21/09/2023 às 07h17min - Atualizada em 21/09/2023 às 07h17min

Garimpeiros amarram indígenas a troncos dentro de reserva Yanomami em Roraima.

Indígenas yanomami entregaram ao Ministério Público, à Polícia Federal e à Funai imagens duas crianças e um adolescente indígenas amarradas a troncos de árvores. Na gravação, os invasores acusam os indígenas de terem roubado um celular.

- Fonte: Rede Globo
Reprodução: Rede Globo.

Indígenas afirmam que duas crianças e um adolescente yanomami foram amarrados a troncos de árvores e ameaçados por garimpeiros dentro da reserva.
 

No meio da mata, na Terra Yanomami, enquanto grava, o homem grita: “Tira o cartucho, tira o cartucho, traz o celular, traz o celular. Cadê o celular? Pode amarrar. Vá buscar os cartuchos da espingarda". Em outro trecho, os três indígenas estão amarrados a postes de madeira.
 

Os vídeos teriam sido gravados na tarde de terça-feira (19) pelos próprios garimpeiros em território indígena Yanomami na região de Surucucu. Em um trecho da gravação, os invasores acusam os yanomami de terem furtado celulares. Na tentativa de recuperarem os objetos, os garimpeiros os amarraram e ameaçaram.
 

Em ofício enviado ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal, à Funai e ao Ibama, a Associação Hutukara Yanomami diz que não foi possível apurar como terminou o episódio, mas que a gravidade do caso exige uma resposta rápida das forças de segurança.

 

"Uma violência brutal na região do Hakoma que aconteceu isso, e as crianças estão correndo risco nessa região. E os garimpeiros amarraram as crianças. Isso a gente recebeu. Por isso, nós estamos preocupados. As autoridades - como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Funai, o Exército e o Ministério Público -, queremos apuração urgente nessa violência grave que está acontecendo na Terra Yanomami", diz Dario Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami.

 

Hakoma é uma região perto do município de Alto Alegre, onde há um dos maiores índices de garimpo ilegal do país.
 

Alvo há décadas de garimpeiros ilegais, o maior território indígena do Brasil enfrentou nos últimos anos o avanço desenfreado da atividade ilegal no território. Em 2022, a devastação aumentou a 54% em relação ao ano anterior - cenário que tem mudado com as ações deflagradas desde janeiro desde 2023. Mas segundo dados do próprio Ministério da Defesa, os garimpeiros ainda ocupam 215 hectares do território indígena.


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