Neudo queria fugir para a Venezuela? Mas fazer o quê lá se não tem nem farinha de arepa nem papel higiênico!

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Coluna da quarta ||||| Publicda 00h13
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Instante em que o ex-governador Neudo Campos chega a sede da Polícia Federal, na manha de ontem. Fotos Pablo Pelippe

Me causa certo pasmo a informação – em caráter oficial, porque vem de fontes da Polícia Federal – dando conta de que o ex-governador Neudo Campos estaria possuído pela intenção de se ocultar na Venezuela, correndo de um mandado de prisão, decretado pela Justiça Federal. O país de Maduro, como se sabe, está falido, sem água potável, enfrenta escassez de alimentos, racionamento de energia elétrica, vive atualmente sob Estado de Exceção e para desgraçar mais ainda a situação não dispõe no momento nem do seu principal produto de alimentação, a “harina pan”, exatamente isso, a bendita farinha que é gênero de primeiríssima necessidade na mesa do venezuelano. Sem esse insumo eles não vivem, porque não cabe na consciência dos ‘hermanos’ viver sem ‘harina’ que é usada na preparação da arepa, o alimento mais consumido no país. Pior falta até papel higiênico.

Mas Neudo não conseguiu concluir o projeto de fuga. Não resistiu ao cerco da Polícia Federal e acabou cedendo: ontem de madrugada, sem holofotes, Neudo entregou-se no Comando de Policiamento da Capital, uma unidade da Polícia Militar que fica no centro de Boa Vista. Neudo tomou a decisão depois que soube da existência de uma operação da PF, batizada de Rryan, que cuidaria de ocupar vários imóveis da família, dependências públicas do governo Estadual e recolhimento de pessoas supostamente envolvias na arquitetura do plano de fuga.

O ex-governador está agora recolhido sob custódia em uma cela da Superintendência da Polícia Federal onde vai cumprir a pena. Condenado a 10 anos e 8 meses de prisão por envolvimento no esquema de desvio de verbas públicas conhecido como “escândalo dos gafanhotos”, o ex-governador pode permanecer em Boa Vista ou ser levado para um presídio federal. Questionado sobre a possibilidade do ex-governador ser levado para fora do estado, o delegado da PF Alan Robson afirmou que isso “está sendo verificado junto à Justiça”.

Plano de fuga frustrado
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Segundo a PF Neudo estaria pronto para ingressar na Venezuela, através de Santa Elena. 

Ontem, no final da tarde, o Ministério Público Federal (Roraima) relatou mais uma variante sobre as ações que acabaram por forçar a rendição de Neudo. A nota diz que estava em curso uma associação criminosa, formada pela secretária-adjunta Maria de Fátima Araújo Costa (Relações Internacionais) que junto com policiais militares, estavam tramando a rota de fuga do ex-governador.

O MPF relata que junto com a Polícia Federal conseguiram desarticular, no início de semana ontem, uma trama que agia para favorecer o ex-governador Neudo Ribeiro Campos, em seu intento de frustrar o cumprimento de mandado de prisão decretado pela Justiça Federal.

Conversas foram monitoradas, pessoas foram vigiadas e a partir de monitoramento das conversas telefônicas dos alvos, incluindo policiais militares, a fuga foi descoberta.

Governo nega participação
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O secretário Paulo Cesar desqualificou participação do Governo na “trama”.

A Polícia Federal persiste em afirmar que por detrás do plano de fuga do ex-governador, estaria gente da estrutura do Governo de Roraima. Mas o secretário de Segurança Pública, Paulo César Costa, tem outra versão. Negou cabalmente que o governo tenha participado da ‘trama’ alegada pela PF.

Em entrevista coletiva, Paulo Cezar afirma que o governo não sabia do envolvimento dos servidores e que também “não foi notificado oficialmente” das prisões de funcionários efetuadas pela PF.

“Nós, o Estado, enquanto polícia judiciária fizemos o que tínhamos que fazer e efetuamos a apresentação do ex-governador, que já se encontra hoje sob custódia da PF”, comentou o secretário Paulo César.

Gilmar amortece caso Jucá
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Gilmar Mendes disse que não viu nada de extraordinário na conversa gravada de Jucá.

O senador Romero Jucá ganhou um, digamos assim, refrigério do ministro do Gilmar Mendes, do STF. Ele afirmou ontem não ter visto tentativa nenhuma do ex-ministro em obstruir a Operação Lava Jato numa conversa gravada pelo ex-senador senador Sérgio Machado, motivo da exoneração de Jucá.

Questionado sobre a gravação antes de uma sessão na Corte, Mendes disse apenas ter notado uma “impropriedade” de Jucá, no diálogo, quando disse que conversou com ministros do STF e ao se referir a um “acordo” com a Corte para viabilizar o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e levar à Presidência o interino Michel Temer.

Não vi isso [tentativa de obstruir a Lava Jato]. A não ser, uma certa impropriedade em relação à referência ao Supremo. Sempre vem essa história: já falei com os juízes ou coisa do tipo. Mas é uma conversa entre pessoas que tem alguma convivência e estão fazendo análise sobre o cenário numa posição não muito confortável”, afirmou Mendes a jornalistas.

‘Enverga mas não quebra’
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O senador Romero Jucá fez discurso no Plenário da Câmara, na sessão conujnta do Congresso.

Afetado por um desses conluios de Brasília, o senador Romero Jucá (PMDB) não baixou a guarda. Mesmo forçado a abandonar o sonho de fazer algo pelo País a frente do Ministério do Planejamento, viu-se obrigado a abandonar o posto mas não perdeu o vigor que o tornaram uma das figuras mais proeminentes da política nacional. Jucá pode até ter se vergado mas dá sinais que não vai quebrar, ao contrário, partiu para o enfrentamento.

