Senadora denuncia violência contra agentes de saúde indígena em Roraima e cobra segurança
Damares Alves (Republicanos-DF) cita "realidade tenebrosa" e cobra plano de proteção após assassinato de trabalhador na Terra Yanomami.
Foto: Marcelo Seabra/Agência Pará
A presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Damares Alves (Republicanos-DF), afirmou nesta quinta-feira (6) que os profissionais de saúde que atuam em terras indígenas enfrentam uma "realidade tenebrosa" de violência e abandono.
Em audiência pública realizada para debater as condições de trabalho da categoria, a parlamentar cobrou do governo um plano de segurança para as equipes que atuam nas aldeias.
A mobilização no Congresso foi motivada pelo assassinato recente do agente de saúde Geovane Yanomami, em Roraima. Ele foi morto a tiros no interior do território indígena, em Roraima, uma semana após lideranças sindicais alertarem o Senado sobre os riscos na região.
Os sindicatos do Brasil inteiro começaram a revelar a falta de segurança, especialmente em área. Esses profissionais não são vítimas apenas da violência. A gente tem que lembrar que nessas áreas hoje nós temos tráfico de drogas e garimpo, que às vezes é agressivo com o próprio funcionário", afirmou a senadora.
Além da pressão exercida por facções criminosas e garimpeiros ilegais, os servidores da Sesai (Secretaria de Saúde Indígena) lidam com um isolamento geográfico severo.
Segundo os relatos levados à comissão, as equipes chegam a passar 30 dias ininterruptos em campo sem acesso a internet, sinal de telefone ou qualquer forma de comunicação com o mundo exterior.
Nesse cenário de incomunicabilidade, tornam-se alvos fáceis e perdem a capacidade de acionar forças policiais em casos de emergência ou invasão das bases sanitárias.
A estrutura precária também os expõe a contaminações por malária e a ataques de animais silvestres, sem perspectiva de resgate rápido.
Damares destacou que a crise de insegurança atinge diretamente os próprios povos originários, que compõem grande parte do quadro de trabalhadores na ponta do sistema.
O Estado costuma recrutar moradores locais, como o próprio Geovane Yanomami, para atuar como agentes de saúde e superar a barreira da língua durante os atendimentos médicos.
"Esse profissional precisa ser valorizado e precisamos entender como está a situação de segurança. Hoje a gente vai estudar especificamente o direito e a segurança desse trabalhador em campo", concluiu a parlamentar.