Após ação militar dos EUA na Venezuela, Brasil decide manter tropas na fronteira, em Roraima

Ao todo, 216 militares do Exército serão deslocados para garantir estabilidade da fronteira brasileira com o país vizinho.

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Após ação militar dos EUA na Venezuela, Brasil decide manter tropas na fronteira, em Roraima
Militares do Exército brasileiro durante Operação Acolhida em junho de 2024. Foto: Divulgação/Comando Militar do Norte

Mesmo após a recente ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, as Forças Armadas brasileiras decidiram manter a presença permanente de militares do Exército na fronteira norte, em Roraima.

A atuação em Roraima, próxima ao território venezuelano, acaba de ser prorrogada por mais 15 meses, a contar de 1º de abril de 2026, reforçando o entendimento do governo de que a situação na região continua sensível.

A presença dos militares do Exército está ligada à continuidade da Operação Acolhida, criada em 2018 para lidar com o intenso fluxo migratório provocado pela crise humanitária venezuelana. Com a nova prorrogação, as atividades da operação estão garantidas até agosto de 2027.

Portaria do Ministério da Defesa prolonga atuação do Exército

A decisão foi formalizada nesta quarta-feira, 4 de março, por meio de portaria publicada pelo chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças ArmadasAlmirante de Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire.

O documento prorroga o funcionamento da Secretaria-Executiva de Coordenação de Ações de Assistência Emergencial, estrutura que representa o Ministério da Defesa na coordenação das ações de acolhimento de migrantes e refugiados que chegam ao Brasil pela fronteira norte.

Com a medida, a presença militar do Exército na região continua sendo considerada parte essencial da operação humanitária e de estabilização na fronteira com a Venezuela.

Segundo dados obtidos pelo portal Sociedade Militar junto ao Exército, serão ao todo 216 militares no no chamado 23º Contingente da Força-Tarefa Logística Humanitária.

O que fazem os militares do Exército na fronteira com a Venezuela

Na prática, as Forças Armadas são responsáveis por organizar e sustentar toda a logística do chamado circuito do migrante na Operação Acolhida.

Entre as atividades apoiadas pelos militares do Exército estão:

  • Recepção de migrantes e refugiados na fronteira
  • Identificação e registro das pessoas que entram no país
  • Vacinação e triagem de saúde
  • Distribuição de alimentos
  • Organização de abrigos temporários
  • Apoio na documentação
  • Ações de educação e assistência social

Essa estrutura foi criada para evitar colapso nos serviços públicos de Roraima, estado que concentra a principal porta de entrada de venezuelanos no Brasil.

Mais de 156 mil venezuelanos já foram interiorizados no Brasil

Desde o início da Operação Acolhida, em 2018, o programa de interiorização já transferiu mais de 156 mil migrantes e refugiados para outras cidades brasileiras.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

A interiorização ocorre quando migrantes recebem ofertas de trabalho ou oportunidades de inclusão em outros municípios do país. Nesse processo, o deslocamento acontece de forma voluntária, com apoio logístico do governo federal.

A estratégia busca reduzir a pressão migratória sobre Roraima e facilitar a inserção socioeconômica dos venezuelanos em diferentes regiões.

Tropas do Exército de várias regiões participam da missão

Apesar de ocorrer em área de responsabilidade do Comando Militar da Amazônia (CMA), a missão reúne militares de outras partes do país.

No dia 27 de fevereiro, o Comando Militar do Oeste (CMO), responsável pelos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, informou que concluiu o preparo do 23º Contingente da Força-Tarefa Logística Humanitária.

Serão 133 militares do CMO e outros 83 do Comando Militar do Norte (CMN). Mas este número já foi maior. Em 2024, por exemplo, 567 militares das 3 Forças Armadas integraram o 18º contingente.

Em nota ao portal Sociedade Militar enviada nesta quinta-feira, 5 de março, em resposta aos questionamentos da reportagem, o CMO explicou que todos os Comando Militares de área intercalam o envio de contingente e que a fase atual ficou sob responsabilidade do CMO e CMN.

Militares passaram por orientações antes de ir para Roraima

Os integrantes do novo contingente passaram por orientações específicas sobre a área de operações em Roraima, além de treinamentos sobre:

  • Protocolos operacionais vigentes
  • Estrutura logística da missão
  • Trâmites administrativos
  • Responsabilidade social
  • Proteção da dignidade da população venezuelana

 


FONTE: Revista Sociedade Militar
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