“Foi Cuba quem patrocinou o terrorismo na Venezuela”, diz Historiador.

 “Foi Cuba quem patrocinou o terrorismo na Venezuela”, diz Historiador.
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Apenas nove dias antes do final do governo de Donald Trump, o secretário de estado americano, Mike Pompeo, anunciou a inclusão de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo. O país tinha sido retirado desse grupo — que inclui Síria, Irã e Coreia do Norte — em 2015, durante a administração de Barack Obama.

O atual ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reclamou da decisão de Pompeo e disse que Trump quer fazer “todo o possível para impedir e atrapalhar uma melhora nas relações durante a presidência de Joe Biden”.

Para o historiador e analista político Juan Antonio Blanco, diretor-executivo da Fundação para os Direitos Humanos de Cuba, a decisão americana não foi uma ação política, mas a conclusão de um longo período de coleta de informações sobre as ações da ditadura da ilha. Eis o que ele disse a Crusoé:

Em cinco anos, Cuba saiu da lista de países patrocinadores de terrorismo e depois entrou. Afinal, o que se pode dizer sobre a ilha comunista?
Desde os anos 1960, Cuba treinou guerrilhas em seu território. Fez isso por muito tempo. O ditador Fidel Castro também utilizou movimentos guerrilheiros para executar diversas ações terroristas como sequestros, extorsões e outras ações ilegais. Quando ele se encontrou com o venezuelano Hugo Chávez (foto), eleito em 1998, os dois fizeram uma parceria. Naquela época, a Venezuela era um país rico e com muito petróleo a oferecer. Cuba, por sua vez, era um país pobre, que só tinha a oferecer seu aparato de inteligência. O que os cubanos sabiam fazer era reprimir a população e fazer operações transnacionais com elementos antiamericanos no mundo todo. Assim, foram os cubanos que apresentaram o Irã, o grupo libanês Hezbollah e os colombianos Farc e ELN para o governo venezuelano. Foi assim que Cuba patrocinou o terrorismo na Venezuela.

As ligações com esses grupos continuam?
Sim. Como os cubanos queriam ser retirados da lista de países patrocinadores de terrorismo, eles terceirizaram todas essas atividades para a Venezuela. O país recebeu treinadores de grupos armados cubanos, fabricantes de bombas e agentes de inteligência. Nos anos seguintes, Raúl Castro e o venezuelano Nicolás Maduro deram prosseguimento a esse sistema, que também se envolveu com o narcotráfico. Nos últimos quatro anos, formou-se uma empresa criminal transnacional entre Cuba e Venezuela, que atua com movimentos sociais de outros países e grupos narcotraficantes. Quinze pessoas, incluindo Maduro, já foram processadas e acusadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Joe Biden poderia reverter a decisão tomada pelo governo de Donald Trump?
Uma decisão como essa leva tempo, porque é preciso coletar muita informação para sustentá-la. Não é algo que um presidente resolve com uma canetada. Barack Obama queria retirar o país da lista rapidamente depois de eleito, mas não conseguiu. Levou tempo. Há uma metodologia que precisa ser seguida. Se Biden quiser fazer o mesmo movimento agora, uma nova investigação terá de ser iniciada para produzir um novo relatório.

Para Cuba, o que implica ter voltado ao grupo de países patrocinadores do terrorismo?
Qualquer pessoa com negócio nos Estados Unidos que quiser fazer uma transação com Cuba terá de ser mais cautelosa. Antes de qualquer coisa, será melhor consultar as autoridades. Se não o fizer e seguir adiante, correrá o risco de sofrer uma sanção, como ser obrigada a pagar uma multa.

Fonte: Revista Crusoé

peronico

http://peronico.com.br

Expedito Perônico, jornalista e colunista de política. Este blog cobre os bastidores do poder em Roraima e em Brasília. Já atuei nos principais veículos de comunicação de Roraima.

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