Território Yanomami: governo estima ter expulsado 90% dos 20 mil garimpeiros ilegais em Roraima.

Autoridades buscam agora evitar retorno e destruir equipamentos e identificar fontes de recursos de atividade criminosa

Por -Fonte: O Globo
3 Min

Crateras deixadas pelos garimpeiros que foram expulsos das terras dos índios Yanomami em Roraima.
Crateras deixadas pelos garimpeiros que foram expulsos das terras dos índios Yanomami em Roraima.



Quase cinco meses após o início da operação para expulsar garimpeiros do Território Indígena Yanomami, a estimativa é que 90% das cerca de 20 mil pessoas que atuavam ilegalmente no local deixaram a região. Agora, as atividades de monitoramento têm sido utilizadas para localizar os invasores “residuais”. Ao mesmo tempo, há um esforço para inutilizar equipamentos e acabar com as fontes de financiamento, para impedir que eles retornem.

A operação começou no fim de janeiro, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitar a terra indígena e o governo federal declarar emergência de saúde pública. Participam das ações conjuntas órgãos como Ibama, Polícia Federal, Funai e as Forças Armadas.

Na semana passada, um decreto aumentou as atribuições dos militares na operação. Agora, além do apoio logístico e de inteligência, eles também passaram a realizar ações repressivas, incluindo prisões em flagrante, patrulhamento e revista de pessoas.

A ação para localizar os garimpeiros que restam na terra indígena começa, geralmente, do alto. Imagens aéreas são utilizadas para fazer o reconhecimento do local. Depois que um garimpo é identificado, focos de calor auxiliam na identificação de quantas pessoas atuam nele. Até o momento, foram catalogadas 70 pistas de pouso clandestinas e 19 garimpos.

— Não é simplesmente a foto do garimpo. São fotos de dia, de noite, com equipamento diferente. Isso nos faz chegar a uma conclusão a respeito de quantidade de pessoas, localização de objeto, e faz com que nós planejemos melhor as nossas ações — explicou o chefe do estado-maior do comando conjunto, o brigadeiro do ar André Peçanha

Com a identificação do local e do número de garimpeiros que estão lá, agentes são enviados a campo para levantar mais informações. Depois disso, a operação de retirada é realizada de fato. — Nós infiltramos as nossas tropas para fazer um levantamento inicial. Temos a localização, o efetivo e, a partir daí, fazemos a atuação — afirma o comandante do comando conjunto, general Ricardo Costa Neves.

Costa Neves afirma que um dos objetivos é evitar o retorno dos garimpeiros. Para isso, um dos pontos principais é a destruição de balsas, bases e outros equipamentos utilizados. Também há investigações em curso sobre as origens dos recursos.

— Nós estamos neutralizando os equipamentos. Além disso, estamos fazendo o acompanhamento da onde vem esse apoio logístico a eles e estrangulando essas fontes — completa o general. O valor dos materiais apreendidos ou inutilizados até agora soma R$ 30,9 milhões. Em quantidade, a maior parte corresponde a cassiterita (42 kg) e combustível (8.800 litros).

De acordo com o contra-almirante Luis Manoel de Campos Mello, um grupo de oito garimpeiros foi abordado na terça-feira no Rio Catrimani, deixando o local, e um deles disse que "o garimpo está sufocado em sua logística".


Notícias Relacionadas »