Temer promete solução para a crise migratória, anuncia alguns benefícios para Roraima mas não fechará a fronteira.

A Coluna de Hoje | Publicada 00h13m

Temer prometeu ontem em Boa Vista uma série de benefícios para RR e vai cuidar da migração. Fotos| Beto Barata/PR

Nas poucas horas de sua estada em solo boa-vistense, o presidente Michel Temer prometeu soluções para a crise migratória, novamente deu esperanças sobre a questão energética tornando possível a construção do Linhão de Tucuruí, comprometeu-se em liberar as terras da União para o domínio do Estado e disse que muitas coisas boas para Roraima virão como resultado de sua vinda aqui.

Porém afirmou algo que continuará a preocupar os roraimenses: não vai fechar a fronteira com a Venezuela como forma de conter a migração, mas anunciou uma espécie de força-tarefa para dobrar efetivo militar na fronteira e criar hospital de campanha para atender refugiados venezuelanos em Roraima até o fim do ano.

Temer interrompeu os dias de descanso na base naval da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, onde passa o carnaval com a família. Após a reunião retornou ao Rio. A reunião, ocorrida no Salão Nobre do Palácio do Governo contou com a presença da governadora Suely Campos, da prefeita Teresa Surita, do presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier, da desembargadora Elaine Bianchi, presidente Tribunal de Justiça de Roraima, do senador Romero Jucá e demais parlamentares da bancada roraimense no Congresso.

O presidente informou que deve editar na próxima quarta ou quinta-feira (15) uma medida provisória para criar um grupo responsável por coordenar assuntos relacionados à migração de venezuelanos, em Roraima. Segundo Temer, o comitê que será criado terá participação da União e do estado, sem gerar nenhuma interferência nas “questões internas de Roraima”.

Ele acrescentou que “não faltarão recursos para solucionar a questão”, tanto no aspecto humanitário quanto para solucionar problemas no estado gerado pela imigração. “Não descansarei enquanto não resolver os problemas de Roraima”, disse.

Temer afirmou que, se não foram tomadas medidas, os problemas da migração serão estendidos para outros estados. Ele defendeu a proteção à integridade territorial, o emprego dos habitantes de Roraima, mas sem esquecer da “questão humanitária” com relação aos venezuelanos. “Os venezuelanos são obrigados a sair do seu país sem desejá-lo. [Eles] vem para cá em situação de miserabilidade absoluta”, acrescentou. “Ninguém vai impedir a entrada de refugiados” no Brasil, mas o governo vai “ordenar” o ingresso no país. Com Informações | Agência Brasil e agências nacionais

Fronteira não será fechada

A fronteira dos dois países (em Pacaraima) continuará aberta, porém, será mais vigiada com forças federais.

Temer disse que o Brasil não vai fechar fronteiras com a Venezuela e afirmou que agora que veio pessoalmente ao Estado é possível ter uma visão mais real do problema da imigração, que, segundo ele, vai chegar aos estados restantes do país.

“Os venezuelanos vão criar problemas para outros estados brasileiros se não tomarmos providências. Este é o aspecto principal. Precisamos preservar as fronteiras e os empregos dos brasileiros, mas não podemos deixar de receber os refugiados que vem para cá em situação de miserabilidade absoluta“.

O presidente garantiu que vai liberar os recursos necessários para organizar e conter o avanço da migração. “Essa força tarefa vai atuar de forma imediata. Os ministros de governo estão avisados. Vamos liberar o dinheiro necessário para resolver o problema”.

‘Oposição não é para derrubar governos’, diz temer

Temer propôs mais diálogo entre os políticos locais e criticou a oposição que só pensa em ‘derrubar governos’.

Temer fez uma reflexão para os políticos locais, presentes na reunião de ontem – aliás estavam ali as mais proeminentes lideranças locais – a cerca de distinção de Governo e Estado.

Um recado claro sobre as desavenças paroquiais que existem há décadas corroendo e castigando o Estado enquanto os Governo chegam e passam sem que os resultados pretendidos pela população sejam alcançados.

Temer disse “oposições’ existem para derrubar governos. Disse que a função dos opositores deve ser ajudar os governantes a “acertar o rumo”.

“É importante a oposição, porque ela ajuda a governar. Oposição não existe para derrubar o governo”, declarou Temer. De acordo com ele, em geral, a ideia de oposição que se tem é política, e não jurídica. O presidente afirmou que a oposição serve para criticar as “demasias” de um governo, para que o “sujeito que está no governo vá olhar aquilo e acertar o rumo”.

Presidente defende união de políticos locais

O presidente ressaltou a união dos grupos políticos locais em torno de objetivos comuns para o Estado.

