Romero Jucá assume a presidência nacional do PMDB. E endurece crítica ao Governo de Dilma.

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A Coluna da quarta ||||| Publicada 00h13

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Romero Jucá discursou ontem no Senado onde fez duras críticas ao governo de Dilma. Fotos | Agência Senado.

O senador roraimense Romeo Jucá assumiu ontem a presidência nacional do PMDB, o maior partido da Nação, com a licença do vice-presidente Michel Temer. A decisão foi tomada pelos peemedebistas após a escalada de ataques contra Temer desferidos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por lideranças do PT. Com o afastamento do vice, a cúpula partidária busca resguardá-lo, já que o PMDB avalia que é necessário subir o tom no contra-ataque ao ex-presidente.

Já como o novo presidente do PMDB, Jucá fez um longo pronunciamento na Tribuna do Senado. Disse que assume o comando do partido para evitar a “exposição” de Michel Temer. Jucá disse que o governo da presidente Dilma Rousseff e o PT estão tentando levar Temer a responder diretamente aos ataques, no que chamou de “briga de rua”. Mas Temer se licenciou justamente para deixar a Jucá essa tarefa de enfrentar os ataques.

Jucá criticou duramente o governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o Executivo promoveu no último ano uma “eternidade de incompetência” nos campos político e econômico. Refutando a cantilena petista, Jucá disse que o processo de impeachment não pode ser considerado um “golpe” e afirmou que o partido não “troca o certo pelo duvidoso”, mas sim busca um caminho e uma resposta às ruas, que pedem “fora Dilma”.

Ele lembrou que 82% dos membros do diretório nacional do PMDB compareceram à reunião da semana passada, na qual se decidiu, por unanimidade dos presentes, que a legenda deixaria a base do governo e entregaria seus cargos na administração federal. Na análise do senador, ainda há um grupo minoritário dentro do PMDB que não concorda com a tese, mas ele assegura que trabalhará pela unificação da atuação do partido.

Jucá revelou ter identificado ‘que os caras’ estão tentando desqualificar o Temer para um embate que ele não pode participar. “Não vamos entrar nesse jogo. A tentativa do governo e do PT é puxar Michel para a planície para participar de uma briga de rua. E ele não fará isso, não é papel dele. Temer não vai participar desse jogo, mas o PMDB dará as respostas necessárias, com a clareza e firmeza necessária, a qualquer tipo de provocação – avisou Jucá.

A força do maior partido do Brasil está na sua unidade e na sua capilaridade. Os que são hoje minoritários podem ser convencidos a somarem conosco. Nós não viemos para agredir ninguém, viemos para agregar. Não vamos ficar fora de nenhum debate. Vamos enfrentar de cabeça erguida”, disse o senador.

Sessão concorrida. E longa.
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Na Sessão mais longa do ano, Jucá falou por mais de três horas e recebeu vários apartes.

O discurso de Jucá ocupou toda a Sessão na tarde de ontem, no plenário do Senado. Foi uma das sessões mais longas do ano onde depois que se pronunciou, ele abriu espaço para os apartes costumeiros, numerosas intervenções.

Só que todos os senadores aproveitaram a oportunidade parra se posicionou. A maioria para felicitar Jucá, mas muitos para desejar boa sorte, porque ele assume a presidência do maior partido da Nação em momento de voo turbulento e de instabilidade política.

Mas como manda a liturgia da Casa Legislativa, todos debateram questões controversas e delicadas dentro da maior civilidade. Ângela Portela (PT) e Telmário Mota (PDT) emudeceram.

Jucá e a Lava Jato
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Ao seu questionado sobre a Lava Jato, respondeu: ‘não tenho rabo preso’.

Citado em delações premidas, alguns senadores questionaram Jucá sobre o assunto inclusive acusando-o de ser investigado na operação Lava Jato. Ao que Jucá rebateu:

Se tivesse rabo preso não estaria assumindo a presidência do PMDB. Alguém tem dúvida de que vou virar alvo? Vou me expor. Não tenho problema de enfrentar briga. Pense em alguém que não tem medo de cara feia, nem de confusão. Esse cara sou eu — disse Jucá.

