BASTIDORES: Em defesa da Polícia Militar de Roraima

Por Rui Figueiredo (Jornalista e Advogado)
22/01/2026 15h09 - Atualizado há 1 mês

BASTIDORES: Em defesa da Polícia Militar de Roraima
A major Adriane Severo está sendo perseguida pelo comando geral da PM por opinar sob a corporação.

A recente atitude da major Adriane Severo, da Polícia Militar de Roraima, merece elogios e reconhecimento pelo seu papel de dar voz à maioria silenciosa da tropa. Em um cenário em que a segurança pública enfrenta grave crise, com o aumento da violência e falta de recursos adequados para enfrentar a criminalidade, a major não hesitou em utilizar suas redes sociais para expor a desvalorização salarial e a invisibilidade em que se encontram os policiais militares.

Ao destacar que a tropa tem sido lembrada apenas em ações de caráter midiático e não nas discussões centrais sobre segurança e orçamento público, ela rompe com o silêncio que há anos sufoca os profissionais que diariamente arriscam suas vidas pela população. Sua postura reflete o sentimento de muitos PMs que percebem que políticas públicas superficiais não resolvem a raiz dos problemas enfrentados nas ruas e quartéis.

A coragem da major Severo, entretanto, encontrou resistência dentro da própria corporação. O comandante-geral da PMRR anunciou abertura de apuração interna sob a justificativa de que sua manifestação violaria normas da legislação militar. Tal reação institucional, em vez de promover um diálogo franco sobre as condições de trabalho da tropa, parece priorizar a manutenção de uma imagem corporativa sobre a defesa dos interesses reais dos policiais.

Enquanto isso, a população continua a observar, em pesquisas e nas manchetes sobre violência, que Roraima enfrenta índices alarmantes que não são mitigados por campanhas digitais ou apresentações pontuais de operações.

É justamente por isso que a fala de Adriane Severo deve ser valorizada: ela transcende o relato individual e toca no cerne de uma problemática que afeta a segurança cidadã. Em vez de apenas cumprir ordens ou reproduzir narrativas governamentais, ela expôs uma realidade que muitos operadores de segurança vivem diariamente — a de uma remuneração que não acompanha a inflação e de uma gestão que, em muitos momentos, parece mais preocupada com aparências do que com resultados efetivos.

Em tempos de caos social e criminal, são atitudes como a dela que podem desencadear reflexões profundas e, esperançosamente, mudanças estruturais necessárias ao fortalecimento da segurança pública estadual.

Por isso, mais do que uma crítica isolada, a manifestação da major deve ser vista como um ato de lealdade à tropa e à sociedade que espera serviços de segurança públicos dignos e eficazes. Ao expor a questão salarial e a falta de reconhecimento, Adriane Severo representou, com integridade, o clamor de muitos policiais que desejam apenas condições justas de trabalho para cumprir sua missão constitucional.

É um exemplo de liderança que vai além do cumprimento de ordens: trata-se de compromisso com a verdade, com a justiça e com a valorização da segurança pública em Roraima.

 


Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://peronico.com.br/.