Exército inutiliza duas pistas clandestinas e intensifica pressão sobre a logística do garimpo na Terra Yanomami em Roraima

Por Exército Brasileiro
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Ação do 18º RC Mec com apoio do 6º BEC, no âmbito da Operação Catrimani II, mira a infraestrutura aérea que sustenta áreas de garimpo ilegal em Roraima; dados do Censipam divulgados pela Funai em 2026 apontam redução de 99% no surgimento de novas áreas desde 2024

Entre 15 e 17 de setembro, o 18º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em ação integrada com o 6º Batalhão de Engenharia de Construção, inutilizou duas pistas de pouso na Terra Indígena Yanomami em Roraima, no contexto da Operação Catrimani II. A intervenção também atingiu materiais e estruturas empregadas na extração ilegal de minério.

Segundo informações divulgadas no âmbito das operações federais na região, a destruição de pistas clandestinas busca cortar o principal elo logístico do garimpo em áreas remotas, por onde entram combustível, equipamentos e trabalhadores, e por onde o minério sai.

Relatórios oficiais publicados em 2026 descrevem um esforço continuado para desarticular a infraestrutura aérea e terrestre que mantém a atividade ilegal, ampliando a pressão sobre sua capacidade de abastecimento e mobilidade.

Pistas clandestinas: elo central da cadeia do garimpo

A inutilização de pistas tem valor estratégico porque o garimpo ilegal em áreas isoladas depende de uma rede de apoio que garante entrada de combustível, alimentos, peças, equipamentos e pessoal. Ao interromper essas rotas, a atividade perde mobilidade, previsibilidade e capacidade de recomposição. Por isso, a estratégia federal passou a tratar pistas, aeronaves, postos de combustível, embarcações, motores e acampamentos como alvos de uma mesma cadeia, com o objetivo de estrangular a infraestrutura que sustenta o garimpo.

Catrimani II mantém pressão sobre infraestrutura e recomposição

De acordo com balanços oficiais divulgados em 2026, desde março de 2024 foram inutilizadas dezenas de pistas clandestinas na Terra Yanomami, além de aeronaves, acampamentos e outros meios de apoio. Em janeiro de 2026, o Governo Federal informou que 77 pistas, 45 aeronaves e 762 acampamentos haviam sido destruídos desde o início da nova fase das operações, com apreensões de ouro e mercúrio em ações integradas.

Em março, outro relatório oficial apontou que a Catrimani II alcançou 80 pistas de uso irregular destruídas em quase dois anos de operação. Em algumas missões, equipes de engenharia foram transportadas por helicópteros a áreas remotas para realizar detonações controladas e impedir o uso posterior das faixas de pouso. A participação do 6º BEC é destacada pela capacidade técnica em terrenos difíceis, no emprego de explosivos e na modificação de vias.

PF reforça a importância dos aeródromos clandestinos

A Polícia Federal já documentou o emprego de aeronaves ligadas ao garimpo em aeródromos clandestinos na região. Em agosto de 2026, a corporação informou ter localizado uma aeronave em pista clandestina após monitoramento na Terra Yanomami, com vestígios de cassiterita e indícios de movimentações financeiras suspeitas, evidenciando o papel dessas estruturas no suporte às atividades ilegais.

Proteção do território e impacto sobre comunidades Yanomami

O combate ao garimpo ilegal na Terra Yanomami também visa reduzir riscos ambientais e sociais associados à atividade, como degradação de rios, uso de mercúrio e circulação de pessoas não autorizadas, fatores que afetam diretamente as comunidades locais e o acesso de equipes de saúde e agentes públicos.

Em junho de 2026, dados do Censipam divulgados pela Funai apontaram redução de 99% no surgimento de novas áreas de garimpo desde março de 2024. O indicador mostra efeito relevante da pressão operacional, embora a atividade ilegal persista em focos específicos, o que reforça a necessidade de monitoramento, fiscalização e presença contínua para dificultar a reocupação.

Nesse cenário, a destruição de pistas na Terra Yanomami ganha peso adicional: ao atingir a infraestrutura que permite o abastecimento e a saída de minério, as ações reduzem a capacidade de retorno rápido dos grupos envolvidos e ampliam o tempo necessário para reconstruir a cadeia de apoio.