OPINIÃO: Jalser esperneia porque não quer ir sozinho para o purgatório.

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Todo esse esperneio do deputado Jalser Renier tem um objetivo muito claro: abrandar dentro de sua própria alma a aflição que sente pelo que se avizinha, uma eventual cassação do mandato, o que significaria também e por consequência o banimento dele da vida pública.

Jalser se encontra a caminho da forca, com a corda amarrada ao pescoço, vestido do capuz negro e prestes a ser lançado ao fosso da degola. E como não tem nada a perder, pois já se dá como morto mesmo – ele próprio confessou em discurso que será cassado -, quer levar com ele alguma alma a lhe fazer companhia no purgatório.

É admirável a coragem e o ímpeto de Jalser, quando lança denúncias sem provas e factoides sobre a Assembleia Legislativa e alguns de seus deputados, justamente abordando questões das quais é predecessor. Ou alguém em Roraima, de sã consciência já eliminou da memória as traquinagens de Jalser no passado? É provável que não.

Jalser carrega na vasta carreira como homem público pelo menos duas prisões por ter sido o rei dos Gafanhotos, à época do Governo de Neudo Campos. Uma delas na Operação Praga do Egito, onde foi recolhido à Cadeia Pública – aliás se entregou depois de dias foragido –, perdeu o mandato e se ergueu posteriormente quando foi eleito novamente deputado estadual.

Mais recente, já na Presidência do Poder Legislativo, foi novamente preso e recolhido à uma cela pelo mesmo motivo de antes, sua participação nas rachadinhas dos gafanhotos. Por conta desse evento chegou a ser alcunhado em uma reportagem de destaque no Fantástico, da Rede Globo, como “o presidente presidiário”.

Jalser é acusado em um punhado de vilezas políticas e administrativas enquanto presidente do Poder Legislativo. Já recebeu a visita da polícia em sua mansão por algumas vezes, em operações de busca e apreensão, sob acusação de comandar malfeitos na Assembleia, em operações ilícitas diversas, a mais recente denominada de “Operação Cartas Marcadas”, onde, dizem as vozes do corredor, “está atolado até o último fio de cabelo”.

A imagem pública de Jalser é demasiadamente alquebrada por suas traquinagens e descomposta neste exato momento por seu suposto envolvimento no sequestro e tortura do jornalista e radialista Romano dos Anjos. Embora negue – ele faz isso de joelhos e mãos postas – mas a verdade é que a investigação da Polícia Civil, submetida ao crivo do Ministério Público, o apanhou como mentor e autor intelectual do famigerado ocorrido.

Ai, de repente, como quem lavou o íntimo nas águas do Rio Jordão, como quem vestiu os indumentos de salvador da pátria, como quem assumiu o vestal da verdade, Jalser aparece com a faca nos dentes, soltando fogo pelas ventanas e passa a impor medo aos deputados, seus colegas de parlamento, com ameaças e intimidações.

O homem esbraveja feito galo garnizé, bate no púlpito, grita com todos – chamou inclusive o governador Antonio Denarium, seu antigo aliado enquanto durou a bonança, de ‘governadorzinho medíocre’ – mas a aura abatida, definhada e combalida mostra sua face destruída e assolada pelas certezas e incertezas sobre seu futuro político.

Jalser – segundo a maioria dos deputados – já traçou seu destino. Para não sujar ainda mais a imagem do Parlamento que ele cuidou de lambuzar, afastar Jalser da redondeza da Praça do Centro Cívico, passou a ser questão de honra. Mesmo que o Judiciário intervenha equivocadamente nas ações do Legislativo, com essa decisão recente que suspendeu o processo de cassação, a marcha pelo enforcamento de Jalser se mantém firme e forte.

Porque em algum momento essa decisão judicial será desmontada e o processo de cassação seguirá com vigor e torna-se ainda mais intenso porque Jalser já não escolhe mais os adversários, pois trata como algozes 80% dos colegas parlamentares, a quem acusa agora de estarem praticando gafanhotagem, algo que ele entende muito bem.

O arrojo de Jalser é extraordinário, não resta dúvida, embora a ressonância nas redes sociais, palco que ele buscou para destilar sua comoção, não lhe seja favorável a julgar pelos comentários a cada postagem que faz. Mas ele insiste em envolver a massa crítica que habita a internet, com apelos emocionais e promete passar um rolo compressor sobre o que ele julga como atos administrativos censuráveis na atual gestão da Assembleia Legislativa.

Jalser está perdendo seu tempo com essa mobilização histérica. Ele criou canais, vejam só, para receber denuncias de prováveis abusos na Assembleia, cometidos por deputados. “Mas quem é Jalser para agir assim, como verdadeiro paladino da razão?”. Não, certamente não será ele, pelo seu histórico já apurado e pela vida pregressa, a figura adequada para apontar deformidades ou imperfeições nos outros.

As redes sociais, a quem ele buscou como refúgio, não lhe darão o respaldo que acha que terá. Os internautas, em quase sua totalidade, demonstram aversão e repulsa às pretensões de Jalser e sob forte ataque, o condenam a cada aparição, seja no Instagram, Facebook ou em qualquer outra ferramenta de comunicação eletrônica.

Mas Jalser é um homem afoito, destemido. Na sessão desta quarta-feira (1), por exemplo, anunciou a criação de uma conta específica no Instagram e um número de telefone para receber denúncias contra colegas deputados ou contra algum ilícito na Assembleia. Mas logo você, Jalser, sobre quem incide as mais diversas e variadas acusações de malfeitos enquanto presidente do Poder Legislativo?

Ora, tá na cara que Jalser quer mudar a regra do jogo. Quer transformar desespero em heroísmo. Está elevando o tom nos discursos, coisa rara em sua vida pública, pois é um dos deputados que menos usou a Tribuna da Casa Legislativa nos últimos anos, para impor medo nos colegas que cuidam do processo que pode levá-lo ao limbo. Jalser sabe muito bem que sem mandato se tornará presa ainda mais fácil.

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By peronico

Expedito Perônico, jornalista e colunista de política. Este blog cobre os bastidores do poder em Roraima e em Brasília. Já atuei nos principais veículos de comunicação de Roraima.

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