Desde que viajou para os Estados Unidos, em novembro de 2025, a procuradora do estado de Roraima Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, está há cerca de nove meses sem exercer as funções no cargo.
Nesse período, ela emendou férias, licença-prêmio, afastamentos e Atualmente, está licenciada para disputar uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro.
Rebeca está em licença remunerada para atividade política, com vigência de três meses a partir de 4 de julho de 2026. Apesar do afastamento remunerado, os valores não têm sido recebidos porque suas contas bancárias permanecem bloqueadas por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
Antes da licença eleitoral, Rebeca apresentou um atestado médico válido até 19 de fevereiro de 2026. No entanto, como não compareceu à perícia médica obrigatória, a justificativa para o afastamento não foi homologada. Posteriormente, ela pediu que a avaliação fosse realizada por telemedicina, mas o pedido foi negado.
Com isso, o período entre 7 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026 ainda será analisado em procedimento administrativo e pelo Tribunal de Justiça de Roraima. Ao todo, a procuradora terá de justificar 45 dias de ausência.
Rebeca não possui autorização para atuar em regime de teletrabalho desde 2020. De acordo com o órgão, a autorização precária para trabalho remoto foi revogada em agosto daquele ano, após solicitação da própria procuradora, que também requereu remoção definitiva para a unidade da PGE em Brasília. Desde então, sua lotação é exclusivamente presencial.
Nas redes sociais, Rebeca contesta essa versão. Ela afirma ser alvo de perseguição e classifica a exigência de retorno ao trabalho presencial como uma medida “desproporcional e arbitrária”, que, segundo ela, teve como objetivo prejudicá-la e romper a isonomia entre os membros da instituição.
Candidatura à Câmara
Ao anunciar sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro, em julho, Rebeca afirmou que sua família sofre perseguição por defender “o melhor para o Brasil”. Ela disse ter decidido disputar uma vaga no Congresso com o apoio e a indicação da família Bolsonaro.
Na publicação, a procuradora afirmou que pretende defender “o cidadão de bem”, fortalecer o cumprimento das leis, combater o que chamou de “abusos e perseguições” e endurecer o combate à criminalidade. Também declarou que sua candidatura tem como objetivo proteger “as famílias brasileiras” e “as pessoas decentes e de bem”.
Alexandre Ramagem
Ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 e deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos no mesmo mês. Em 13 de abril de 2026, ele foi detido por agentes do serviço de imigração norte-americano, mas acabou sendo liberado.