O governador de Roraima, Soldado Sampaio (Republicanos), candidato ao governo nas eleições de 4 de outubro, fez neste domingo (20) um balanço dos primeiros 100 dias de sua gestão. A avaliação foi dada em entrevista de duas horas ao programa Agenda da Semana, da Rádio Folha.
Apresentado pelo economista Getúlio Cruz, o programa reservou a primeira hora a perguntas do apresentador e a segunda a perguntas dos ouvintes. Sampaio disse que, ao assumir o governo, em 30 de abril, encontrou a saúde pública "abandonada". Como exemplo, citou 49 mil pessoas à espera, havia mais de um ano, por consulta com médico especialista e 3 mil na fila de cirurgias ortopédicas. Segundo ele, hoje são feitas, em média, de 20 a 30 cirurgias por dia.
O governador afirmou que a Secretaria de Saúde (Sesau) tem procurado pacientes em casa para operações de hérnia, vesícula e outras cirurgias gerais.
"Já atendemos para mais de 90%. Ainda temos muitas pessoas que estão com o telefone desatualizado. Cinco servidores da Sesau estão indo de casa em casa buscar as pessoas para fazer essas cirurgias", disse.
No interior, Soldado Sampaio citou a entrega de reformas nos hospitais de Bonfim, Normandia e Caracaraí, este último de volta às cirurgias após 11 anos. Afirmou negociar com o prefeito de Uiramutã a transferência do hospital do município para uma UBS, enquanto o governo reconstrói a unidade local. Prometeu ainda entregar o Centro de Radioterapia até o fim de outubro.
Na área da alimentação escolar, o governador disse ter encontrado as cooperativas agrícolas sem receber havia dois meses, referentes a um edital de R$23 milhões lançado no ano passado para a compra de merenda. Segundo ele, as dívidas foram pagas e um novo edital foi encomendado para o ano que vem.
Sampaio afirmou ter determinado que a merenda inclua o máximo possível de produtos da agricultura familiar. "Tirar o achocolatado, e em vez disso colocar produtos da agricultura familiar: o açaí, o mel, a paçoca, o peixe, a nossa polpa de suco. Em vez de comprar esses R$ 50 a R$ 70 milhões de produtos industrializados, de outros estados, a gente injeta na agricultura familiar local", declarou.
Sobre a produção no campo, disse ter orientado o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater) a respeitar a vocação agrícola de cada região, em vez de priorizar a monocultura do milho. Lembrou também que criou no órgão a Diretoria da Agricultura Familiar Indígena.
Em obras nas estradas, o governador disse que o Estado fez "quase 2 mil km de vicinal em apenas 100 dias de governo". Até novembro, afirmou, serão concluídos cerca de 137 km de asfalto nas sedes e nas vilas dos municípios, e 19 mil pontos de iluminação pública serão trocados por lâmpadas de LED, em parceria com as prefeituras.
Na área fundiária, Soldado Sampaio reafirmou a meta de entregar 14 mil títulos urbanos por meio do Iteraima. Como exemplo, citou o bairro Mangueirinha, em Boa Vista, que decretou de interesse público e social após intermediar uma disputa judicial. Segundo ele, os moradores já receberam os títulos dos lotes. Na habitação, disse haver 240 unidades de apartamentos em construção pelo Minha Casa, Minha Vida, e que vai construir um conjunto para servidores, em terreno já destinado para essa finalidade.
Na segurança, o governador disse que seu governo realizou "a maior operação contra o crime organizado", contra a facção Tren de Aragua, com 36 mandados de busca e apreensão e quase R$ 400 milhões apreendidos nas contas dos integrantes. "Eu tenho coragem de enfrentar essas facções com a força policial, com a inteligência e com a justiça", declarou.
Questionado sobre casos recentes de feminicídio na capital e sobre os índices de violência contra a mulher no estado, Sampaio citou a nomeação, pela primeira vez, de três mulheres para o comando da segurança pública e que remanejou R$ 14 milhões para a Setrabes e a Polícia Civil, a fim de custear políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. "Não é só um trabalho de polícia, é um trabalho da sociedade", afirmou.
No início da entrevista, o governador falou de sua origem humilde e dos trabalhos que exerceu: servente de pedreiro, vendedor de rua, gari, recenseador em 2000 e soldado da Polícia Militar de Roraima. Ao projetar a reta final da campanha, Sampaio se disse "empolgado, pronto, preparado e querendo" e convicto de que vencerá a eleição.