Temer ressaltou a união de políticos da oposição em Roraima para encontrar soluções para o problema dos venezuelanos. E usou a declaração para dizer que sua ida ao Estado não teve motivações políticas.

“Tenho mostrado ao longo desse um ano e seis meses que não tenho nenhuma preocupação politiqueira”, declarou, ressaltando que, se tivesse, não teria tomado “medidas radicais”, como o teto dos gastos públicos e as reformas do ensino médio e trabalhista.

Em seu discurso, Temer fez ainda questão de ressaltar que os milhares de venezuelanos que estão entrando no Brasil e recebendo carteiras de identidade provisórias não terão direito de votar nas eleições de outubro. Só terão, disse, caso se naturalizem como brasileiros.

Teresa cobra de Temer medidas efetivas 

A prefeita Teresa foi bem objetivo e disse que as ações têm que ser imediatas, concretas e urgentes. Foto | Agencia Brasil

“Precisamos de ações concretas e urgentes”. Essa foi a principal cobrança da prefeita Teresa Surita durante a reunião com o presidente Michel Temer.

De acordo com Teresa, o principal foco do encontro foi mesmo a crise imigratória venezuelana, passando pelas questões energéticas e fundiárias, que tanto têm emperrado o desenvolvimento de Roraima.

“Estamos em busca de medidas concretas para solucionar problemas históricos. Acabo de pedir ao presidente, em minha fala, medidas efetivas para resolver a crise humanitária pela qual passamos em Boa Vista e respostas aos demais problemas que já são de pleno conhecimento de todos há tempos”, escreveu a prefeita em seu perfil no Facebook, ainda durante o encontro.

Em resposta à prefeita, o presidente Temer prometeu que “não vai descansar” enquanto não resolver o problema da invasão venezuelana no estado.

Após o encontro, em rápida entrevista concedida aos jornalistas, Temer disse que há três gargalos que precisam ser removidos para que Roraima venha tomar o rumo do desenvolvimento: a questão da imigração, a autorização para a implantação do Linhão de Tucuruí, e a liberação da BR-174, com a retirada da corrente que impede o tráfego no período das 18h às 6h, diariamente, pleitos feitos anteriormente também pelo senador Romero Jucá.

Jucá promete acompanhar ações

Romero Jucá, responsável pela vinda de Temer a Boa Vista, se manifesta durante a reunião de ontem em Boa Vista.

Responsável direto pela vinda de Temer a Boa Vista, o líder do Governo Romero Juca (MDB), afirmou que vai acompanhar de perto a execução das medidas anunciadas pelo presidente.

Ele disse que pediu ao presidente maior atenção para Roraima e testemunhou que as reivindicações serão atendidas. “Ele [Temer] veio nos garantiu soluções para os problemas que enfrentamos. Agora, vou acompanhar essas ações que, com certeza, ajudarão no enfrentamento à crise migratória e no desenvolvimento de Roraima”, disse Jucá.

O senador acredita que sentiu comprometimento do presidente naquilo que prometeu. As soluções para tudo que foi tratado como passagem do Linhão de Tucurui pela reserva indígena, a retirada da corrente da BR-174 na região do Jundiá e a questão da migração virão, segundo Jucá a partir da visita de ontem.

“Uma coisa é irmos a Brasília reivindicar coisas diversas. Outra é o próprio presidente vi aqui e sentir nossas dificuldades. A parti de agora ele terá subsídios para ver que o Governo Federal precisa socorrer Roraima em determinadas situações. Acredito que muitas coisas boas virão a partir de agora”, disse o senador.

Suely faz pedidos: ‘reunião proveitosa’, disse

Suely entrego ao presidente da República um documento contendo uma série de reivindicações para Roraima.

A governadora Suely entregou um documento propondo ações que pretendem minimizar o impacto causado pelo alto número de imigrantes venezuelanos que chegaram a Roraima nos últimos meses.

Entre as propostas estão o aumento de efetivo da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), além da atuação do Exército brasileiro no policiamento ostensivo em Pacaraima, cidade que faz fronteira com a Venezuela.

Ela disse que tratou também com Temer sobre pautas locais, como a transferência de terras para o estado e acerca do linhão de Tucuruí. O governo do estado pediu R$ 15 milhões para todas as ações relacionadas ao fluxo migratório.

“Finalmente o governo federal entendeu a gravidade do que Roraima está passando. Tínhamos há muito tempo solicitado que o governo federal viesse assumir a questão que é de responsabilidade dele […] Foi uma reunião muito proveitosa”, declarou Suely.

Jalser cobra solução para questão energética

Jalser reivindica de Temer uma melhor atenção para o setor energético roraimense, segundo ele, desassistido.

