11/12/2023 às 08h14min - Atualizada em 11/12/2023 às 08h14min

Roraima tem a maior taxa de mortes violentas de indígenas entre os estados da Amazônia

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 46 indígenas foram mortos em circunstâncias violentas no estado em 2021

- Fonte: FBSP
Foto: Funai (Divulgação)
Roraima é o estado da Amazônia Legal com a maior taxa de mortes violentas intencionais de indígenas. O estudo Cartografias da Violência da Amazônia, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que 46 foram assassinados no estado em 2021, colocando a taxa em 47,3 por 100 mil habitantes. 

O estado abriga as Terras Indígenas (TIs) Raposa Serra do Sol e Yanomami. Esta última, a maior TI do Brasil em território, vem sofrendo crise humanitária devido ao avanço do garimpo ilegal. Tanto que o Ministério da Saúde decretou, em janeiro, Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional na região.

 
"Além das ameaças socioambientais do garimpo ilegal e insegurança alimentar dos indígenas em Roraima, a violência letal também está muito presente. Vale lembrar que, em termos de registros policiais, Roraima é um dos estados com menor nível de identificação de etna/raça/cor das vítimas, o que significa dizer que as polícias podem ainda não ter se dado conta do tamanho do problema", detalha o estudo do FBSP.

Taxas de mortes de indígenas na Amazônia Legal e no resto do Brasil
A taxa de Roraima é consideravelmente superior à do segundo colocado, Tocantins, de 15 por 100 mil habitantes. O Maranhão vem em terceiro, com 14,2 por 100 mil.
No Amazonas, estado com a maior população indígena do país (490.854 pessoas, segundo dados do Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa foi de 8,4 em 2021 -- 41 mortos naquele ano.

Ao todo, 200 indígenas foram assassinados no Brasil em 2021, último ano disponível do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/Datasus).

Desse número, 114 mortes ocorreram na Amazônia Legal, que contempla nove estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão). Essas nove unidades da federação concentram 867.919 indígenas, enquanto 825.616 moram no resto do país, de acordo com o IBGE.

Entre 2018 e 2021, houve queda no número absoluto de vítimas indígenas: 18% na Amazônia Legal, 14,9% nos demais estados e 16,7% no índice total nacional.
A taxa de mortes violentas de indígenas na Amazônia Legal foi 26% maior do que fora dela em 2021: 13,1 para cada mil 100 mil pessoas contra 10,4 por 100 mil no resto do país. O índice nacional é de 11,8 por 100 mil indígenas. 

Municípios com mais mortes violentas de indígenas
Amazonas (5) e Roraima (3) dominam o top 10 de municípios com maior número de indígenas assassinados entre 2018 e 2021. A liderança é da cidade de Alto Alegre (RR), onde 80 morreram nesse período.

As duas maiores taxas de mortes em 2021 também foram registradas em Roraima: Iracema (515,8 por 100 mil indígenas) e Caracaraí (471,3 por 100 mil). Entre 2018 e 2021, Caracaraí apresentou queda de 68,4%, enquanto Iracema teve alta de 125%.

Cidade brasileira com a maior população indígena, com 48.256 habitantes, São Gabriel da Cachoeira (AM) teve taxa de 12,4 por 100 mil em 2021. Lá, entre 2018 e 2021, 36 indígenas morreram de forma violenta.

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