O que uma liderança Yanomâmi de Roraima foi fazer no julgamento de Cláudio Castro no TSE

O xamã e escritor Davi Kopenawa quer pressionar o tribunal a marcar a data para decidir sobre a cassação do mandato do governador de Roraima

Por Expedito Perônnico
3 Min

O que uma liderança Yanomâmi de Roraima foi fazer no julgamento de Cláudio Castro no TSE
Davi Kopenawa, presidente da Hutukara Associação Yanomami — Foto: Divulgação

Uma das principais lideranças indígenas do Brasil, o xamã e escritor Yanomami Davi Kopenawa esteve no plenário do TSE nesta terça-feira (24) para assistir à sessão que resultou na inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janewiro, Claudio Castroi, mas com outro objetivo: pressionar o tribunal a retomar o julgamento que pode cassar o mandato do governador de Roraima, Antonio Denarium (PP).

Para Copenawa, o governo de Denarium fechou os olhos para irregularidades do garimpo no estado.

Na semana passada, a coligação da candidata Teresa Surita (MDB), pediu à presidente da Corte, Cármen Lúcia, que a ação seja incluída na pauta do plenário, apontando que já se esgotaram todos os prazos regimentais e legais para vistas ou outras diligências, "não havendo qualquer óbice para a sua imediata conclusão".

Kopenawa enviou uma carta à presidenta do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, pedindo a retomada do julgamento que pode cassar o mandato do governador de Roraima, Antonio Denarium (PP). O yanomami entregou o documento nesta terça-feira, 24 de março de 2026, na sede do TSE.

Na mensagem, datada de 18 de março, Kopenawa cobra a inclusão imediata do processo contra Denarium na pauta. Ele sustenta que a demora acarreta agravamento da crise humanitária na Terra Yanomami e questiona por que um caso já pronto para julgamento há dois anos não avança.

O líder relaciona a permanência de Denarium ao aumento do garimpo ilegal na região e ao impacto sobre as condições de vida dos povos indígenas. Alega que a atividade traz doença, morte, droga e violência, e que continua avançando mesmo após a crise reconhecida em 2023. A carta cita mortes por malária, desnutrição e contaminação por mercúrio.

A carta de Kopenawa também repercute as consequências da crise humanitária que atinge a Terra Yanomami desde 2023, marcada pela emergência em saúde pública aprovada pelo governo federal. O texto descreve devastação ambiental, violência e dificuldades de acesso a serviços básicos para comunidades isoladas.

Até o momento, os processos contra Denarium chegaram ao TSE em 2024 e tiveram início de julgamento em agosto de 2024, sob a relatoria de Isabel Gallotti. Em agosto de 2025, Gallotti votou pela cassação da chapa. A partir de então, a apreciação foi suspensa por pedidos de vista.


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