Ao se manifestar na reunião com Temer, o presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier, aproveitou para reforçar o pedido de uma solução imediata para a questão energética e ainda para a corrente na BR-174, que impede o trânsito entre os estados de Roraima e Amazonas, por 12 horas todos os dias.

“É preciso resolver a questão energética, interligando Roraima ao SIN (Sistema Interligado Nacional) por meio do Linhão de Tucuruí, e que seja retirada da corrente que fecha a BR-174 por 12 horas, a partir das 18h até às 6 horas. São questões que travam o desenvolvimento do Estado e que precisam ser resolvidas também”, pontuou.

Sobre a crise migratória, principal pauta da reunião de hoje, Jalser disse que as ações apresentadas precisam ser colocadas em prática o mais rápido possível. “Entendemos a situação que os irmãos venezuelanos estão passando. Não é fácil deixar seu país por conta de um governo ditador que está massacrando o povo que passa fome, que necessita de médico, de segurança. Roraima é um Estado hospitaleiro, mas que sozinho não tem condições de assumir uma responsabilidade dessa envergadura”, disse.

Uma mesma aldeia

Suely e Jalser foram colocados lado a lado na reunião de ontem com o presidente Michel Temer no Palácio.

Houve um lapso de civilidade entre políticos antagonistas que sentaram à mesma mesa ontem de manhã no Palácio do Governo na reunião com o presidente Michel Temer. Todos os pronunciamentos convergiram para a mesma causa: a defesa dos interesses do Estado.

Mas era visível o ‘climão’ nada amistoso entre a governadora Suely Campos e o presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier, colocados lado a lado. Enquanto durou a reunião Suely manteve-se emudecida e de cara trombuda, olhando quase sempre apenas para um lado.

Os dois são protagonistas de um episódio rumoroso, no mês passado, por ocasião da renúncia de Paulo Quartiero e o aparecimento de um cheque que segundo a própria Suely seria do Jalser para recompensar o ex-vice.

Jalser não se manifestou ainda sobre o episódio que se encontra sob investigação aguardando perícia do o documento e a conclusão sobre a quem de fato pertence o cheque e se a assinatura e o valor são verdadeiros.

‘Falastrão’, Telmário não deu as caras

Na reunião de ontem apenas Telmário não esteve presentes entre a maioria dos líderes políticos roraimenses.

Quando é para gotejar seu veneno sobe os adversários, acusando todo mundo de não fazer nada por Roraima, o senador ‘nibirú’ Telmário Mota se exibe demasiadamente nas redes sociais.

Mas perdeu ontem uma grande oportunidade de se manifestar sobre tudo o que diz respeito aos problemas de Roraima, já que se auto-classifica com o melhor senador roraimense.

Dos 11 parlamentares com assento no Congresso Nacional, apenas Telmário não mostrou a cara na reunião com o presidente Temer, numa clara demonstração que faz política com sentimento e não fundamentada na razão.

Deveria ter ido lá – assim como foram Romero Jucá, Ângela Portela, Teresa Surita, Jalser Renier e os demais deputados federais. Essa omissão de Telmário mostra bem sua postura rasteira como senador da República.

Mas quando se mostra nas redes sociais, longe da realidade, exibe-se feito galo de raça. Independentemente de divergências políticas, o senador deveria ter ido lá e feito seu discurso.

Deputado Dhiego Coelho sofre acidente

O deputado Dhiego Coelho sofreu acidente enquanto fazia trilha de Jipe na região da Gran Sabana.

A Assembleia Legislativa informou ontem no meio da noite, por nota, que está cuidando da remoção do deputado estadual Dhiego Coelho, que se acidentou gravemente ontem enquanto fazia trilha no Município Gan Sabana, na Venezuela.

As primeiras informações dão conta de que o parlamentar sofreu várias fraturas e e a remoção não seu deu ontem por problemas meteorológicos e por razões de horário,  permitindo o pouso do helicóptero disponibilizado pela Assembleia Legislativa.

A aeronave porém pousou em Uiamutã onde decolará nesta manhã com destino ao local do acidente. Para o município de Uiramutã foram duas equipes de médicos, uma da Secretária de Saúde e outra do Corpo de Bombeiros, especializada em resgate e mobilização.

Após o resgate, o helicóptero retornará para Uiramutã, onde uma aeronave irá trazer o parlamentar para Boa Vista, para os procedimentos médicos.


CONTATOS DO AUTOR www.peronico.com.br – e-mail: peronico.27@gmail.com – Facebook: Peronnico Expedito – Blog do Expedito Peronnico.

Mais Noticias

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: