20/09/2026 às 11h09min - Atualizada em 20/09/2026 às 11h09min

O B a BÁ DO PERÔNNICO: Hélio Negão aparece na planilha do jogo do bicho no Rio de Janeiro

Expedito Peronnico

Expedito Peronnico

Política, bastidores, negócios.

A magreza na campanha de Hélio ‘Negão’ para o Senado em Roraima agregou mais um componente negativo nesta semana. Planilhas apreendidas pela Polícia Federal (PF) com um dos integrantes da nova cúpula do jogo do bicho do Rio de Janeiro indicam o pagamento de mais de R$ 10 milhões em propina para aliados muito próximos da família Bolsonaro, inclusive para ‘Negão’.

Os documentos foram encontrados durante a operação contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, durante uma das fases da Operação Smoke Free, que investiga a venda de cigarros ilegais no Rio de Janeiro.

Segundo a PF, as anotações do bicheiro revelam um esquema de cooptação de autoridades no estado do Rio de Janeiro pelo crime organizado. A relação de Adilsinho reúne ao menos 61 políticos, entre eles membros do Congresso e da Alerj, entre outros órgãos.

Os pagamentos a agentes políticos somam mais de R$ 29 milhões – a investigação não explica quando eles teriam sido feitos.

A lista de aliados DOS BONSONAROS

  • O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), com R$ 3,63 milhões;
  • O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil), R$ 5,43 milhões, identificado pelo codinome “Barba”;
  • O deputado federal Hélio Lopes (PL), R$ 323,2 mil;
  • O ex-deputado federal e ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem (PL), com R$ 91,8 mil;
  • O ex-secretário do governo Castro e candidato a deputado federal Gutemberg Fonseca (PL), com R$ 727,9 mil;

Hélio Bolsonaro

O deputado federal Hélio Lopes é um dos amigos mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem conheceu na década de 1980 quando ambos ainda estavam no Exército. A proximidade era tanta que ele disputou uma vaga na Câmara dos Deputados em 2018 com o nome de Helio Bolsonaro na urna e foi eleito. Durante o mandato de Bolsonaro, ele era presença frequente nas agendas do presidente, com livre trânsito no Palácio do Planalto.

O esclarecimento de Hélio

O deputado federal Hélio Lopes, que é candidato ao Senado por Roraima, enviou nota negando qualquer envolvimento com Adilsinho:

“A assessoria de comunicação do deputado federal Helio Lopes (PL-RJ) esclarece que o parlamentar não reconhece os valores, nem a anotação atribuída ao seu nome, constantes na suposta planilha mencionada no âmbito da investigação.

Despesas registradas

Todas as receitas e despesas de sua campanha eleitoral de 2022 foram devidamente registradas e declaradas à Justiça Eleitoral, em estrita observância à legislação vigente. A prestação de contas foi regularmente aprovada pela Justiça Eleitoral e permanece pública, podendo ser consultada nos canais oficiais.

Não teve apoio de Adilsinho

O deputado também esclarece que não recebeu recursos ou apoio financeiro provenientes de Adilsinho ou de gráficas investigadas na operação.

Desconhece a acusação

É importante ressaltar, ainda, que até o momento, o deputado Helio Lopes não foi procurado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre os fatos mencionados que ele desconhece.  No entanto, o parlamentar informa que está à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários e colaborar com as investigações”, diz o posicionamento.

A família Bolsonaro

De acordo com a PF, as duas planilhas são evidências de um amplo esquema multimilionário de compra de apoio político. Os supostos pagamentos beneficiam políticos de uma ampla gama de partidos, quase todos da extrema direita e do Centrão, ligados ao clã Bolsonaro.

Rebeca é liberada

Mesmo morando no Estados Unidos onde acompanha o marido exilado, Alexandre Ramagem, Rebeca Ramagem – que é procuradora do Estado de Roraima – conseguiu ter o registro de sua candidatura a deputada federal pelo Rio de Janeiro liberado. A decisão é da última quinta-feira (17).

Já tinha maioria

A Corte já tinha maioria pela aprovação do registro antes da suspensão. Na sessão anterior, o placar estava em quatro votos a um pelo deferimento. O único voto contrário havia sido do relator, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho.

‘Veículo’ para Alexandre

A desembargadora eleitoral Tathiana Costa abriu a retomada do julgamento com um voto pelo indeferimento da candidatura. Ela acompanhou integralmente o relator e afirmou que o caso não envolve apenas o vínculo familiar entre Rebeca e Alexandre Ramagem, mas a participação ativa e atual do ex-deputado na campanha da mulher.

Ação direta de Ramagem

A magistrada destacou que Rebeca não responde a inquérito ou ação penal e que não atribui à candidata qualquer responsabilidade criminal pelos atos do marido. Para ela, porém, a presença de Ramagem, condenado pelo Supremo e atualmente foragido, nas peças de campanha e nas redes sociais da candidata configura uma atuação direta em favor da candidatura.

Veículo de campanha

“A candidatura deixa de ser projeto autônomo da requerente para se tornar veículo de presença política de quem está impedido de disputar”, afirmou. A desembargadora Tathiana aplicou ao caso o artigo 17, parágrafo 4º, da Constituição, que impede os partidos políticos de utilizar organizações paramilitares.

Votos vencidos

O relator e a magistrada, entretanto, foram vencidos no julgamento. A maioria dos desembargadores entendeu que não havia elementos suficientes para impedir o registro de Rebeca Ramagem com base na participação do marido em sua campanha.

‘Home office’ e papelão

Com a decisão, Rebeca Ramagem está autorizada a concorrer a uma vaga de deputada federal nas eleições de outubro. Detalhe inusitado: ela nunca pós os pés no Rio de janeiro para pedir votos. Faz campanha dos Estados Unidos em ‘home office’ com a utilização de bonecos de papelão dela e do marido nas reuniões.