Jucá: “O meu gesto é um exemplo de que somos transparentes e nada temos a esconder. Sei que não fiz nada de errado”.

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Coluna da terça ||||| Publicada 00h20
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Jucá fez sua defesa em entrevista coletiva, mas não suportou a pressão e no final da tarde pediu licença.

O senador roraimense Romero Jucá (PMDB) decidiu se licenciar do cargo de ministro do Planejamento a partir de hoje. Depois de afirmar em entrevista coletiva que não tem “nada a temer” e que não deve “nada a ninguém”, a despeito de uma conversa sua gravada por Sérgio Machado – investigado na Lava Jato – e que foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, Jucá optou por se afastar até que o caso seja esclarecido. Mas será exonerado ainda hoje para que possa reassumir o mandato de senador.

“Prefiro pedir ao Ministério Público uma manifestação sobre o caso. Vou aguardar com tranquilidade a manifestação do Ministério Público e depois tomar uma decisão [definitiva sobre a presença no governo Temer”, disse Jucá, que se mantém na presidência do PMDB. No Senado, Jucá negou ter provocado “constrangimento” no presidente interino Michel Temer e atribuiu sua licença a um gesto para não comprometer a credibilidade da classe política.

“O presidente entendeu minha posição, viu meus pronunciamentos, minhas entrevistas. Tenho defendido um governo de salvação nacional, a rápida investigação para que não pairem dúvidas sobre a classe política brasileira e [para] que não se extraia a confiança sobre a classe política”, afirmou. “Meu gesto deu o exemplo de que somos transparentes, nada temos a esconder. Aguardo a manifestação do Ministério Público. Não fiz nada de errado”, completou ele.

Eu não quero contribuir com isso. Então o meu gesto é um exemplo de que nós somos transparentes e nada tenho a esconder. Nada melhor do que uma manifestação isenta para dizer se eu cometi naquela conversa algum tipo de crime. Acho que não cometi, meu advogado acha que eu não cometi e eu aguardo com toda a tranquilidade na presidência do PMDB. É um instrumento extremamente importante para se fazer o enfrentamento com quem precisar fazer”, disse.

“Não devo nada a ninguém”

“Não tenho nada a temer, não devo nada a ninguém. Se tivesse medo, se tivesse telhado de vidro, não teria assumido a presidência do PMDB num momento de confronto com o PT para ajudar a afastar a presidente da República. Se tivesse medo de briga, não estaria nesse processo da forma como entrei. Não tem nada que eu possa me envergonhar, nada que eu possa ter feito que é criminoso ou mal visto”, afirmou.

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Praticamente acuado no Ministério, respondendo perguntas de um batalhão de jornalistas.
“Não nasci ministro”

“Não nasci ministro do Planejamento e não vou morrer ministro do Planejamento. Não vejo nenhum motivo para pedir afastamento. Não me sinto atrapalhando o governo, me sinto ajudando. […] Da minha parte, não vejo motivo para tomar qualquer decisão. Não posso falar pela decisão do presidente”, complementou.

“Não estou dizendo que houve descontextualização de tudo. As frases que estão ali são frases que, dentro do contexto da economia e da política, eu tenho repetido isso abertamente”, afirmou Jucá. Na entrevista ele disse que não fez nenhuma audiência com ministros do STF para tratar da Lava Jato.

“Não tentei barrar Lava-Jato”.
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Romero Jucá afirma que jamais e momento algum tentou conspirar contra a “Lava Jato”.

Na entrevista coletiva, assim como havia dito à Globo News, Romero Jucá disse que em nenhum momento teve a “intenção de ‘melar’ a Lava Jato” e que o “pacto nacional” a que se referiu era para resolver a questão econômica do país.

Ele negou ainda que o “pacto” ao qual se referiu com o Supremo teria como resultado atrapalhar a Operação Lava Jato, mas, sim, apressar as investigações a fim de acabar com a “nuvem negra” que, segundo ele, está “pairando” sobre a classe política.

O governo do PT estava submetido à Lava Jato e era comandado. De certa forma, reagia apenas aos estímulos da Lava Jato. […] A Lava Jato não pode ser a pauta única do governo. Em nenhum momento naquela conversa eu falei de impedir a Lava Jato. A minha intenção, e a minha cobrança, é que a Lava Jato seja apressada na investigação para separar o joio do trigo, definir quem tem culpa e quem não tem culpa”, disse Jucá.

Temer agradece
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Temer ouviu as explicações de Jucá e quer tê-lo como articulador no Congresso Nacional.

O presidente interino Michel Temer divulgou no início da noite de ontem uma nota em que informa sobre o pedido de afastamento do ministro do Planejamento, Romero Jucá. Ele agradece o “trabalho competente e a dedicação” de Jucá e diz que contará com a ajuda do peemedebista no Senado até que “sejam esclarecidas as informações divulgadas pela imprensa”. Pesou na saída de Jucá a avaliação de sua permanência no cargo prejudicaria muito o governo Temer nesta arrancada. A decisão foi tomada em uma reunião no Planalto entre Temer, Jucá, Geddel e Padilha minutos antes de se encontrarem com Renan Calheiros.

