Após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana no último sábado, o governo dos Estados Unidos avisou ao ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, que ele poderia estar no topo da lista de alvos de Washington caso não coopere com a presidente interina Delcy Rodríguez e não a ajude manter a ordem no país. A informação foi confirmada à agência Reuters por três pessoas familiarizadas com o assunto.
Considerado um dos principais nomes da ala dura do chavismo, Cabello controla as forças de segurança acusadas de abusos generalizados de direitos humanos. Apesar de ter sido acusado pela Justiça dos EUA de conspiração para o narcoterrorismo e de uso de armas para proteger o tráfico, o venezuelano ainda é um dos poucos leais a Maduro nos quais o presidente Donald Trump decidiu se apoiar para manter a estabilidade durante um período de transição.
No entanto, autoridades americanas estariam especialmente preocupadas com a possibilidade de Cabello sabotar o processo, dado seu histórico de repressão e rivalidade com Delcy. Ao mesmo tempo, o governo americano também estaria avaliando maneiras de, mais adiante, afastá-lo do poder e empurrá-lo para o exílio, acrescentou a fonte. Cabello teria sido avisado que, se desafiar os EUA, poderá ter um destino semelhante ao de Maduro — levado às pressas para Nova York para responder a acusações de narcoterrorismo — ou correr risco de vida.
A eventual neutralização de Cabello, porém, é vista como arriscada porque poderia motivar grupos pró-governo a ir às ruas, desencadeando o caos que Washington deseja evitar. Dias após a detenção de Maduro, manifestantes já se reuniram na Venezuela exibindo bandeiras e símbolos da propaganda do governo. Na segunda, apoiadores do chavista marcharam até os arredores do Parlamento, onde Delcy era empossada como interina, para exigir a libertação dele.
Cabello, de 62 anos, até agora sinalizou unidade, participando da cerimônia de posse de Delcy, que reuniu diferentes facções do partido socialista governista da Venezuela. Mas, naquela noite, Cabello apareceu empunhando um fuzil e incitando forças de segurança de uniforme preto antes de elas patrulharem Caracas para impedir que cidadãos protestassem. Ao grupo armado, o venezuelano afirmou: “Duvidar é traição. Agora, à batalha nas ruas pela vitória!”.
Sob o estado de emergência declarado pelo governo após a captura de Maduro, as forças de segurança receberam ordens para caçar simpatizantes dos EUA, segundo o Diário Oficial, onde o governo venezuelano publica novas leis e decretos. Segundo o Wall Street Journal, moradores da capital relataram novos bloqueios nas vias da cidade, nos quais homens armados e mascarados checavam os celulares de venezuelanos comuns em busca de mensagens antigoverno.
Avaliação americana
Também figura na lista de alvos potenciais o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que, assim como Cabello, responde a acusações de tráfico de drogas nos EUA e tem uma recompensa multimilionária por sua captura, segundo duas fontes. A colaboração de Padrino é considerada crucial para evitar um vácuo de poder, já que ele comanda as Forças Armadas. Autoridades americanas, porém, avaliam que Padrino é menos ideológico do que Cabello e mais propenso a seguir as diretrizes dos EUA enquanto busca uma saída segura para si próprio.