O Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou uma auditoria sobre a execução do crédito extraordinário de pouco mais de 1 bilhão de reais aberto pelo governo Lula no ano passado para custear ações de saúde e proteção contra garimpeiros e madeireiros na terra indígena yanomami, em Roraima
Em sessão em 29 de outubro, o plenário do TCU determinou diligências junto à Casa Civil, ao Ministério dos Direitos Humanos e ao Ministério dos Povos Indígenas, questionando as pastas sobre o acompanhamento da regularidade da execução orçamentária.
A Casa Civil deverá, no prazo de quinze dias úteis, apresentar as seguintes informações:
A Corte de Contas também demandou, aos ministérios dos Direitos Humanos e dos Povos Indígenas, acesso a uma série de processos, como os termos de colaboração com o Centro Popular de Formação da Juventude e a Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos.
Com o plenário do TCU colocando pressão sobre o Executivo, a investigação busca esclarecer como os recursos do crédito extraordinário, liberados em 2024, foram de fato aplicados. O foco está em verificar se o dinheiro chegou onde deveria: nas comunidades indígenas, que enfrentam crise humanitária grave.
As pastas da Casa Civil, Ministério dos Direitos Humanos e Ministério dos Povos Indígenas terão que relatar ponto a ponto todas as ações desenvolvidas, detalhando critérios de escolha, acompanhamento das verbas e resultados efetivos. Na mira também estão contratos com ONGs, empresas privadas e gastos individuais, que levantaram suspeitas de favorecimento a terceiros.
Essas informações vão fundamentar o parecer final do tribunal e podem influenciar novas medidas de fiscalização do Congresso Nacional. O caso já causa desconforto entre lideranças do governo, que tentam demonstrar transparência para evitar desgaste político num momento sensível para a imagem da gestão Lula, especialmente diante das demandas indígenas.
Enquanto o relatório não sai, aumentam as apostas sobre eventuais responsabilizações. O desfecho dessa auditoria promete agitar não só o setor público, mas também várias ONGs e empresas ligadas ao atendimento indígena.