TIGRINHO: MPRR denuncia dez influenciadores por esquema de jogos de azar
O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) denunciou nesta sexta-feira, 04 de setembro, dez influenciadores digitais por crimes relacionados à exploração de jogos de azar, afirmação falsa ou enganosa sobre produtos ou serviços, indução do consumidor a erro, crimes contra a economia popular, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Três dos denunciados também respondem pelo crime de estelionato.
De acordo com a denúncia da Promotoria de Justiça Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Capitais, Adrielly Vivianny Araújo de Jesus, Dione dos Santos da Silva, Raniely Silva Carvalho, Patrik Adhan dos Santos Ribeiro, Amanda Lourenço Faria, Laís Ramos Gomes da Silva, Victoria Paixão Barros, Vitória Reis da Silva, Juliana Lima do Nascimento e Gildázio Sobrinho Santos Cardoso receberam, juntos, aproximadamente R$ 67,5 milhões de empresas intermediadoras de pagamento ligadas ao sistema das apostas eletrônicas, entre janeiro de 2023 e outubro de 2024.
Segundo o MPRR, o esquema funcionava por meio da divulgação de plataformas clandestinas de jogos de azar nas redes sociais. Os influenciadores publicavam stories, reels e vídeos com links personalizados e exibiam supostos ganhos, veículos, imóveis, viagens e outros bens para atrair seguidores com a promessa de lucro fácil. Os usuários eram direcionados às plataformas para realizar cadastros e depósitos, enquanto os divulgadores recebiam comissões pela captação de novos apostadores.
A investigação apontou ainda o uso de contas de demonstração fornecidas pelas plataformas para simular ganhos expressivos e irreais. Após os depósitos, os usuários visualizavam supostos lucros e eram incentivados a continuar apostando. Ao tentar sacar quantias maiores, no entanto, enfrentavam bloqueios ou negativas para a retirada dos valores.
A associação criminosa era estruturada em três núcleos interligados. O Núcleo Operacional e Empresarial reunia responsáveis pela administração das plataformas clandestinas, operadores financeiros e intermediadoras de pagamento; o Núcleo de Divulgação e Captação, integrado pelos influenciadores, atuava na divulgação dos jogos e na atração de apostadores; e o Núcleo de Ocultação Financeira seria responsável por ocultar e dissimular a origem e a propriedade dos recursos obtidos com o esquema.
O Promotor de Justiça, Carlos Alberto Melotto, explica que a lavagem de dinheiro ocorria por meio da movimentação dos recursos em diferentes instituições financeiras, contas pessoais e jurídicas, além de transferências entre os denunciados e terceiros. Os valores provenientes das plataformas também teriam sido incorporados ao patrimônio por meio da aquisição de veículos, imóveis, viagens, procedimentos estéticos e outros bens de alto valor.
“Estamos falando de um esquema que explora a confiança das pessoas e a expectativa de obter ganhos financeiros, causando prejuízos que podem comprometer a renda e o patrimônio das vítimas. A atuação do Ministério Público busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos e impedir que estruturas como essa continuem utilizando as redes sociais para alcançar novos consumidores”, ressalta o Promotor de Justiça.
Na denúncia, além da condenação dos envolvidos, o MPRR requer a fixação de valor mínimo para reparação dos danos causados às vítimas K.H.F., J.S.O.S. e A.S.C., em montante a ser definido a partir das provas apresentadas no processo.