A reconstrução do setor elétrico da Venezuela exigirá investimentos de US$ 15 bilhões a US$ 40 bilhões e pode levar até dez anos. O país busca capital privado para recuperar geração, transmissão e distribuição após décadas de deterioração.
Francisco Morandi, consultor e ex-vice-presidente global da AES, afirmou ao Brazil Journal que há muito interesse de investidores, mas o cenário é complexo e pede um perfil com maior tolerância a risco.
Ele aponta petroleiras como a Chevron, players independentes americanos ligados a hedge funds e grupos de private equity como os principais candidatos. Companhias brasileiras e colombianas com boa relação com Washington também aparecem como potenciais, enquanto os chineses devem ficar de fora.
O avanço depende de uma nova lei para o setor elétrico em discussão no Congresso, inspirada nos Contratos de Participação Produtiva do petróleo. Morandi vê atrativos no texto, mas cita riscos, como a possibilidade de punição criminal por descumprimento de indicadores de qualidade. A votação é esperada para as próximas semanas.
O sistema venezuelano tem 36 GW de capacidade instalada, mas somente 12 GW a 13 GW operam. A demanda alcança picos de 15 GW, e cerca de 10 GW vêm de hidrelétricas, sujeitas ao risco de seca. Morandi lembra que o país já teve o terceiro maior sistema elétrico latino-americano, superado apenas por Brasil e México, antes da estatização promovida por Hugo Chávez no fim dos anos 2000.