h50 - Atualizado há 1 mês

Fluxo de migrantes venezuelanos na fronteira com Roraima cai pela metade em 2026
A entrada de venezuelanos em Roraima caiu pela metade depois da deportação de Nicplás Maduro.

O fluxo de migrantes e refugiados venezuelanos na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, em Roraima, diminuiu nos primeiros 13 dias de 2026. Em comparação ao mesmo período dos anos anteriores, a queda foi superior a 50%, como aponta o monitoramento da Operação Acolhida.

Em 2026, foram registradas 1.014 entradas de cidadãos do país vizinho por Pacaraima, enquanto em 2025 foram 2.121 pessoas cruzando a fronteira pela cidade. Em 2024, o número ficou em 2.161.

Os dados foram apresentados ao ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, nesta quarta-feira (14.01), em Boa Vista. Wellington Dias visitou o Posto de Triagem (PTRIG) e os abrigos Rondon 1 e Tuaronoko, onde se reuniu com os parceiros da Operação Acolhida.

“Estamos acompanhando, desde o início dos momentos de tensão dos Estados Unidos com a Venezuela, e o cenário é de normalidade, tanto no fluxo migratório da Venezuela para o Brasil, como do Brasil para a Venezuela”, avaliou o ministro.

O coordenador de operações da estratégia, general Santos, também classificou o atual cenário migratório como de normalidade. “O fluxo é até menor do que o de 2025 no mesmo período. Nós monitoramos diariamente o fluxo migratório. Na terça-feira, por exemplo, entraram 203 migrantes, abaixo do que vinha ocorrendo em novembro”, disse.

Desde o fim do ano passado, com o deslocamento de frotas dos Estados Unidos pelo Mar do Caribe em direção à costa venezuelana, a tensão entre os dois países vem crescendo e atingiu seu ápice com o bombardeio da capital Caracas, em 3 de janeiro.

Diante do cenário, um planejamento estratégico foi montado pela Operação Acolhida, mas que não precisou ser posto em prática. “Total tranquilidade, sem nenhuma necessidade de acionar nosso plano”, prosseguiu o general Santos.

“Se precisar acionar o plano de contingência, ele está pronto e a gente realiza todos os serviços normalmente. Lembrando que a Operação Acolhida chegou a ter 12 mil abrigados e hoje são 5 mil abrigados em Pacaraima e Boa Vista”, analisou o militar.

Na capital de Roraima, há cerca de 30% de vagas disponíveis nos três abrigos indígenas. Índice que chega a quase 38% nos abrigos para não-indígenas de Boa Vista e a 65% no de Pacaraima.

“Esse plano estratégico, feito a partir da experiência da Operação Acolhida, em qualquer situação pode ser ativado rapidamente. Isso vale para todas as áreas: saúde; abrigamento; proteção social básica e especial, integrando vários ministérios, o estado e municípios”, explicou o ministro.

Os abrigos federais e as estruturas de recepção e regularização documental estão preparados para atender aumentos de demandas sazonais de fluxos que já são esperados e previstos ano a ano. Além disso, a Operação conta com protocolos de atuação específicos em caso de emergências de aumento relevante e súbito na entrada de migrantes e refugiados.

Dados da Polícia Federal apontam que entre 2018 e dezembro de 2025, 1.4 milhão de venezuelanos migraram para o Brasil, sendo que mais de 654 mil saíram do país e cerca de 743 mil permaneceram no território brasileiro.

Ao acompanhar o trabalho das entidades da sociedade civil, dos profissionais do Sistema Único de Assistência Social, das agências internacionais, do Exército, do estado e município, o titular do MDS agradeceu a parceria e ressaltou a importância da defesa dos direitos das pessoas migrantes ou refugiadas.

 


FONTE: Governo Federal
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