O ex-prefeito de Bonfim, Joner Chagas, de 51 anos, foi preso na tarde dessa quinta-feira (27) pela Polícia Federal em Roraima. Ele é investigado por suspeita de integrar um esquema de fraudes em licitações e desvio de mais de R$ 40 milhões destinados à manutenção de estradas vicinais no interior do estado. A prisão aconteceu na capital Boa Vista.
Joner Chagas é suspeito de controlar um esquema de desvio de dinheiro em contratos de obras públicas em Bonfim. A suspeita é de que ele usava uma empresária como "testa de ferro" para esconder a ligação com os recursos.
O ex-prefeito havia sido alvo de uma operação da Polícia Federal nessa quarta-feira (26). No dia, foram cumpridos 7 mandados de busca e apreensão em Boa Vista e Bonfim, no Norte do estado.
A investigação começou em setembro de 2025, quando uma empresária, o marido e a filha dela foram presos após sacar mais de R$ 510 mil na capital. Segundo a PF, o dinheiro seria de origem ilícita e levou os investigadores a identificar possíveis irregularidades em contratos públicos para recuperação de estradas.
As investigações apontaram que a empresa responsável pelas obras recebeu contratos superiores a R$ 40 milhões, mas não possuía qualquer estrutura física ou operacional compatível com os serviços para os quais havia sido contratada.
Os policiais identificaram ainda a atuação de um grupo organizado, que usava uma empresa de fachada para cometer crimes como fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Esquema
As apurações mostram ainda que o esquema girava em torno de duas mulheres, mãe e filha. No dia 3 de julho deste ano, a jovem, de 21 anos, tornou-se única sócia de uma empresa, também ligada a obras municipais da cidade.
Conforme o inquérito, um dia após a suposta aquisição da empresa, ela assinou uma procuração que deu poderes à mãe. Ela é, desde 2020, dona da firma que possui contratos que somam mais de R$ 40 milhões com a Prefeitura de Bonfim.
A partir desse ponto, as apurações avançaram e revelaram que o dinheiro tinha ligação com medições fraudulentas e com um esquema que envolvia a empresa contratada para recuperar estradas vicinais. Apesar de manter contratos que somavam mais de R$ 40 milhões, a empresa não tinha estrutura física ou operacional compatível com o serviço.
Ao aprofundar as investigações, a PF identificou o grupo organizado que atuava de forma coordenada para cometer diversos crimes, entre eles fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e associação criminosa. O esquema utilizava uma empresa de fachada e realizava movimentações financeiras suspeitas para dar aparência de legalidade ao dinheiro desviado.
Como resultado das apurações, a Justiça Estadual determinou o bloqueio e o sequestro de bens que ultrapassam R$ 2 milhões. Além disso, ordenou a apreensão de materiais e a suspensão imediata do contrato da empresa investigada com o órgão público envolvido.