A Polícia Federal (PF) encaminhou, na manhã desta quinta-feira (1º), o ex-presidente da Assembleia Legislativa (ALE-RR), Jalser Renier (PSDB), candidato a deputado estadual, para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc). Ele deve passar por audiência de custódia. Ele foi preso preventivamente após a Justiça Eleitoral revogar a soltura do investigado – acusado de corrupção eleitoral e associação criminosa – e determinar a devolução da fiança de R$ 20 mil paga por Renier para deixar a prisão.
Por volta das 9h30, o ex-deputado deixou a sede da PF, no bairro 13 de Setembro, na companhia de agentes federais e dos advogados. Ele seguiu para exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro Liberdade, na zona Oeste de Boa Vista, antes de ir para a Pamc, no Monte Cristo.
Operação Lemming
Autorizada judicialmente, a PF cumpriu, nesta quinta, seis mandados de busca e apreensão contra pessoas que trabalham na campanha de Jalser Renier e da esposa, Tatyanne Aguillera (PSDB), que disputa o cargo de deputada federal, em meio à investigação de crimes de corrupção eleitoral e associação criminosa.
A mãe do ex-deputado, Itelvina da Costa Padilha, foi o alvo principal da ação, que a qual é resultado do desdobramento da operação que prendeu Jalser Renier na última semana.
Naquela ocasião, a polícia encontrou, na casa do ex-parlamentar, R$ 19,1 mil em espécie, planilhas de controle financeiro denominadas “LIDERANÇAS – 2026” e identificou um plano que previa gastar R$ 4.228.100,00 para comprar os votos de 12.175 eleitores.
Essa anotação era acompanhada com a rubrica “BU”, que significa boca de urna. Do montante total, R$ 2.449.300,00 estavam programados para serem executados ainda em setembro de 2026. Com os achados, a PF pediu uma nova operação contra Jalser Renier, inclusive contra novos suspeitos, como a esposa.
A Justiça, no entanto, negou. Aos outros investigados, por outro lado, autorizou mandados e busca e apreensão com o intuito de coletar documentos, celulares e valores em espécie ligados às atividades sob investigação, além de busca pessoal dos seis alvos da operação.
Os alvos da operação de hoje também estão proibidos de manter contato entre si e as lideranças citadas nas planilhas, exceto pessoas do convívio familiar. Também não poderão sacar dinheiro em espécie. Embora não tenha sido alvo de mandados de busca e apreensão, Jalser Renier e a esposa tiveram as contas bloqueadas em R$ 2,4 milhões. Da mãe dele, o bloqueio foi de R$ 14 mil.
Em nota, a defesa de Jalser Renier informou estar “empenhada e adotando todas as medidas legais cabíveis para ter acesso integral ao teor do procedimento, de modo a compreender o contexto fático e jurídico que fundamentou a medida”.
“Reiteramos que Jalser Renier sempre esteve e continua à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários. Tão logo haja o acesso irrestrito aos autos e a devida análise técnica do caso, novos esclarecimentos serão prestados à imprensa e à sociedade”, destacou.