Sem se eleger após campanha remota dos EUA, Rebeca Ramagem pede 'teletrabalho' para retomar cargo de procuradora em Roraima
Casada com ex-diretor da Abin, Rebeca candidatou-se a deputada federal no Rio, mas obteve só 50 mil votos no domingo e ficou como suplente
PL levou bonecos de papelão de Alexandre e Rebeca Ramagem na campanha dela no Rio — Foto: Reprodução Redes Sociais
Após não conseguir se eleger deputada federal no último domingo (4) Rebeca Ramagem (PL-RJ), mulher do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, solicitou à Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR), onde é procuradora concursada, para retomar ao cargo na modalidade de teletrabalho.
Ela mora na Flórida desde o fim de 2025, quando deixou o país para se juntar ao marido, que havia ido para os Estados Unidos às vésperas de ser condenado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Sem retornar ao Brasil desde então, Rebeca Ramagem fez a campanha deste ano de forma remota. Cabos eleitorais levaram bonecos de papelão do casal para atos públicos e eventos, como no lançamento da candidatura de Douglas Ruas (PL) no Maracanãzinho. Ela obteve 50.115 votos e ficará como suplente na Câmara.
Segundo o documento enviado nesta terça-feira à PGE, Rebeca Ramagem pede para retornar ao trabalho após o término de uma licença-prêmio que passaria a ser contada a partir daquela data. O retorno ao trabalho ficaria para o dia 12 de novembro deste ano. Ela está lotada em Brasília.
Para justificar o pedido, Rebeca Ramagem alega que não dispõe, no momento, de passaporte para deixar os Estados Unidos.
"Os documentos foram cancelados pelo governo brasileiro. Há, portanto, impossibilidade material de apresentação física na data do retorno", afirma. Rebeca acrescenta que o teletrabalho está regulamentado no âmbito da PGE-RR e que ela própria já atuou na modalidade.
Novas adesões ao regime de teletrabalho na PGE-RR, no entanto, estão suspensas desde dezembro de 2025. Uma comissão foi instituída na época para rever as regras da modalidade dentro do prazo de 90 dias, trabalho que ainda não foi concluído. Rebeca Ramagem afirma que, devido à demora, seu pedido é formulado "em caráter excepcional".
"A alternativa ao teletrabalho não é o trabalho presencial, hoje materialmente inviável; é a ausência de trabalho. O deferimento devolve ao Estado, de imediato e sem custo adicional, a força de trabalho de uma procuradora com mais de onze anos de carreira", escreve ela no requerimento.