‘Governadora seu tempo acabou. Você está tirando o sonho dos roraimenses’, disse Paulo Quartiero sobre Suely ao renunciar.

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A Coluna de Hoje | Publicada 00h15m

Quartiero justificou as razões da renúncia em pronunciamento na Assembleia. Fotos | SupCom Ale / Charles Wellington e Alfredo Maia.

Mais do que um fato histórico, Paulo Cesar Justo Quartiero protagonizou ontem um ato de bravura ao renunciar ao cargo de vice-governador sem a menor ambição de se manter no poder. Porém abalroou, casou um verdadeiro desmonte no Governo titular Suely Campos a quem atribui toda a culpa pela catástrofe institucional vivida em Roraima, causada, segundo ele, ‘pela omissão, incapacidade gerencial, absoluta ausência de qualidade técnica e sobretudo indiferença em relação aos interesses do Estado de um modo geral’.

“Suely tem que renunciar, não reúne condições de continuar no cargo. Seu governo acabou. Ela quebrou e arruinou o Estado. Reconheça, governadora, seu tempo acabou, você está tirando o sonho dos roraimenses”, afirmou em meio a aplausos de quem se encontrava no plenário e nas galerias da Assembleia, ontem de manhã, onde se manifestou por mais de uma hora para justiçar as razões da renúncia.

A decisão de deixar o cargo, classificada por ele como “drástica”, expôs um Quartiero absolutamente antenado com as coisas do Estado. Durante o tempo do pronunciamento (começou 10h25 e acabou 11h25) mostrou um homem sereno, ameno, porém austero na adjetivação que qualificou sua ex-companheira de chapa. A cada citação arrazoada do seu conhecimento de Estado, uma aguilhoada em Suely.

Um discurso com alto grau de qualidade política e técnica, sem rancor, porém, intransigente sobre a incapacidade de Suely governar Roraima, Quartiero selou ali o fim definitivo do governo dela e abriu as portas para desdobramentos imprevisíveis, contudo com o cuidado calculado de jogar para a Assembleia Legislativa e seus 24 deputados a responsabilidade futura de decretar o arremate para o que chamou de “desgoverno perdulário e irresponsável, zero de credibilidade”.

Eu tentei, tentei e tentei abrir os olhos de Suely para as coisas maiores. Que ela saísse da mesmice, das coisas paroquiais, de bodega. Procurei estabelecer parcerias mais volumosas, tentando conectar Roraima aos temas globais. Mas tudo emperrava na missão míope da governadora. Ela não consegue enxergar nada além das picuinhas locais. Seu governo jamais prosperou porque optou por um modelo miúdo de ver as coisas. Não conduz nada como chefe de Estado e a situação agravou-se depois que deu as costas para a questão fundiária, entregando o Estado para organismos externos, permitindo novas áreas indígenas. É triste dizer: o governo acabou”, disse.

‘Não estou me acovardando. É desânimo mesmo’

Quartiero fez questão de afirmar que a renúncia pressupõe uma atitude de ‘puro desânimo’. 

Quartiero ponderou, porém, as razões que o levaram a somente agora, três anos e um mês depois da posse, decidir por abandonar o cargo de vice.

“É porque para tudo há o momento certo para agirmos. Eu já havia dado amostras da minha insatisfação e minga indignação contra o Governo Familiar dela. Mas agora chegou ao ápice depois de constatar que ela quebrou o Estado. Então a ora de sair é agora”, disse.

Mas por que Quartiero levou tanto tempo para abandonar o governo que o decepcionou no início de 2015? “Parei de criticar, estive à disposição dela, procurei colaborar e cumpri minhas obrigações e procurei não atrapalhar, não dar despesas, pois nunca tive diárias para viagens, paguei do meu bolso a estadia no hotel, tive apenas as passagens e o meu salário de R$ 22 mil líquidos”, contou.

Ele fez questão de dissolver boatos: “não estou me acovardando, nem auferindo interesses, nem recebendo ‘jabá’ (propina) de ninguém. É desânimo mesmo. Entendo que para cada recomeço, é necessário darmos um passo atrás”, ponderou.

‘O Governo saiu do foco’

“O Governo de Suely se vendeu para organismos ambientais”, disse Paulo Quartiero.

Quartiero deixa o cargo sob a justificativa de que o governo saiu do foco ao não cumprir as promessas de campanha que, em tese, era fazer o Estado se desenvolver e crescer economicamente, além de não ter moralizado a administração pública com austeridade e eficiência no uso dos recursos públicos.

