Crianças do Instituto A Moda é Viver homenageiam Neuber Uchôa e levam a música roraimense às praças de Boa Vista
Projeto “Cantando na Praça” estreou com repertório dedicado ao compositor e terá novas edições em homenagem a artistas de Roraima
Alunos de canto e flauta do Instituto A Moda é Viver, homenagearam Neuber Uchôa na Praça Fábio Paracat, em Boa Vista. Fotos: Divulgação IAMV
Crianças e adolescentes de 7 a 16 anos, alunos de canto e flauta do Instituto A Moda é Viver, se apresentaram no sábado, 26 de setembro, na Praça Fábio Paracat, em Boa Vista, com um repertório dedicado ao cantor e compositor Neuber Uchôa. O artista participou da apresentação e cantou ao lado dos alunos, diante de familiares e admiradores da música roraimense.
A apresentação marcou a estreia do projeto “Cantando na Praça”, realizado pelo Instituto A Moda é Viver em parceria com o Instituto Boa Vista de Música. A iniciativa prevê apresentações gratuitas em diferentes pontos da capital, sempre homenageando um artista de Roraima.
Alda Araújo, presidente do Instituto A Moda é Viver
“Hoje estamos aqui na Praça Fábio Paracat com mais um novo projeto do Instituto A Moda é Viver. Estamos lançando o nosso projeto Cantando na Praça, que nesta primeira edição conta com a participação do cantor regional Neuber Uchôa. O objetivo do Cantando na Praça é trabalhar a inclusão social, com os pais acompanhando e prestigiando os filhos nas apresentações, e também aproximar a música da sociedade.”
Valorização dos artistas locais
O projeto foi criado para valorizar músicos e compositores de Roraima e reconhecer, ainda em vida, a contribuição desses artistas para a cultura do estado. A cada edição, os alunos estudam e interpretam canções do homenageado, que também é convidado a participar da apresentação.
Primeiro artista homenageado pelo projeto, Neuber Uchôa é um dos integrantes do Movimento Roraimeira, surgido a partir da década de 1980 e marcado pela busca de uma identidade cultural e musical própria para Roraima, com composições inspiradas na paisagem, nos costumes, na história e na diversidade da região.
Maestro Felício, presidente do Instituto Boa Vista de Música
“Hoje estamos fazendo uma mostra do nosso trabalho, com um repertório regional, e as crianças vão cantar com o Neuber. Para nós, é um momento ímpar levar as crianças para se apresentarem na praça, e também um momento importante para fortalecer a parceria com o Instituto A Moda é Viver.”
Preservação da cultura roraimense
Segundo Alda Araújo, a iniciativa também busca contribuir para que a produção musical de Roraima seja conhecida pelas novas gerações.
Ao aprender e interpretar músicas de artistas locais, crianças e adolescentes passam a ter maior contato com a história, a cultura e a identidade do lugar onde vivem. O projeto contribui, assim, para a preservação dessas obras e para a transmissão desse patrimônio cultural às novas gerações.
Neuber Uchôa, cantor e compositor
“Eu fico honrado com tanto carinho e atenção por esses anos todos. Ser o primeiro convidado dessa série, que nasce da parceria do Instituto A Moda é Viver com o Instituto Boa Vista de Música, é muito especial. São quase 50 anos compondo. Passei por vários processos até chegar onde estou hoje, e receber essa homenagem em vida é muito bacana. Eu vou guardar isso, e tenho certeza de que eles também.”
O compositor também destacou a importância do contato das crianças com artistas e referências culturais do próprio estado.
“No início, os meus ídolos estavam a milhares de quilômetros daqui, e eu lembro deles até hoje. Essas crianças tiveram a oportunidade de estar perto de uma referência, e vão lembrar disso para toda a vida.”
Neuber também relembrou um momento da apresentação envolvendo o professor Kalel.
“O Kalel lembrou que, quando era curumim, estudou as minhas músicas e que hoje transmite isso para outros alunos. Eu fiquei engasgado naquele momento. É o pertencimento. Eu digo aos meus filhos: o interessante não é o palco, é o caminho que você percorre para chegar a ele.”
Kalel, professor
“Estamos aqui para trazer nossas crianças a um ambiente onde elas possam cantar a realidade, cantar o estado de Roraima, a sua regionalidade, as músicas que falam de tudo aquilo que faz essa região tão especial. Para as crianças e para nós, professores, é uma honra estar em casa, fazendo coisas de casa e trazendo o melhor da nossa música regional.”
Clarissa Santos, 15 anos, aluna de flauta doce e coral
“Comecei na música aos seis anos, e é um privilégio fazer parte do Instituto Boa Vista de Música e do A Moda é Viver, tocando flauta doce e cantando no coral. Isso me ajudou muito, principalmente na minha carreira de modelo. Hoje estou aqui para tocar músicas regionais com a presença do Neuber Uchôa.”
Alex, pai de dois alunos
“É uma alegria ver meus filhos participando. Eles têm aprendido muito sobre coral e flauta, ficam empolgados e voltam de cada aula com um aprendizado diferente. Já estão aprendendo sobre partitura e sobre o tempo da música. Isso nos deixa muito contentes com o instituto pela oportunidade que tem dado às crianças.”
Cultura em diferentes bairros
A escolha das praças públicas como palco busca aproximar a produção cultural da comunidade e ampliar o acesso da população às apresentações.
A proposta do “Cantando na Praça” é circular por diferentes regiões de Boa Vista, levando música, formação cultural e valorização dos artistas roraimenses para mais perto das famílias.
A cada nova edição, um artista de Roraima será homenageado, permitindo que crianças e adolescentes conheçam, interpretem e ajudem a preservar obras que fazem parte da história cultural do estado.