Segundo o senador, a crise política, que agrava os problemas econômicos, foi também uma fabricação do governo, que pretendia, no início do segundo mandato de Dilma, “descartar o PMDB”, construindo uma base parlamentar baseada em outros partidos. Foi essa ofensiva que fez a direção nacional do partido entender que as bases da aliança “ruíram”.

Licença de Temer
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Para Renan Calheiros: ‘eu acho uma boa solução, o senador Romero é um grande quadro’.

O presidente do Senado Renal Calheiros falou sobre a licença do vice-presidente da República, Michel Temer, da presidência nacional do PMDB.

Eu procuro não comentar fatos partidários para não estreitar o meu papel como presidente do Congresso Nacional, mas eu acho uma boa solução, porque o senador Romero Jucá é um grande quadro, tem relação com praticamente todos os seguimentos do partido e, sem dúvida nenhuma, ele pode fazer esforço pela unificação.

Relação com Dilma
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De costas: as relações de Temer com Dilma vem se desgastando desde 2011. 

Em meio a um momento de turbulência política vivida pelo governo, a relação entre Temer e Dilma vive o maior desgaste desde 2011. Em dezembro do ano passado, por exemplo, o vice enviou uma carta a ela na qual disse que a presidente não confia na lealdade dele ou do PMDB.

O resultado foi um comunicado, por parte dos dois, de que a relação entre eles passaria a ser institucional.

Na semana passada, o chefe de gabinete de Dilma, ministro Jaques Wagner, falou sobre o desembarque do PMDB articulado por Temer e avaliou que a relação entre ela e o vice-presidente, embora seja “respeitosa”, ficou “politicamente interditada”.

Da Venezuela ao Estado Islâmico

Na linha de frente na defesa de seu partido e do vice Michel Temer, e não querendo deixar nada sem resposta, Jucá  travou um embate caloroso com Lindbergh Farias (PT-RJ).

O petista disse que não haveria legitimidade num eventual governo Temer, e ouviu que sempre haverá grupos “bolivarianos e fundamentalistas” para atacar o colega de partido caso o impeachment seja legalmente aprovado.

Ao citar os grupos, Jucá chegou a dizer que Temer sofrerá ataques de todos os lados, que vão desde a Venezuela até o Estado Islâmico, arrancando risos no plenário do Senado (Radar – Veja).

PP decide desembarque
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O deputado Hiran na reunião do PP, ontem em Brasília. Foto | José Cruz – Agência Brasil

O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI) decidiu cancelar reunião que ocorreria na tarde de hoje e na qual seria definida a manutenção do partido na base aliada ou o desembarque do governo. Ele atendeu ao pedido do grupo oposicionista do partido, que quer se afastar da presidente. Estes parlamentares argumentaram que a reunião não teria valor jurídico, porque não é uma convenção deliberativa. Para evitar mais divisão interna, Ciro acabou cedendo.

Na manhã de ontem o dirigente havia decidido antecipar o encontro, marcado inicialmente para o dia 11 ou 12. Nesta reunião, deputados e senadores votariam nominalmente pelo apoio ou não a Dilma. O resultado por maioria simples prevaleceria. No entanto, o PP decidiu esperar um pouco mais.

Pelas contas dos deputados progressistas, 20 são contra o impeachment, 20 a favor e outros dez estão indefinidos, a espera das negociações de cargos com o Palácio do Planalto. O deputado roraimense Hiran Gonçalves participou da reunião.

Só pode ser birra
O projeto de Mecias e Gabriel foi vetado. Mas o governo editou um igual.
O projeto de Mecias e Gabriel foi vetado. Mas o governo editou um igual.

Não é mentira não. O Diário Oficial do Estado, do dia 1º de abril, exibe mensagem governamental que estabelece parâmetros para a remissão, renegociação e parcelamento de dívidas resultantes de operações de créditos contratados junto ao extinto Banco do Estado de Roraima (Baner).

Trata-se de uma incoerência provinciana e absurda porque a mesma matéria foi votada, aprovada e encaminhada para sanção governamental, posteriormente vetada pela governadora Suely Campos.

Se já estava zangado com o desprezo o autor do projeto rejeitado, o deputado Mecias de Jesus certamente está rindo por considerar a atitude do governo uma chacota, só pode.