De quebra, acusou a governadora Suely Campos (PP) de ‘vender’ Roraima na Conferência do Clima da ONU (Organização das Nações Unidas), em Bonn, na Alemanha, em novembro de 2017. “Vendeu em troca de US$ 400 mil”, afirmou Quartiero.

O que me levou a ter uma reação mais dura não era mais a divergência administrativa, mas de eu achar que a governadora está cometendo crime ao se omitir de defender o Estado de Roraima na criação de novas reservas ambientais, portanto deveria ser ‘impeachmada’, porque as terras são patrimônio do Estado. Isso é crime de omissão, ela é cúmplice dessa política que engessa o Estado”, afirmou, ao colocar nesse rol a não conclusão do zoneamento econômico, a não defesa do Linhão de Tucuruí e dos produtores.

Entre a desgraça e a bonança

Quatiero está convicto de que o governo de Suely só tem beneficiado familiares e amigos.

Quatiero fez uma retrospectiva começando pela campanha, onde, segundo ele, foram prometidos sonhos e prosperidades, “mas o que se vê hoje são a desgraça de um lado (o povo) e bonança do outro (familiares e agregados de Suely)”.

Disse ainda que sua coligação percorreu todo o estado prometendo combater a ameaça de que uma família – ele se referia ao grupo político do senador Romero Jucá – passasse a dominar o governo, mas a governadora Suely Campos colocou tudo a perder ao incorrer na prática do nepotismo.

Mas ficou surpreso que no primeiro ato de Governo, Suely nomeou toda a sua família para os cargos mais expressivos e importantes da administração. “E o que vemos hoje, um Estado doente, em situação crítica, em estado quase terminal. Nós tivemos uma vitória histórica”.

Segundo ele nunca ninguém tinha vencido a máquina do governo. Mas, após a vitória, o governo fez exatamente do que todos condenavam: “nepotismo, escolha de uma equipe com critérios que não o da meritocracia e trocamos a família que queria dominar o estado por outra. E já naquela época eu me insurgi contra isso”, afirmou.

O caminho é o Senado

Quartiero anunciou sua pré-candidatura ao Senado em parceria com o deputado Jair Bolsonaro.

E em se tratando de Quartiero sempre há novidades quando o ‘turrão’, como ele mesmo gosta de se definir, abre o verbo.

Montou a sua candidatura ao Senado, algo ainda não badalado na conjectura atual sobre candidaturas, como possível.

E feito o anúncio, pela primeira vez, ganhou efusivas manifestações de apoio das galerias da Assembleia, principalmente quando anunciou sua aliança com o explosivo Jair Bolsonaro.

Quartiero usou a estratégia e o momento certo. Como há indefinições sobre o Senado, sabendo que apenas o senador Romero Jucá tem grandes chances de retornar a Casa, cuidou de da publicidade ao seu novo desejo.

E desgrudou-se de Suely na hora sabiamente certa, porque sabe de ciência própria que ao lado dela o andor, mesmo que barro, terá um peso impossível de carregar.

Estou abrindo novos caminhos com mina renúncia. Estou entregando aos deputados estaduais o papel de dar prosseguimento e esse meu ato. É preciso dar continuidade a essa jornada que se inicia aqui. Roraima e sua gente não merece esse Governo que tem”, disse.

Migração: ‘the walkind dead’.

Venezuelanos vivendo em Boa Vista sob condições ‘sub-humanas’. “São iguais zumbis”, disse Quartiero.

Ao se manifestar sobre os problemas graves não resolvidos por Suely, ele comparou a situação social do estado, em decorrência da migração desenfreada de venezuelanos, ao cenário caótico da série de televisão (Netflix) The Walking Dead, que retrata o mundo dominado por zumbis.

Ele se referia aos milhares de migrantes que perambulam pelas ruas e semáforos da cidade de Boa Vista, com fome, pedindo ajuda. Para Quartiero, Suely Campos não faz nada para minimizar os efeitos do processo migratório.

Ele disse que chegou a comunicar à governadora que estava disposto a renunciar para que ela sofresse o processo de Impeachment. “Eu cumpri com a minha obrigação de vice governador. Fiz de tudo para não atrapalhar”, disse.

“O estado está esgotado. Se querem que Roraima receba venezuelanos, a ONU tem de se responsabilizar pelos encargos, custos. Estamos sobrecarregados. Nem conseguimos dar conta da nossa população. E o governo [estadual] está sendo inerte”, disse.

Lamentável o rebate de Suely

Esta foi a foto postada no Perfil de Suely para ilustrar seu rebate à renúncia de Paulo Quartiero.

Diante do tsunami que varreu a administração de Suely Campos, a renúncia de Quartiero merecia do Governo uma elucidação, diante dos fatos tão robustos e pertinentes por ele apresentados ontem.

Mas o que se vê é um Governo anêmico, apático e indolente, merecendo apenas uns segundos de resposta da governadora. Ela apareceu ofegante e abatida ao se manifestar sobre o episódio, ontem em uma entrevista na TV Roraima, emoldurada por um séquito igualmente tristonho e sorumbático.

“Nada muda. Ele renunciou ao trabalho desde o início, quando assumimos o governo. Ofereci a ele a secretaria de Agricultura, para tocar o setor produtivo, e ele declinou a assumir o cargo e foi cada vez mais se distanciando. Ele não vivencia nosso cotidiano e está fora desde o início”, disse e completou: “Nunca tive vice-governador, então vou continuar trabalhando do mesmo jeito”, declarou.

Mais cedo, em seu Facebook, Suely foi mais contundente, porém, sem expressão. Porque para uma chefe de Estado, o rebate não poderia ser ter oratória moderada, mas combativa e enérgica.

Disse ela no Face:  “…Uma pessoa com a trajetória de vida que tenho, ficha limpa, e que ganhou a eleição como ganhei, lutando contra os valentões que saquearam o Estado, não se abala fácil. Desde o primeiro dia do meu governo, esses mesmos tentam a todo custo me impedir de trabalhar. Estou focada na missão que o povo de Roraima me confiou. Se há uma coisa que me guia todos os dias, é a coragem de seguir sempre em frente”.

Sofrível. Elocução de quem se sente abatida, sem forças para reagir diante de um aguaceiro apavorante.

Invasão da vice-governadoria e cheque ‘estranho’

O talão é de 2013 e para ser descontado amanhã, domingo?

Uma inesperada e estranha invasão ao prédio da vice-governadoria ocorreu logo após Quartiero discursar na Assembleia, gerou tumulto no meio político e terá desdobamentos sérios para os responsáveis. A pretexto de levantamento patrimonial e limpeza do local, tudo foi recolhido na ação, coordenada pela secretária de Segurança, Giuliana Castro, sem autorização legal.

Mais tarde, já de noite, eis que veio o estrondo: foi nunciado a apreensão de pertences de paulo César (papeis, um cartão de crédito, documentos, objetos pessoais), e um cheque no valor de R$ 500 mil, contendo a assinatura do presidente da Assembleia, Jalser Renier.

Ai a secretária Giuliana, lógico, já anunciou, de forma prematura e apressada, como ‘objeto de corrupção’, sem ao menos formalizar um juízo de prova concreta e sem uma apuração mais contundente. E já instaurou inquérito contra Quartiero, alegando ‘possível complô para prejudicar o Estado’.

Como a pressa sempre foi inimiga da perfeição, o cheque traz algo que pode desmontar a possível ‘fraude’. A data de sua confecção é de maio de 2013. Logo vem a pergunta: alguém presta-se a guardar um talão de cheques por tanto tempo?

E tem mais, o cheque nem está cruzado, nem é nominal, como convém para estes valores e está com a datado para ser descontado no dia 28, amanhã (domingo). Alguém em sã consciência emite um cheque para ser descontado num domingo?. Estranho, né não…

Jalser rebate: “terrorismo”

Jalser se manifestou, através de nota, que a governadora Suely está praticando terrorismo e vai agir.

Ainda ontem no meio da noite a Superintendência de Comunicação da Assembleia Legislativa de Roraima informou que o presidente desta Casa, deputado Jalser Renier (SD), refuta as acusações feitas pelo Poder Executivo, “que se utilizou da máquina pública para promover um clima de terrorismo em Roraima, por conta da renúncia do vice-governador, Paulo César Quartiero”.

Informa a nota que o referido cheque foi “plantado” na vice-governadoria do Estado e que o presidente Jalser irá tomar as providências jurídicas cabíveis para que a delegada Giuliana Castro responda pelas acusações que fez na imprensa.

Dia o texto que o Presidente Jalser desconhece o referido cheque, cuja conta bancária está sem movimentação e o respectivo talonário está extraviado há anos, e adianta que vai pedir investigação sobre o uso da força policial para uso pessoal da senhora governadora Suely Campos.

Jalser, óbvio, vai requerer perícia grafotécnica sobre o cheque porque há indícios claros de fraude, com rasuras sobre os números.