Jucá foi exonerado do cargo de ministro e deve reassumir nesta terça o mandato no Senado (que estava sendo ocupado pelo suplente Wirlande da Luz), onde, segundo disse, fará um embate político com o PT, oposição a Temer, no exercício da presidência nacional do PMDB.

A NOTA DE TEMER:

O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Romero Jucá, solicitou hoje afastamento de seu cargo, até que sejam esclarecidas as informações divulgadas pela imprensa. Registro o trabalho competente e a dedicação do ministro Jucá no correto diagnóstico de nossa crise financeira e na excepcional formulação de medidas a serem apresentadas, brevemente, para a correção do déficit fiscal e da retomada do crescimento da economia. Conto que Jucá continuará, neste período, auxiliando o Governo Federal no Congresso de forma decisiva, com sua imensa capacidade política.”

Só conversa mole 

"Mui amigo": aliado de Jucá e ex-companheiro de senado, Sérgio Machado foi o pivô do escândalo.
“Mui amigo”: aliado de Jucá e ex-companheiro de Senado, Sérgio Machado foi o pivô do escândalo.

Fui ouvi o áudio da conversa de Jucá com Sérgio Machado, disponibilizado no portal Uol. O fato é que as gravações que foram reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo criaram constrangimento a Romero Jucá. Mas de verdade mesmo, o que vem à luz é mera conversa mole, mera bravata. Um bate-papo entre amigos. Nesse caso, ‘mui amigo’. Mas causou um bom rebuliço no Planalto Central e em todo o país.

Por quê? Alguém acha que, a esta altura do campeonato, dá para deter a Lava-Jato, para controlá-la, para botá-la sob uma gerência? Acredito que, se fosse possível, o governo anterior teria encontrado os meios, porque o PT tentou de tudo para não só acabar com a operação como enterrar a carreira do juiz Sérgio Moro.

Ninguém controla a Lava-Jato. Quem disser que pode estar contando uma lorota. Quem ler os diálogos da gravação vai perceber que há certo tom de ameaça na fala de Machado. Ele sugere que, se cair, pode levar um monte de gente junto. É bem provável que Jucá estivesse falando apenas para acalmá-lo.

Acontece que, em política, a versão do fato é mais importante do que o próprio. Do ponto de vista, digamos, penal, a fala de Jucá e Machado é irrelevante. Do ponto de vista político, é grave, sim. E deu no que deu…

“Conexão Neudo” 
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O delegado Alan afirma que havia intenções dos policiais de tramar a fuga de Neudo. 

A Polícia Federal anunciou na manhã de ontem que efetuou a prisão de dois policias militares suspeitos de planear a fuga do ex-governador de Roraima Neudo Campos para a Venezuela. Os dois PMs estão recolhidos no Comando de Policiamento da Capital (CPC). Suas identidades não foram reveladas.

Segundo o delegado Alan Robson, da PF, os policiais foram presos em flagrante. Eles usavam armas e rádio da corporação policial. “A dupla trabalhava com objetivo de remover o ex-governador, de Boa Vista, para a Venezuela”, disse ele em nota. As investigações da PF indicam que Neudo Campos continua em Roraima.

Neudo teve mandado de prisão expedido na quinta-feira (19), quando a Polícia Federal fez buscas nas residências da família em Boa Vista e no interior do Estado. Como todas as outras tentativas de prisão, o ex-governador não foi encontrado e seu nome já consta na lista de procurados da Interpol, a pedido do Ministério Público Federal.

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A prefeita Teresa Surita assinou a progressão dos professores, publicada no Diário Oficial.

Progressão garantida | A partir deste mês de maio, os servidores municipais do quadro geral que adquiriram o direito à progressão e promoção de carreira em 2015 passarão a recebê-la. Mais de 600 funcionários efetivos da Prefeitura de Boa Vista serão beneficiados. O ato foi publicado na edição de ontem do Diário Oficial do Município, onde cada servidor beneficiado poderá visualizar a evolução na sua remuneração. Estão nesta lista os auxiliares de serviços diversos, assistentes administrativos, assistentes técnicos e fiscais municipais.

Mesmo em meio à crise em que o Brasil passa, a Prefeitura de Boa Vista tem buscado honrar os compromissos com a folha de pagamento e manter resguardados os direitos de quem trabalha na prefeitura. Mas tudo isso só é possível porque temos muito planejamento e acima de tudo, respeito por nossos servidores”, comentou a prefeita Teresa Surita.


CONTATOS: www.peronico.com.br – e-mail: peronico.27@gmail.com – Facebook: Peronnico Expedito – Blog do Expedito Peronnico.

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By peronico

Expedito Perônico, jornalista e colunista de política. Este blog cobre os bastidores do poder em Roraima e em Brasília. Já atuei nos principais veículos de comunicação de Roraima.

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