Um garimpeiro relatou à Polícia Federal a dificuldade crescente de acessar a Terra Indígena Yanomami devido à presença constante das forças federais. Essa mudança reflete os resultados de dois anos de operações intensivas contra o garimpo ilegal na região, iniciadas em janeiro de 2023 após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Roraima. Na ocasião, o cenário foi descrito como uma grave emergência sanitária e humanitária, com avanço do garimpo, aumento de malária, desnutrição e invasores na área indígena.
O Governo Federal respondeu com medidas permanentes para restabelecer a presença do Estado. Em fevereiro de 2024, foi criada a Casa de Governo em Roraima pelo Decreto nº 11.930, coordenando ações integradas de órgãos como Polícia Federal, Funai, Ibama e Forças Armadas. Anteriormente, em janeiro de 2023, o Decreto nº 11.405 estabeleceu a Zona de Identificação de Defesa Aérea (ZIDA 41) para controle de voos suspeitos sobre a região.
As operações em 2024 focaram na interrupção da logística do garimpo, com monitoramento de rios como Uraricoera, Mucajaí, Couto Magalhães e Catrimani via imagens de satélite do Censipam. Foram realizadas 3.547 ações, resultando na apreensão de 226 quilos de mercúrio em Bomfim, 32 quilos de ouro pela PF e PRF, e na inutilização de 1.095 motores, 129 mil litros de óleo diesel, 22 aeronaves e 421 acampamentos, gerando prejuízos de R$ 267 milhões no primeiro ano.
A Força Nacional mantém presença em bases como Parafuri, Parima e outras 15 localidades para proteger comunidades e equipes de saúde. A Funai acumulou 2.466 horas de voo em missões de fiscalização e monitoramento aéreo.
Em 2025, as ações se ampliaram, com patrulhas fluviais pela Marinha no rio Catrimani e fiscalização de pistas pelo Comando Operacional Conjunto Catrimani II. A inauguração do Destacamento Especial de Fronteira (DEF) de Waikás em janeiro reforçou o controle no rio Uraricoera. Nesse ano, foram inutilizados 836 motores, 337 acampamentos, 19 aeronaves, 10 quadriciclos e apreendidos 215 quilos de ouro pela PRF.
O balanço de dois anos, de março de 2024 a março de 2026, registra 9.623 ações, inutilização de 808 acampamentos, 2.050 motores, 46 aeronaves, 10 dragas e 185 antenas de satélite, além de 191 toneladas de cassiterita. Os prejuízos totais superam R$ 663 milhões, levando a uma redução de 98,9% na área de garimpo ativo. A estratégia envolve presença permanente, bloqueio logístico e integração de instituições como Força Nacional, PF, PRF, Funai, Ibama e Abin, com fiscalizações também no entorno da terra indígena. As informações foram retiradas do Governo Federal.
Ao longo de 2024 foram realizadas 3.547 ações de combate ao garimpo ilegal na TIY. As operações resultaram na apreensão de 226 quilos de mercúrio pela Polícia Federal na cidade de Bomfim, município localizado no nordeste de Roraima, na fronteira entre o Brasil e a Guiana, uma rota utilizada para a entrada de mercúrio empregado no garimpo ilegal.
Ouro apreendido
Também foram apreendidos 32 quilos de ouro em ações da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Desse total, 21 quilos foram apreendidos pela PRF em 28 de novembro de 2024, durante fiscalização na BR-174, rota logística entre Manaus (AM) e Boa Vista (RR). Outros 11,7 quilos foram apreendidos pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Boa Vista ao longo de 2024, em operações distintas envolvendo ouro transportado em voos comerciais sem comprovação de origem.
No mesmo período, as operações inutilizaram 1.095 motores, 129 mil litros de óleo diesel, 22 aeronaves e 421 acampamentos utilizados por garimpeiros, provocando prejuízos estimados em R$ 267 milhões apenas no primeiro ano de atuação da Casa de Governo.
Para garantir a segurança das comunidades e das equipes que atuam na terra indígena, a Força Nacional mantém presença permanente em bases operacionais distribuídas pela região, instaladas em Parafuri, Parima, Waikás, Palimiú, Pakilapi, Kataróa, Xexena, Surucucu, Maraxiú, Xitei, Homoxi, Paapiú, Moxihatetea, Alto Catrimani, Kayanaú, Walo Pali e Maracá. A presença dos agentes de segurança assegura a proteção das comunidades e as condições para o trabalho das equipes de saúde nas aldeias.
Além da presença permanente nas bases, o controle da região também depende do monitoramento aéreo. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) mantém um contrato específico para o emprego de aeronaves em apoio às operações realizadas na TIY. As aeronaves são utilizadas em missões de fiscalização, monitoramento aéreo e ações de combate ao garimpo ilegal, com acompanhamento de equipes da Força Nacional e da própria Funai. Desde o início das operações, essas aeronaves já acumulam 2.466 horas e 16 minutos de voo em missões operacionais dentro da Terra Indígena Yanomami, um volume que corresponde, aproximadamente, a 24 voltas completas ao redor do planeta.
Ampliação das operações em 2025
Ao longo de 2025, a estratégia construída no ano anterior passou a operar em escala maior. Com as bases já instaladas e a presença institucional consolidada em diferentes regiões do território indígena, as operações passaram a pressionar de forma mais direta a logística que sustentava o garimpo ilegal.
A atuação nos rios continuou sendo um dos principais eixos das ações. Barreiras e patrulhas fluviais mantiveram vigilância constante em rotas utilizadas para o transporte de combustível, alimentos e equipamentos destinados às frentes de mineração ilegal, enquanto as ações aéreas foram intensificadas.
A Marinha do Brasil mantém presença na região do rio Catrimani, onde embarcações realizam patrulhamento fluvial e apoio logístico às operações.
Durante o período, pistas de pouso utilizadas pelo garimpo foram fiscalizadas e inutilizadas pelo Comando Operacional Conjunto Catrimani II. Aeronaves empregadas para abastecimento das frentes ilegais também foram inutilizadas, reduzindo a mobilidade aérea que durante anos sustentou o avanço do garimpo na TIY.
Destruição de infraestrutura
Com a inauguração do Destacamento Especial de Fronteira (DEF) de Waikás, em janeiro de 2025, foi ampliada a presença das forças de segurança em uma das regiões estratégicas da Terra Indígena. A partir dessa base, as patrulhas fluviais no rio Uraricoera tornaram-se mais frequentes e equipes passaram a atuar em áreas de difícil acesso no interior da floresta.
Ao longo do ano, as operações inutilizaram 836 motores, 337 acampamentos, 19 aeronaves e 10 quadriciclos utilizados pelo garimpo ilegal. Além disso, 215 quilos de ouro foram apreendidos pela PRF após o reforço da fiscalização nas rotas logísticas utilizadas para o escoamento do minério transportado a partir de outros estados em direção a Roraima.