Venezuelanos compram kits de emergência por medo de intervenção de Trump
Manifestantes anti-Maduro em Caracas, Venezuela • 30/07/2024REUTERS/Alexandre Meneghini
A população de Caracas vive um clima de instabilidade e já começa a montar "kits de emergência" para caso uma guerra com os Estados Unidos estoure de fato. Escolas particulares já começaram a emitir comunicados pedindo estoques de água e alimentos, conforme uma reportagem da CNN na capital venezuelana.
Kits de emergência começaram a ser montados em escolas. Escolas particulares de Caracas começaram a enviar comunicados para os pais, segundo o texto, pedindo por suprimentos de água, alimentos não perecíveis, produtos de higiene, medicamentos e lanternas. A justificativa oficial menciona a possibilidade de permanência dos alunos na escola em caso de terremoto. Um responsável ouvido pela reportagem, sob condição de anonimato, acredita que a medida também considere cenários relacionados ao conflito político.
Venezuelas afirmam que têm dificuldades para dormir e não têm certeza sobre o que pode acontecer. A reportagem ouviu alguns moradores, que disseram acompanhar as notícias durante a madrugada e usar até remédios naturais para conseguir descansar. A psicóloga Yorelis Acosta, da Universidade Central da Venezuela, afirma que o clima político tem afetado a saúde mental da população, "com aumento de ansiedade e insônia". A recomendação, inclusive, é que os moradores reduzam o consumo de notícias e tentem manter rotinas básicas.
Fim de ano é, "naturalmente", um período mais triste para venezuelanos. Como muitos vivem no exterior, há sempre uma grande expectativa de retorno deles para o país durante o período de festas. Mas, até isso corre risco de não acontecer com a escalada da tensão. O engenheiro Luís Rosas, que mora hoje no Brasil e foi ouvido pela reportagem, disse que desistiu de viajar à Venezuela para ver a mãe por medo.
Empresas afirmam monitorar estradas e realizar exercícios internos de comunicação para reagir a situações inesperadas. O anúncio de suspensão de voos por companhias aéreas, após alerta da autoridade aeronáutica dos EUA, ampliou a sensação de isolamento. Com a revogação de autorizações de voo pelo governo venezuelano, deslocamentos internacionais ficaram mais difíceis.
Escalada da tensão entre Caracas e Washington ganhou força após os ataques dos Estados Unidos a embarcações no Caribe e no Pacífico. A investida, em 2 de setembro, e as reiteradas declarações do presidente americano Donald Trump insinuando a possibilidade de uma operação em território venezuelano deixam a população em pânico. A ausência de clareza sobre se —ou quando— uma ação poderia ocorrer ampliou a sensação de risco entre moradores, instituições e empresas. Manifestações tem acontecido na capital e em outras cidades a favor das medidas adotadas pelo presidente Nicolás Maduro.
Neste fim de semana, as Forças Armadas da Venezuela incorporaram 5,6 mil novos soldados, em resposta ao que o governo chama de "ameaças" dos Estados Unidos. Oficiais afirmaram que os novos integrantes são "combatentes revolucionários e socialistas", treinados para atuar sob o "método tático de resistência" e que a Venezuela não vai permitir, "sob hipótese alguma", invasão estrangeira.