Roraima registrou mais de 9 mil casos de malária entre janeiro e março deste ano.
Roraima registrou, de janeiro a março deste ano, mais de 2.700 casos autóctones de malária por Plasmodium falciparum. Essa espécie está associada às formas mais graves da doença.
Novos desafios para um antigo problema de saúde pública. A malária ainda faz parte da realidade dos municípios roraimenses. Em 2022, o estado de Roraima registrou mais de 26 mil casos, de acordo com dados do Ministério da Saúde, obtidos pelo Sivep-Malária. Nos primeiros três meses de 2023, foram registrados mais de 9 mil. Evelin Rezende, de 41 anos, disse que pegou malária quando se mudou para Boa Vista. Ela relata momentos de desespero e conta que, se não tivesse tratado logo no início, os médicos disseram que poderia ter morrido.
“Comecei a ficar prostrada de não conseguir ficar em pé, comecei a vomitar, comecei a sentir muita dor nos rins, me deu uma infecção urinária até que um dia eu não consegui mais me levantar, tinha que ser arrastada... e uma febre muito alta... e o diagnóstico era que se eu não tivesse me tratado, antes do Natal eu já tinha morrido.”
Roraima registrou, de janeiro a março deste ano, mais de 2.700 casos autóctones de malária por Plasmodium falciparum. Essa espécie está associada às formas mais graves da doença. O número representa um aumento de 26% no número de casos por essa espécie em relação ao mesmo período de 2022. Para Cássio Peterka, responsável pelo Programa Nacional de Controle e Prevenção da Malária do Ministério da Saúde, o combate à doença precisa ser mantido com a participação da população, profissionais de saúde e gestores.
“Conseguimos reduzir os casos pelo Plasmodium falciparum e precisamos avançar para alcançar a eliminação da espécie até 2030 e da malária até 2035 no País. Acredito que agora esse é o momento para falar da mudança de chave, é o momento em que a gente precisa trabalhar a eliminação.”
A malária é transmitida pela picada da fêmea infectada do mosquito do gênero Anopheles, também conhecido como mosquito-prego. Os locais escolhidos pelo vetor para servirem de criadouros são coleções de água limpa, sombreada e de baixo fluxo, muito frequentes na Amazônia brasileira. O Ministério da Saúde recomenda a adoção de medidas de prevenção contra a picada do mosquito como o uso de mosquiteiros, roupas que protejam pernas e braços, telas em portas e janelas, repelentes e permitir que o agente borrife a casa. Ao apresentar sintomas como dores de cabeça e no corpo, febre e calafrios é preciso procurar rapidamente uma unidade de saúde e fazer o exame. Caso seja positivo, é necessário cumprir o tratamento até o final, mesmo que não apresente mais sintomas. O Exame e o tratamento são gratuitos no SUS.