O Ministério da Saúde da Venezuela anunciou nesta terça-feira (21) o lançamento de um plano especial de larvicida, fumigação, desinfecção e controle de roedores no estado de La Guaira, a região mais atingida pelo duplo terremoto de 24 de junho.
A medida sanitária visa prevenir a proliferação de roedores, mosquitos e outros vetores de doenças, em decorrência dos graves danos ambientais causados por deslizamentos de terra e acúmulo de entulhos.
Segundo a agência de notícias EFE, a campanha epidemiológica envolve equipes especializadas de fiscais e fumigadores atuando simultaneamente com bases em Caraballeda, La Guaira e Macuto.
A operação prioriza as comunidades com os danos mais severos à infraestrutura, os hospitais de campanha e os 28 acampamentos temporários ao longo da costa central, onde atualmente se encontram 12.123 pessoas desabrigadas.
A única autoridade sanitária de La Guaira, Nelare Bermúdez, afirmou que as medidas de contenção biológica já protegeram mais de 16 mil cidadãos no estado.
O destacamento preventivo ao longo da costa coincide com um alerta epidemiológico nacional, após a confirmação, nesta terça-feira (21), de três mortes por hantavírus na região nordeste do país e a avaliação de outros dois casos fatais que estão sendo investigados no estado de Barinas.
Por que desastres podem provocar proliferação de doenças
Danos ambientais que podem ser causados por desastres como os terremotos que atingiram a Venezuela podem se relacionar diretamente à proliferação de diferentes doenças. Antes mesmo da pandemia da Covid-19, a ONU publicou o relatório Global Environment Outlook (GEO), em que estimava que uma em cada quatro mortes prematuras e por doenças no mundo estão relacionadas com a poluição e outros danos ao meio ambiente provocados pelo homem.
A poluição atmosférica, os produtos químicos que afetam a água potável e a destruição acelerada dos ecossistemas vitais para bilhões de pessoas estão provocam uma espécie de epidemia mundial, segundo o texto. No caso dos terremotos, os efeitos da destruição atingem diretamente o ecossistema local. A publicação da ONU destaca ainda que desastres climáticos devem aprofundar a vulnerabilidade de bilhões de pessoas, o que também facilita a proliferação e está preocupando o governo venezuelano.