Credores se preparam para negociar US$ 60 bi em dívidas que Venezuela não paga desde 2017

Grupo de detentores de títulos soberanos do país e da estatal PDVSA escolhem banco de investimentos para renegociar pagamentos após anos de calote na era Maduro

11/02/2026 09h04 - Atualizado há 3 semanas

Credores se preparam para negociar US$ 60 bi em dívidas que Venezuela não paga desde 2017
Delcy Rodrigues, presidente interina da Venezuela vai renegociar dívida do país com credores.

Um grupo de investidores internacionais que detém títulos venezuelanos escolheu Houlihan Lokey como seu consultor financeiro, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, trata-se de um passo fundamental em sua preparação para uma reestruturação maciça da dívida do país após a queda de Nicolás Maduro.

O Comitê de Credores da Venezuela escolheu o banco de investimentos americano após um processo seletivo que durou semanas, disseram as pessoas, acrescentando que as partes ainda não assinaram um contrato. A informação foi divulgada inicialmente pela Reuters.

Os representantes da Houlihan Lokey e do comitê não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Bloomberg.

A decisão sinaliza que credores estão se preparando para iniciar negociações com autoridades venezuelanas sobre cerca de US$ 60 bilhões em títulos do governo e da estatal petrolífera PDVSA que estão em calote desde o fim de 2017. Esse valor sobe para uma estimativa de US$ 100 bilhões quando se incluem os juros em atraso.

Os investidores viram uma oportunidade após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos EUA. A presidente interina Delcy Rodriguez, que tem trabalhado em estreita colaboração com o governo Trump, afirmou estar aberta ao capital estrangeiro, particularmente no setor petrolífero.

O comitê detentor de títulos , um grupo que inclui a Fidelity Management & Research Company LLC, a Morgan Stanley Investment Management e a Greylock Capital Management, afirmou no mês passado que está pronto para iniciar negociações de reestruturação da dívida, assim que receber autorização.

Sanções dificultam

As sanções dos EUA para bloquear negócios da Venezuela, no entanto, proíbem os investidores de se envolverem com autoridades venezuelanas, o que significa que o comitê precisará de uma licença antes que as negociações possam começar. Outros obstáculos incluem possíveis contestações judiciais decorrentes da falta de reconhecimento da autoridade de Rodriguez por parte de Washington.

Ainda assim, a captura de Maduro e os indícios de uma reaproximação diplomática com os EUA impulsionaram o mercado da dívida venezuelana. Os títulos soberanos estão sendo negociados perto de seus níveis mais altos desde 2017, com os títulos com vencimento em 2027 sendo negociados a cerca de 44 centavos de dólar. Os preços atuais são “justos”, segundo a UBS Global Wealth Management, e estão em linha com os valores estimados de recuperação.


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