Índios da Venezuela acampam perto de rodoviária do Rio de janeiro após jornada de 7 mil quilômetros

 Índios da Venezuela acampam perto de rodoviária do Rio de janeiro após jornada de 7 mil quilômetros

Índios venezuelanos estão acampados debaixo e um viaduto no Rio de janeiro. Foto | Revista Época.

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A rota dos imigrantes venezuelanos, de Tucupita até o Rio de Janeiro.

Um grupo de 27 indígenas venezuelanos da etnia Warao decidiu arriscar a sorte no Brasil diante da situação de miséria enfrentada em seu próprio país.

A esperança de encontrar abrigo e sustento no território brasileiro se tornou uma viagem sem fim por mais de 7 mil quilômetros, em barcos e ônibus, com escalas em ao menos dez municípios do Brasil.

Há um mês, os venezuelanos chegaram ao Rio e, após alguns dias, montaram um acampamento com tendas instaladas a poucos metros da rodoviária Novo Rio, na Região Central da cidade.A saga dessa tribo começou no município de Antonio Diaz, no estado de Delta Amacuro, a 550 quilômetros de distância da capital Caracas.

A comunidade Warao está situada dentro de um parque nacional que abriga centenas de grupos indígenas – a seis dias de viagem de canoa do povoado mais próximo. De lá, seguiram de ônibus até a cidade brasileira mais próxima: Pacaraima, em Roraima.

De acordo com a matriarca da família acampada no Rio, as condições de vida na Venezuela eram precárias, sem comida, roupas, nem medicamentos. Com membros da família adoecendo, eles enxergaram no Brasil uma oportunidade de sobreviver e deram início à peregrinação.

“Minha filha Minerva estava muito doente, com fortes dores na cabeça, e só conseguimos a salvação em Roraima. A gente já não tinha mais nada, então decidimos buscar ajuda financeira e mantimentos para depois voltar e ajudar quem deixamos para trás”, contou Luiza Maria Ribeira, de 60 anos, em entrevista a ÉPOCA.

Após o atendimento médico em Roraima, a expectativa de arrumar um emprego não se concretizou. A solução encontrada pelo grupo foi seguir adiante e apostar em oportunidades na cidade de Manaus. Por lá, dois irmãos de Luiza adoeceram e morreram.

A busca por trabalho resultou em novas tentativas frustradas. Os venezuelanos passaram a pedir esmola e coletar doações de alimentos, materiais de higiene e medicamentos para sobreviver nas ruas da capital do estado do Amazonas

Parte do dinheiro arrecadado foi convertida em passagens de ônibus. E a próxima parada do grupo foi a cidade de Porto Velho, no estado de Rondônia.

E, desde então, os venezuelanos viveram o mesmo drama, repetidas vezes, por onde passaram: não houve emprego, nem abrigo, para que eles pudessem se acomodar. Cruzaram o estado de Mato Grosso e passaram pelas cidades de Goiânia, Brasília, São Paulo, até chegar ao Rio de Janeiro. Fonte | Revista Época.

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Expedito Perônico, jornalista e colunista de política. Este blog cobre os bastidores do poder em Roraima e em Brasília. Já atuei nos principais veículos de comunicação de Roraima.

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