Quartieiro teve licença negada para produzir arroz no Marajó em agosto de 2023; ele deve responder por injúria

Secretaria de Estado de Meio Ambiente disse que faltaram documentos para poder emitir a Licença de Atividade Rural; Quartiero deve responder por ofensas contra servidores

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Paulo César Quartieiro está proibido de produzir arroz na Ilha do Marajó (Pará) por irregularidades na
Paulo César Quartieiro está proibido de produzir arroz na Ilha do Marajó (Pará) por irregularidades na fazenda Acostumado.
A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) disse, por meio de nota, que o fazendeiro Paulo Cesar Quartiero, ex-deputado federal e ex-vice-governador de Roraima, já teve um pedido de Licença de Atividade Rural negado para a Fazenda Acostumado, que teve suas atividades embargadas pelo órgão na quinta-feira passada (28) durante a Operação Mal Acostumado, que contou com agentes da Semas, da Polícia Civil e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cachoeira do Arari, no Arquipélago do Marajó.

Segundo a Semas, a análise do pedido de Licença foi feita em agosto do ano passado. O indeferimento foi causado por “por pendências quanto à documentação fundiária do imóvel que o empreendimento ocupa”. A Polícia Civil também confirmou que Quartiero será indiciado pelos crimes de desacato a autoridade e injúria racial, para os quais foi registrado um boletim de ocorrência na delegacia de Polícia Civil de Cachoeira do Arari.

 
“Após ser autuado administrativamente pelos crimes ambientais, o proprietário desacatou e praticou ofensas homofóbicas aos agentes ambientais, sendo autuado pelos crimes de desacato e injúria racial. As investigações seguem em andamento para apurar todos os crimes”, informou a Polícia Civil por meio de nota.

Entenda o caso
A Operação Mal Acostumado, que foi batizada em alusão ao nome da fazenda, interditou a Fazenda Acostumado e aplicou multas por falta de licenças ambientais e de uso da propriedade para atividade agropecuária. Até que o fazendeiro consiga organizar toda a documentação, a produção agrícola e pecuária está proibida no local.

Ao todo, foram aplicadas três multas com valor total superior a R$ 1 milhão. Os fiscais não encontraram licença do tanque de combustível e, por isso, aplicaram multa e apreenderam o combustível. Também não encontraram licença ambiental para o uso do rio e para a atividade agropecuária.

O fazendeiro Paulo Cesar Quartiero, que filmou parte da ação (assista abaixo), confirmou a interdição ao Notícia Marajó e disse que deve procurar as federações ligadas ao setor produtivo e o governador Helder Barbalho para tentar sensibilizá-lo sobre a “importância de se produzir alimento no Marajó”.

Ele já conseguiu o apoio do secretário de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Giovanni Queiroz, de quem já foi colega na Câmara dos Deputados, para intermediar o encontro no começo da próxima semana.

Vou tentar me encontrar com o governador e  tentar mostrar para ele como é importante produzir alimento no Marajó. Se ele [Helder] entender que não é importante plantar e colher arroz, aí eu vou embora”, afirmou.

A conversa com Helder é uma cartada para tentar conseguir as licenças ambientais para trabalhar no Marajó. Quartiero disse que tem pressa, pois tem milho plantado no ponto para colher, além de arroz já plantado e arroz para plantar.

Ocupação em loteamento da fazenda
A fazenda Acostumada, antiga Espirito Santo, é a loteadora do empreendimento que foi ocupado por cerca de 600 famílias em agosto do ano passado e que esta semana teve a audiência de justificação remarcada pela Justiça no processo de reintegração de posse movido por Quartiero.


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