Ontem ele subiu à tribuna da Câmara, em sessão do Congresso, e se pronunciou pela primeira vez após retomar o mandato de senador. “Não fiz nenhuma ação para impedir a investigação da Lava Jato. Estarei à disposição para debater com todos: fundamentalistas, petistas, arrivistas, qualquer um que queira levantar qualquer tipo de questionamento.” Jucá afirmou que foi ele que pediu para sair do governo.

Não cometi nenhum ato de irregularidade. O presidente Michel Temer pediu que eu continuasse no ministério, mas eu entendi que, para que as coisas sejam esclarecidas e evitar exatamente esse tipo de manifestação atrasada, irresponsável e babaca de algumas pessoas”, disse Jucá.

Padilha espera pela volta
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Padilha confessou ontem que ainda acredita no retorno de Jucá ao Ministério.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, sugeriu ontem que Jucá ainda pode voltar ao cargo. “Ele [Dyogo, secretário Executivo] cumprirá esse papel até o momento em que o presidente (interino) Michel Temer decidir por trazer de volta o ministro Jucá, se for o caso”, disse Padilha logo emendando: “Mas ele já se incorporou à atuação tradicional no Senado, onde ele é indiscutivelmente um grande player”, afirmou.

Padilha fez questão de lembrar que Romero Jucá foi um dos responsáveis pela montagem da equipe econômica do governo Temer, junto com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

A senha da sacanagem
"Mui amigo": aliado de Jucá e ex-companheiro de senado, Sérgio Machado foi o pivô do escândalo.
“Mui amigo”: aliado de Jucá e ex-companheiro de senado, Sérgio Machado foi o pivô do escândalo.

Apesar da gravidade da crise política e econômica, alguns peemedebistas do Congresso não perderam a oportunidade de fazer uma piada com a gravação que Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, fez da conversa com Romero Jucá.

Diziam que, a partir de agora, se algum colega de política em meio a uma conversa reservada começar a relembrar fatos do passado, ai será preciso interromper na hora e pedir que o “amigo” entregue o gravador.

 Divulgações preocupam
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O delegado Igor acha temerário a divulgação de áudios sem investigação.

O coordenador da força tarefa da Operação Lava-Jato na Polícia Federal, o delegado Igor Romário de Paula, afirmou que a divulgação dos áudios contra Jucá atrapalham as investigações.

— O que nos preocupa somente é que isso (os áudios) venha a público dessa forma, sem que uma apuração efetiva tenha sido feita antes — reclamou o delegado.

Igor afirmou que a interferência política virou sim um alvo de preocupação dos investigadores desde que as apurações chegaram ao núcleo político do esquema de corrupção. “Preocupa. Mas, até o momento, não detectamos nada no âmbito da polícia”.

“Nem ai para ti, Suzete” 
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Telmário não demonstra preocupação com a situação da esposa Suzete Macedo.

Sinceramente me vejo atônito com o desprezo que o senador Telmário Mota (PDT) deu a causa de sua esposa Suzete Macedo, foragida da justiça por ter sido condenada a 7 anos e 8 meses de prisão por envolvimento no esquema de desvio de verbas públicas do ‘Caso Gafanhoto’. Com prisão decretada há cinco dias, dra. Suzete continua foragida, segundo informou a Polícia Federal.

Entrevistado pelo portal G1, Telmário disse não saber onde está Suzete. Disse não saber nem o motivo pelo qual Suzete é procurada. Ai veio o desmorono do senador: afirmou que não se envolve em assuntos relacionados ao trabalho da esposa, mas só questões que dizem respeito ao assunto “marido e mulher”.

Não me meto nas coisas da Suzete. Tenho preocupação com ela na vida marido e mulher. Agora, a vida profissional eu não sei de nada” disse o senador.

Lasier desmente Telmário
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Lasier desmentiu Telmário e não assinou o pedido de cassação no Conselho.

Na ânsia de detonar seu adversário político, Telmário Mota ligou para o colega de partido Lasier Martins (RS) para saber o que ele achava de pedir a cassação de Romero Jucá.  A ligação durou segundos.

Lasier concordou que os diálogos com Sérgio Machado eram graves, mas somente isso. Telmário saiu espalhando que Lasier assinaria o pedido de cassação de Jucá feito pelo PDT. Lasier não assinou nada.

Mas no final da tarde o PDT apresentou ao Conselho de Ética do Senado representação para que o colegiado abra procedimento disciplinar para investigar suposta quebra de decoro do senador Romero Jucá.

Análise da situação
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Jucá foi pego por uma gravação clandestina e sofre por más interpretações. 

1 – O caso da conversa de Jucá com Sérgio Machado é semelhante ao de Delcídio do Amaral?

É claro que não! Ainda que o plano parecesse mirabolante, Delcídio se organizava para dar fuga a um investigado. Jucá não fez nada disso. Limitou-se a ter uma conversa generalizada sobre a conveniência de Michel Temer ser presidente.

2 – Existe algum ilícito penal na fala de Jucá?

Seu advogado tem razão: nos trechos que vieram a público, não! Segundo a análise que vaza das conversas, fazia considerações sobre a necessidade de o país mudar de rumo. Tinha a esperança de que um governo Temer pudesse alterar o andamento da Lava-Jato.


CONTATOS: www.peronico.com.br – e-mail: peronico.27@gmail.com – Facebook: Peronnico Expedito – Blog do Expedito Peronnico.

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By peronico

Expedito Perônico, jornalista e colunista de política. Este blog cobre os bastidores do poder em Roraima e em Brasília. Já atuei nos principais veículos de comunicação de Roraima.

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