A decisão do deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), o "Hélio Negão", de transferir seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Roraima, visando disputar uma vaga ao Senado em 2026, causou desconforto dentro do PL.
A movimentação, considerada uma estratégia de um parlamentar "paraquedista" (sem base local), gerou surpresa inclusive na direção do partido, liderada por Valdemar Costa Neto.
Hélio, que foi um dos deputados mais votados pelo PL no Rio de Janeiro em 2018 e reeleito em 2022, oficializou a mudança do título eleitoral para Roraima no início deste mês, no período de janela partidária onde permite-se a mudança de domicílio a seis meses das eleições.
As vindas frequentes de Hélio ao Estado motivaram o Ministério Público Eleitoral abrir investigação para apurar o uso de verba da Câmara dos Deputados (cota parlamentar) para financiar suas viagens a Roraima com finalidade eleitoreira, visando sua candidatura ao Senado.
A decisão de transferir o domicílio eleitoral na véspera da campanha foi vista internamente no Partido como uma tentativa de se aproveitar da estrutura do PL em Roraima, o que gerou incômodo e desconforto na direção nacional e local.
No mês de fevereiro deste ano surgiram informações de que Hélio teria desistido da candidatura ao Senado por Roraima para tentar uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas da União (TCU), também com o apoio de bolsonaristas, o que também gerou atritos no Centrão.
Apesar da possível desistência para o Senado em favor do TCU, a movimentação política de transferir o título e utilizar recursos para viabilizar-se em outro estado marcou negativamente sua relação interna no PL no início de 2026.