Multar é pouco
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O veículo invadiu a ciclovia e só parou com estouro dos pneus.

Um dia depois de ser inaugurado, o trecho da ciclovia na avenida Ville Roy, Zona Leste de Boa Vista, foi alvo do desrespeito de um motorista imbecil que invadiu o espaço destinado aos ciclistas e danificou parte do meio-fio.

O flagrante foi feito por populares que registraram a situação em fotos. Uma das imagens mostra o veículo transitando na ciclovia, em outra é possível ver a estrutura danificada.

A infração é considerada gravíssima para o condutor que for pego transitando em ciclovia, o valor da multa é de R$ 574,62 e menos sete pontos na carteira de habilitação.

Retorno às aulas
Alunos foram recebidos ontem para o início do ano letivo de 2016 na rede estadual.
Alunos foram recebidos ontem para o início do ano letivo de 2016 na rede estadual.

A manhã de ontem, 4 de abril, foi de nova rotina para quase 10.600 alunos da rede estadual de ensino. O ano letivo de 2016 iniciou em 17 escolas da Capital e os alunos retornaram para sala de aula.

Estas unidades estavam inseridas no Calendário 3 de matrícula, elaborado devido à greve dos professores em 2015. O último calendário inicia o ano letivo no dia 25 de abril, com 32 escolas.

As escolas que começam o ano letivo ontem encerram o período de aula no dia 9 de agosto. O recesso inicia no dia 10 e se estende até do dia 24 de agosto. As aulas do segundo semestre retornam no dia 25, fechando o ano letivo 2016 no dia 11 de janeiro de 2017.  Essas escolas terão aulas de reposição aos sábados para fechar o calendário escolar com 200 dias letivos.

Sangue indígena recuperado
03/04/2015- Roraima- RR, Brasil- Em uma cerimônia que durou pouco mais de três horas, 2.693 frascos de sangue foram pacientemente derramados em um buraco cavado em um dos pilares da Yanoa (maloca na língua yanomae). Foi assim, na tarde da última sexta-feira (3), que os Yanomami honraram os seus antepassados que, entre as décadas de 1960 e 1970, tiveram o sangue coletado por pesquisadores estrangeiros sem a autorização das lideranças do povo.
Frascos de sangue sendo derramados em um buraco cavado na terra indígena Ianomami Tootobi, em Roraima. Foto | Leonardo Prado.

O Ministério Público Federal (MPF) recebeu, na segunda-feira, 4 de abril, a terceira remessa de amostras de sangue de indígenas da aldeia Toototobi, na Terra Indígena Yanomami em Roraima, coletados sem autorização por pesquisadores dos Estados Unidos na década de 60.

O envio faz parte de um acordo entre o MPF, intermediado pela Câmara que atua na defesa dos povos indígenas e de comunidades tradicionais e pela Secretaria de Cooperação Internacional (SCI), com as universidades de Ohio e Northwest.

Para a etnia Yanomami, as amostras de sangue são consideradas restos mortais que precisam seguir cerimônias funerárias apropriadas em local considerado sagrado.

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As obras de revitalização da Avenida das Guianas tiveram início na manhã de ontem. Foto | Ascom/PMBV.

Melhorias na av. das Guianas | Uma das avenidas mais movimentadas da capital vai passar por mudanças. A avenida das Guianas está recebendo desde ontem obras de duplicação e urbanização no trecho de um quilômetro e meio, que vai da rotatória da praça Simon Bolívar até a Ponte dos Macuxi. A reestruturação do local vai beneficiar os comerciantes, moradores da região e até de outros municípios, que passam todos os dias pelo trecho. Serão realizados os serviços de ampliação das faixas de tráfego, construção de calçadas, canteiros, estacionamentos e recapeamento. Os serviços devem ser concluídos até o final do segundo semestre.


CONTATOS: www.peronico.com.br – e-mail: peronico.27@gmail.com – Facebook: Peronnico Expedito – Blog do Expedito Peronnico.

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By peronico

Expedito Perônico, jornalista e colunista de política. Este blog cobre os bastidores do poder em Roraima e em Brasília. Já atuei nos principais veículos de comunicação de Roraima.

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