Quartiero se manifesta sobre invasão

Viaturas da Polícia Militar foram utilizadas para a invasão, sem autorização, do prédio da vice-governadoria.
“A assessoria jurídica do senhor Paulo César Justo Quartiero informa que no início da tarde dessa sexta-feira, 26, esteve no prédio onde fica a vice-governadoria para proceder com a entrega das chaves do órgão, e lá chegando se deparou com a secretária de Segurança Pública, senhora Giuliana Castro, acompanhada de vários policiais e grupos de elite da Polícia Civil e Militar de Roraima, que já haviam arrombado as portas do local e se encontravam em seu interior. Informa ainda que a mesma não autorizou que o assessor jurídico do ex vice-governador ou qualquer outro servidor do órgão acompanhasse a suposta operação de busca e apreensão, que aliás não contava com mandado judicial ou requisição de autoridade policial competente. Salienta que em nenhum momento outras pessoas que não fossem os policiais comandados pela senhora delegada e servidores do primeiro escalão do Governo e da Casa Civil do Governo do Estado, puderam acompanhar as supostas buscas. 

Afirma que o mesmo desconhece a existência do suposto cheque apresentado pela delegada Giuliana Castro durante entrevista à imprensa, convocada “às pressas” na noite dessa sexta-feira, 26, para, tão somente, tentar enlamear a imagem do ex vice-governador de Roraima. Afirma também que já estão sendo tomadas as providências legais para que os responsáveis por essa ação difamatória e criminosa respondam por seus atos, inclusive a formalização de notícia crime contra o ato arbitrário da secretária de Segurança Pública do Estado.Salienta que o ato de renuncia do senhor Paulo César Quartiero é fruto de uma decisão pessoal, irrevogável, e que deveria ser respeitado pelo Governo do Estado e seus membros”. 

Luiz Valdemar Albrecht
OABRR 271-A

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‘O Impeachment é viável’, diz George Melo

Para George Melo, a partir da renúncia de Quartiero, aumentaram as possibilidades de Impeachment.

O deputado George Melo admitiu ontem, minutos antes do pronunciamento de Quartiero, a possibilidade de a Assembleia Legislativa dar início ao processo de Impeachment da governadora Suely Campos.

“Ou a governadora toma providências para sanar os problemas da sua administração ou os poderes constituídos serão obrigados a tomar alguma providência”, disse o parlamentar.

Ele disse que a renúncia de Quartiero constitui “um ato político maduro de um homem que ama o estado”. Para ele, o G-12, grupo de parlamentares do qual ele faz parte e que é alinhado ao presidente da Assembleia, Jalser Renier, começa a ganhar adesões em torno da ideia de afastamento da governadora. “Os deputados já começam a sentir que esse é o momento e devem começar a engrossar as fileiras do G12”, frisou.

Brito tenta desqualificar renúncia

Brito avaliou como absolutamente natural a renúncia e tentou desqualificar as criticas de Quartiero.

O deputado Brito Bezerra, líder do governo do Estado na Assembleia, tentou desqualificar a renuncia de Quartiero. Disse apenas se tratar de uma decisão política, prevista na constituição. “Ele disse que a luta pelo Estado de Roraima não compensa, porque arrumou intrigas, inimigos e muitos processos. Foi um discurso de renúncia, mas ao mesmo tempo, de preparação para a disputa das eleições deste ano”.

Questionado sobre as criticas contundentes de Quartiero ao governo de Suely, Brito disse que as opiniões de Quartiero foram direcionadas ao governo Federal. “Ele disse muito bem aqui, que temos problemas com a questão indígena, dos imigrantes venezuelanos, com a expulsão de garimpeiros, dos arrozeiros, todas essas de responsabilidade do governo Federal”, destacou.

E continuou tentando amenizar a renúncia: “Se a ALE-RR tinha o dever de pedir o Impeachment da governadora, por que não pediu enquanto ele estava como vice-governador?”.

Jalser é vítima de fakes 

Aviso feito por Jalser que ele próprio publicou em sua página no Facebook.

O presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier, revelou ontem estar sendo vítima de ‘delinquentes’ que estão utilizando as redes sociais para criar montagens de conversas em um aplicativo de mensagens instantâneas que são atribuídas à ele.

Ele afirmou que os falsários têm utilizado o aplicativo “Whats App”, dedicado à criação de conversas falsas (fakes) sob o formato das mensagens trocadas por meio do Whatsapp, para denegrir a imagem do parlamentar.

Jalser foi ao Facebook para fazer o alerta e ao mesmo temo protestar: Olá, meus amigos! Fica o alerta para todos! Fui vítima do Falso WhatsApp. Mensagens estão sendo enviadas sem meu conhecimento. Desconsiderem qualquer mensagem de conteúdo estranho. Agradeço a todos a compreensão.

 


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By peronico

Expedito Perônico, jornalista e colunista de política. Este blog cobre os bastidores do poder em Roraima e em Brasília. Já atuei nos principais veículos de comunicação de Roraima.

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